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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A Crise da Morte

Ernesto Bozzano

(7ª Parte)

Continuamos a apresentar o texto condensado do clássico A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, de acordo com a tradução feita por Guillon Ribeiro publicada em 1926 pela editora da Federação Espírita Brasileira.

Questões preliminares

A. Que informações podemos extrair das comunicações de Rodolfo Valentino?

R.: Ei-las: a) a intuição de que a morte se aproximara e o pavor de morrer, tendo de deixar tantas coisas, que ele julgava preciosas, para trás; b) a "visão panorâmica" dos acontecimentos de sua existência terrestre; c) o sono reparador; d) o encontro com Jeny, com seu Espírito-guia e com Gabriela, sua mãe; e) a ajuda recebida da Sra. H. P. Blavatski, que o conduziu até à vivenda do tio Dick; f) a notícia sobre as habitações existentes no mundo espiritual, construídas por Espíritos que se especializaram em modelar, pelo pensamento, a matéria espiritual. Rodolfo Valentino informou ainda que muitos Espíritos não resistem ao abalo mental causado pela mudança que se produz com a morte física. Por efeito, então, da ignorância em que se acham e do medo que os assalta, passam o tempo a freqüentar, e mesmo a assombrar, o meio onde viveram e ao qual se vêem psiquicamente presos. (A Crise da Morte, pp. 135 a 145.)

B. Que diz Bozzano sobre a solidez das construções espirituais?

R.: Bozzano assevera que ninguém deve admirar-se da observação de Rodolfo Valentino relativamente à aparência sólida das construções psíquicas por ele descritas. A Ciência, lembra ele, já demonstrou que a solidez da matéria é pura aparência, ou seja, o atributo "solidez" não constitui mais que uma questão de "relação" entre o indivíduo e o objeto. Para nós, seres formados de matéria igual à constitutiva do meio em que vivemos, esse meio tem, necessariamente, que parecer sólido. O mesmo se dá com os Espíritos e as moradas espirituais. Em compensação, eles devem perceber como sombras evanescentes as pessoas vivas e o meio terrestre, devido à falta de relação entre as condições em que eles existem e operam e as condições em que existem e operam os vivos. Eis por que o Espírito pode atravessar uma parede, como se esta não existisse. (Obra citada, pp. 144 e 145.)

C. Que nos revela o décimo sexto caso deste livro?

R.: Eis os detalhes contidos nas mensagens que compõem este caso: a) o mergulho do Espírito comunicante nas mais profundas trevas, onde imperava um silêncio mortal; b) a ignorância acerca de sua morte corpórea; c) a não percepção da presença de Espíritos hierarquicamente superiores, até que, tendo ciência de estar morto, alguns Espíritos o ajudaram, a pedido de um amigo que ele traíra na existência terrena; d) a informação de que no mundo espiritual o pensamento é tudo, não só para a comunicação uns com os outros, mas para a criação das coisas de que os Espíritos têm necessidade. (Obra citada, pp. 148 a 157.)

D. Que finalidade tem a crise de remorsos que acomete os chamados réprobos do plano espiritual?

R.: Os sofrimentos expiatórios que atingem os "réprobos" são, segundo Bozzano, principalmente de natureza moral e consistem, inicialmente, em toda sorte de saudades e de desejos insatisfeitos e impossíveis de terem satisfação, e depois em toda sorte de remorsos dilacerantes. Parece, no entanto, que quando um Espírito de "réprobo" começa a crise dos remorsos tem ele dado o primeiro passo no caminho da redenção. Dessa crise, longa por vezes e terrível, ninguém pode poupar o Espírito, porquanto somente passando por ela chegará seu "corpo etéreo" a expungir-se dos "fluidos impuros", de que se maculou e carregou, fluidos esses que sobre ele se acumularam em conseqüência da repercussão "vibratória" que sobre seu organismo muito delicado exerceu seu procedimento ignóbil ou indigno, no curso da existência terrestre. Do mesmo modo que esses "fluidos impuros" haviam, por virtude da lei de afinidade, obrigado o Espírito a gravitar para as regiões infernais, em conseqüência da purificação operada pela crise dos remorsos seu "corpo etéreo", tornado mais leve, se eleva e gravita para a esfera espiritual imediatamente superior. Os Espíritos de "réprobos" endurecidos, incapazes de sentir remorsos, permanecem assim na região infernal, imersos em trevas mais ou menos profundas, muitas vezes na solidão, outras em companhia de Espíritos da mesma categoria, até que a hora do arrependimento para eles soe, porque ninguém se encontra abandonado a si mesmo. (Obra citada, pp. 154 a 157.)

