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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Entre a Terra e o Céu 03 Obsessão

CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo
Sala Virtual de Estudos Nosso Lar
Estudo das obras de André Luiz

Livro em estudo: Entre a Terra e o Céu
Tema: Obsessão
Referência: Capítulo III
 RESUMO

"Penetramos o mais espaçoso aposento da casa onde uma senhora de aspecto juvenil repousava abatida e insone.
Moça de vinte e cinco anos, aproximadamente, mostrava no semblante torturado harmoniosa beleza.  O rosto delicado parecia haver saído de uma tela preciosa, todavia, com a suavidade das linhas fisionômicas contrastavam a inquietação e o pavor dos olhos escuros e o abandono dos cabelos em desalinho.
Ao lado dela, descansava outra mulher, sem o veículo físico.
“... Clarêncio explicou:
- A jovem senhora é Zulmira, a segunda orientadora deste lar, e a irmã desencarnada que presentemente lhe vampiriza o corpo é Odila, a primeira esposa de Amaro e mãezinha de Evelina, dolorosamente transfigurada pelo ciúme a que se recolheu. Empenhada em combater aquela que considera inimiga, imanta-se a ela, através do veículo perispirítico, na região cerebral, dominando a complicada rede de estímulos nervosos e influenciando os centros metabólicos, com  o que lhe altera profundamente a paisagem orgânica.
- Mas, porque não há reação por parte da perseguida? - inquiri, perplexo.
- Porque Zulmira, a nossa amiga encarnada, caiu no mesmo padrão vibratório - aclarou o instrutor.  - Ela  também  se devotou ao marido com egoísmo aviltante. ... A segunda mulher nunca suportou,sem mágoa, o carinho do  genitor  para com os órfãos de mãe. ...
Em suas preocupações doentias, Zulmira chegou a desejar a morte de uma das crianças.
...
Certa manhã, custodiando os enteados, separou Evelina do irmão, permitindo ao petiz mais ampla incursão nas águas.
O objetivo foi atingido. Uma onda rápida surpreendeu o miúdo banhista, arrojando-o ao fundo. Incapaz de reequilibrar-se, Júlio voltou cadaverizado à superfície. ...
 "- O sentimento de culpa é sempre um colapso da consciência e, através dele, sombrias forças se insinuam... Zulmira, pelo remorso destrutivo, tombou no mesmo nível emocional de Odila e ambas se digladiam,  num  conflito  de  morte, inacessível aos olhos humanos comuns É um caso em que a medicina terrestre não consegue interferência.
"- A violência não ajuda. As duas se encontram ligadas uma à  outra.  Separá-las  à  força  seria  a  dilaceração  de conseqüências imprevisíveis. A exasperação da mulher desencarnada pesaria demasiado sobre os centros cerebrais de Zulmira e a lipotimia poderia acarretar a paralisia ou mesmo a morte do corpo.
“- Nada custa uma conversação de censura... - alegou meu companheiro, admirado.
- Sim, uma doutrinação pura e simples seria cabível, contudo não podemos esquecer que a organização cerebral  da vítima permanece excessivamente martelada. Nossa intervenção no campo espiritual de Odila deveres envolvente  e segura para evitar choques e contrachoques, que repercutiriam desastrosamente sobre a outra. Nem doçura prejudicial, em energia contundente...
"- Contamos em nossas relações com a irmã Clara. Rogaremos o concurso dela. Modificará Odila  com  o  seu  verbo coroado de luz, inclinando-a ao serviço da conversão própria. Por agora, de nossa parte,  somente  nos  é  possível  a dispensação de algum alívio e nada mais."
                                     
QUESTÕES PARA ESTUDO

1.- Como explicar o fato de Zulmira deixar-se entregar passivamente à ação da obsessora?
2.- Pelo relato do Autor, Odila, a obsessora, sequer percebeu a presença dos benfeitores espirituais. Por quê?
3.- Por que o Ministro Clarêncio não permitiu que André Luiz e Hilário procedessem a doutrinação de Odila, afirmando que "precisamos atuar na elaboração dos pensamentos da infortunada irmã que tomou a iniciativa da perseguição"?
 4.- O que Clarêncio quis ensinar com a afirmação de que "... o sentimento de culpa sempre um colapso da consciência e, através dele, sombrias forças se insinuam ...."?
 5.- Que papel foi destinado à irmã Clara no auxílio ao trabalho de socorro espiritual?