Texto para leitura

98. Décimo quinto caso - A narrativa que se segue foi extraída do livro Rudy, em que a Sra. Natacha Rambova narra a vida de seu marido, Rodolfo Valentino, acrescentando-lhe algumas mensagens mediúnicas obtidas do defunto. (P. 135)

99. Pela leitura do livro vem-se a saber que Rodolfo Valentino ocupava-se, em vida, com experiências mediúnicas, sendo ele próprio notável médium escrevente e vidente. As mensagens mediúnicas foram obtidas nos arredores de Nice, com o auxílio do médium americano Jorge Benjamim Wehner, que servia também à Sra. H. P. Blavatski, fundadora da Sociedade Teosófica, a qual acabou tornando-se "guia espiritual" do grande artista. (P. 136)

100. Um incidente inicial destacado por Bozzano se deu quando Valentino se achava em estado desesperador, em Nova York. Na mesma noite, manifestou-se no grupo familiar em Nice o Espírito de uma mulher que se chamara "Jeny" e fora grande amiga de Rodolfo e de sua esposa Rambova. Jeny informou então que estava constantemente à cabeceira do moribundo e viu quando ele foi levado para a Casa de Saúde. (P. 136)

101. Uma semana depois da morte de Valentino, sua esposa recebeu de uma irmã residente em Nova York uma carta em que ela informava, entre outras coisas, que Valentino vira "Jeny" e a chamara pelo nome, quando fora transportado para a Casa de Saúde. A informação seria confirmada depois pelo próprio defunto numa de suas primeiras mensagens mediúnicas. (PP. 136 e 137)

102. Eis os detalhes contidos nas mensagens enviadas pelo notável artista: a) a intuição de que a morte se aproximara e o pavor de morrer, tendo de deixar tantas coisas, que ele julgava preciosas, para trás; b) a "visão panorâmica" dos acontecimentos de sua existência terrestre; c) o sono reparador; d) o encontro com Jeny, com seu Espírito-guia e com Gabriela, sua mãe; e) a ajuda recebida da Sra. H. P. Blavatski, que o conduziu até à vivenda do tio Dick; f) a notícia sobre as habitações existentes no mundo espiritual, construídas por Espíritos que se especializaram em modelar, pelo pensamento, a matéria espiritual. (PP. 137 a 143)

103. Tendo em vista que Valentino se referiu à "solidez" da substância sobre que se exerce a força do pensamento, no mundo espiritual, Bozzano lembra que ninguém deve admirar-se da observação do Espírito relativamente à aparência sólida das construções psíquicas por ele descritas. A Ciência, assevera Bozzano, já demonstrou que a solidez da matéria é pura aparência: o atributo "solidez" não constitui mais que uma questão de "relação" entre o indivíduo e o objeto. (P. 144)

104. Para nós, seres formados de matéria igual à constitutiva do meio em que vivemos, esse meio tem, necessariamente, que parecer sólido. O mesmo se dá com os Espíritos e as moradas espirituais. Em compensação, eles devem perceber como sombras evanescentes as pessoas vivas e o meio terrestre, devido à falta de relação entre as condições em que eles existem e operam e as condições em que existem e operam os vivos. Eis por que o Espírito pode atravessar uma parede, como se esta não existisse. (P. 144)

105. A informação acerca dos Espíritos que se especializaram na arte de modelar a substância espiritual está de perfeito acordo com o que afirmara outra entidade. (Veja o 13o caso, item 85 deste resumo.) (P. 145)

106. Rodolfo Valentino informa ainda que muitos Espíritos não resistem ao abalo mental causado pela mudança que se produz com a morte física. Por efeito, então, da ignorância em que se acham e do medo que os assalta, passam o tempo a freqüentar, e mesmo a assombrar, o meio onde viveram e ao qual se vêem psiquicamente presos. Essa informação coincide com o já descrito por outra personalidade mediúnica. (Veja o 8o caso, item 53 deste resumo.) (P. 145)

107. Décimo sexto caso - Até aqui, diz Bozzano, os casos citados foram de defuntos que se encontravam nas mais diversas regiões ou "estados" do "plano astral", onde – de acordo com a lei de afinidade – gravitam e permanecem, durante um período de tempo mais ou menos longo, todos os Espíritos de mortos que viveram na Terra de maneira moralmente normal. (P. 148)

108. Resta referir, portanto, alguns casos em que se encontram envolvidos os Espíritos dos "réprobos", constrangidos a gravitar, pela lei de afinidade, nas "esferas de provação", correspondentes ao inferno dos cristãos, sem contudo as torturas físicas e onde os sofrimentos morais não são eternos, mas transitórios. (PP. 148 e 149)

109. A dificuldade, neste caso, está na inexistência de comunicações continuadas em que o defunto caído nas esferas infernais tenha vindo transmitir a sua aventura. Conhecem-se, pois, as condições de tais esferas, pelas descrições que numerosas personalidades mediúnicas têm feito. (P. 149)

110. Pelo que toca aos Espíritos situados em esferas de provação "intermediárias" e pouco inferiores ao "plano astral", alguns deles têm descrito as suas vicissitudes, como o famoso escritor inglês Oscar Wilde. (P. 149)

111. Um caso que se enquadra na situação acima se deu com as médiuns psicógrafas Miss Aimée Earle e Miss Florence Dismore, a quem um Espírito ditou sua história mundana, as circunstâncias de sua morte e várias peripécias de sua vida post-mortem, descritas no livro: The Progression of Marmaduke. (PP. 149 a 151)

112. Eis os detalhes contidos nas mensagens desse Espírito: a) o seu mergulho nas mais profundas trevas, onde imperava um silêncio mortal; b) a ignorância acerca da própria morte corpórea; c) a não percepção da presença de Espíritos hierarquicamente superiores, até que, tendo ciência de estar morto, alguns Espíritos o ajudaram, a pedido de um amigo que ele traíra na existência terrena; d) a informação de que no mundo espiritual o pensamento é tudo, não só para a comunicação uns com os outros, mas para a criação das coisas de que os Espíritos têm necessidade. (PP. 152 a 157)

113. Bozzano, comentando as mensagens referidas, diz que, conforme outros Espíritos têm dito, os sofrimentos expiatórios que atingem os "réprobos" seriam, principalmente, de natureza moral e consistiriam, inicialmente, em toda sorte de saudades e de desejos insatisfeitos e impossíveis de terem satisfação, e depois em toda sorte de remorsos dilacerantes. Parece igualmente que, quando um Espírito de "réprobo" começa a crise dos remorsos, tem ele dado o seu primeiro passo no caminho da redenção. (P. 154)

114. Dessa crise, longa por vezes e terrível, ninguém pode poupar o Espírito, porquanto somente passando por ela chegará o seu "corpo etéreo" a expungir-se dos "fluidos impuros", de que se maculou e carregou, fluidos esses que sobre ele se acumularam em conseqüência da repercussão "vibratória" que sobre o seu organismo muito delicado exerceu o seu procedimento ignóbil ou indigno, no curso da existência terrestre. (PP. 154 e 155)

115. Do mesmo modo que esses "fluidos impuros" haviam, por virtude da lei de afinidade, obrigado o Espírito a gravitar para as regiões infernais – em conseqüência da purificação operada pela crise dos remorsos, seu "corpo etéreo", tornado mais leve, se elevaria e gravitaria para a esfera espiritual imediatamente superior. (P. 155)

116. Os Espíritos de "réprobos" endurecidos, incapazes de sentir remorsos, permaneceriam assim na região infernal, imersos em trevas mais ou menos profundas, muitas vezes na solidão, outras em companhia de Espíritos da mesma categoria, até que a hora do arrependimento para eles soe, porque ninguém se encontra abandonado a si mesmo. (P. 155)

117. No caso em estudo, o Espírito disse ter ignorado quanto tempo ficou a errar nas trevas e no insulamento. A mesma coisa se dá com os pacientes postos, por indução hipnótica, em estado de "sonambulismo vígil", para os quais o tempo deixa de existir. É por isso que respondem ao experimentador, quando este os desperta ao cabo de vinte e quatro horas, que dormiram apenas um minuto. (PP. 155 e 156)

118. Bozzano cita, a propósito disso, o fato ocorrido com um Espírito obsidente, ao qual o Dr. Wickland perguntou em que ano supunha que ele estivesse. O Espírito disse: 1902. Mas estava enganado, visto que corria o ano de 1919. Havendo errado nas trevas durante dezessete anos, ele julgava ter estado naquela situação apenas por alguns dias. (P. 156)

119. A respeito do poder do pensamento no meio espiritual, o Espírito trouxe uma informação adicional: para criar os objetos de que necessita não basta pensar na "coisa" desejada; é preciso uma concentração firme do pensamento sobre esse objeto, pensando em todos os seus detalhes. É por isso que, exercitando-se nas criações do pensamento, os Espíritos chegam a pensar com uma nitidez cada vez maior e a concentrar a vontade com uma eficácia sempre mais intensa. Não sendo assim, formar-se-á tão-somente um esboço mais ou menos confuso e informe do objeto desejado. (P. 157)


(Continua no próximo número)