Conclusão:
 Mais uma vez nos defrontamos com o problema da obsessão. André Luiz nos traz mais um caso vivenciado por ele e a equipe de benfeitores socorristas que integrava, aproveitando o relato para transmitir, a cerca  do  tema, importantes ensinamentos que nos levarão a aprender a lidar com o problema e a forma de evitá-lo.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

 1.- Como explicar o fato de Zulmira deixar-se entregar passivamente à ação da obsessora?
Como vimos reiteradas vezes no estudo da obra anterior, a obsessão transita por uma via de mão dupla e somente se instala quando as partes envolvidas se afinizam através de pensamentos e sentimentos de baixa vibração.  É como uma tomada plugada a uma fonte de energia. No caso em questão, Zulmira, a obsidiada, deixou-se cair no mesmo padrão vibratório de sua algoz. Impregnada pelo ciúme injustificado do marido, tal qual a obsessora, ambas mergulharam nos mesmos fluidos deletérios, passando a trocar as mesmas vibrações.
Como se não bastasse esse fato, Zulmira ainda se encontrava atormentada pela culpa, embora indireta, no acidente que causou a desencarnação de um dos filhos do  atual  marido  e  da  obsessora,  pelo  qual  sua  consciência a condenava. Sua sintonia espiritual era a pior possível, pois não demonstrava nenhum sinal que indicasse desejo de mudança  em  seus  sentimentos  nem  de  arrependimento  por  seu  comportamento  no  episódio  que  causou a desencarnação do menor.

 2.- Pelo relato do Autor, Odila, a obsessora, sequer percebeu a presença dos benfeitores espirituais. Por quê?
No  mundo  espiritual, existe uma hierarquia irresistível, conforme os Espíritos disseram  a  Kardec  na  resposta  à questão 274 do Livro dos Espíritos, estabelecida com base na ascendência moral de cada um. O espírito que estava obsidiando encontrava-se numa faixa de baixíssima vibração. Odila estava, ainda, muito atrasada em sua evolução.
Ante espíritos da elevação de Clarêncio e André Luiz, sequer tinha condições de vê-los, pois a diferença da qualidade de suas sintonias era muito grande. A ascendência moral dos dois benfeitores presentes sobre ela era tamanha que a impossibilitava de sequer perceber suas presenças.

3.- Por que o Ministro Clarêncio não permitiu que André Luiz e Hilário procedessem a doutrinação de Odila, afirmando que "precisamos atuar na elaboração dos pensamentos da infortunada irmã que tomou a iniciativa da perseguição"?
O Ministro Clarêncio explicou que, como Odila infligia, já havia algum tempo, uma grande tortura  mental  à  vítima, Zulmira se encontrava com sua organização cerebral fortemente afetada. Como era possível uma reação da obsessora contra qualquer tipo de doutrinação e como ambas se encontravam fortemente imantadas uma à outra, pela identidade de sentimentos, um conflito entre Odila e os benfeitores repercutiria em Zulmira, que, por estar extremamente fragilizada, poderia não suportar o embate. Por essa razão, o Ministro desaconselhou a doutrinação naquele momento.

 4.- O que Clarêncio quis ensinar com a afirmação de que "...o sentimento de culpa é sempre um colapso da consciência e, através dele, sombrias forças se insinuam...."?
O sentimento de culpa fragiliza. Estando fragilizada pela condenação imposta por sua consciência, Zulmira possibilitou que forças sombrias - no caso, Odila - penetrasse em sua mente e lhe perpetrasse a tortura de que vinha sendo vítima, num processo obsessivo que já lhe ocasionava males físicos. Quis, o benfeitor, passar o ensinamento no sentido  de que, para evitar que caiamos nessa situação, devemos pautar nossas atitudes pelas leis morais que a nossa consciência conhece, não praticando nenhum ato que enseje por ela virmos ser condenados.

5.- Que papel foi destinado à irmã Clara no auxílio ao trabalho de socorro espiritual?
Conforme explicou Clarêncio, nem sempre o emprego de atitudes enérgicas é o remédio adequado para a cura de males espirituais como a obsessão. Muitas das vezes, o amor funciona como um antídoto  muito  mais  poderoso  e  eficiente.
Vimos isso claramente no estudo da obra "Libertação", por ocasião da transformação de Saldanha, então um implacável e feroz obsessor. Um ato de caridade praticado por Gúbio e André Luiz em socorro de seu filho fê-lo direcionar toda sua energia para o trabalho no bem.
No caso presente, o Ministro percebeu isso e optou por chamar irmã Clara, espírito ainda mais elevado, que igualmente se dedicava ao trabalho de socorro espiritual, para que, com sua preleção eivada do mais puro amor ao próximo, levasse Odila a própria conversão. Ressalte-se a humildade de Clarêncio, que, embora espírito de elevada evolução, reconheceu,  humildemente, que ainda não houvera conquistado para si um sentimento de amor suficiente para operar a renovação do próximo.

 Muita paz a todos.
Sala Nosso Lar

CVDEE