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domingo, 13 de setembro de 2015

A Crise da Morte - Ernesto Bozzano - (6ª Parte)

A Crise da Morte

Ernesto Bozzano

(6ª Parte)

Continuamos a apresentar o texto condensado do clássico "A Crise da Morte", de Ernesto Bozzano, de acordo com a tradução feita por Guillon Ribeiro publicada em 1926 pela editora da Federação Espírita Brasileira.

Questões preliminares

A. Quem foi, na Inglaterra, Felicia Scatcherd e que contém sua comunicação post-mortem?

R.: Felicia Scatcherd, que faleceu em 27/3/1927, foi uma das personalidades mais em evidência no movimento espiritualista inglês e quem fez as primeiras experiências importantes de onde nasceram as teorias da "fotografia do pensamento" e da "ideoplastia". Eis os detalhes contidos em sua mensagem: a) a informação de que o trespasse lhe foi fácil; b) o reencontro com muitas pessoas queridas, inclusive sua mãe; c) o fato de ter sido conduzida a uma maravilhosa morada que os próprios Espíritos haviam criado pela força do pensamento; d) a notícia da existência de outras esferas infinitamente superiores à em que estava; e) o período de sono reparador, ainda que muito curto; f) a visão panorâmica dos fatos de sua vida, se bem que sob a forma de uma multidão de lembranças que lhe invadiam a mente; g) a visão de uma nuvem fluídica que havia de lhe constituir o "corpo espiritual", chegando ela a modelar o próprio semblante, a que deu traços juvenis. (A Crise da Morte, pp. 115 a 121.)

B. Que disse Felicia Scatcherd sobre os "germes da vida" e os "fluxos vitais"?

R.: Felicia aludiu, em sua comunicação, à existência de esferas espirituais mais elevadas, de onde os Espíritos que as habitam enviariam os "germes da vida" aos outros mundos do Universo, empregando o poder criador do pensamento. Segundo ela, haveria entidades espirituais muito elevadas que, pelo seu pensamento criador, engendrariam "fluxos vitais". Estes, atingindo os mundos e saturando-lhes o protoplasma primitivo, lhe transmitiriam os germes da vida vegetativa que, graças a um processus evolutivo muito lento, a realizar-se no meio físico, acabaria por engendrar a sensibilidade, depois a motricidade, em seguida o instinto animal, os primeiros albores da inteligência e, por fim, a inteligência consciente de si mesma. Assim se chegaria à criação de uma individualidade pensante. (Obra citada, pp. 122 e 123)

C. Que revelações nos traz o décimo quarto caso?

R.: Extraídas do livro Messages from the Unseen, as mensagens constantes deste caso apresentam os seguintes detalhes: a) o esquecimento de como se deu a travessia do Espírito para o meio espiritual; b) o sono reparador, após o que a comunicante se viu renovada, exuberante de vida, mais lúcida de espírito e mais ditosa; c) o encontro com os seres que ela amara na Terra; d) a informação de que uma vida de lutas e sofrimentos na Terra favorece o bem-estar da pessoa na vida espiritual; e) a confirmação de que, no meio espiritual, os pensamentos substituem a palavra e não apenas vibram em uníssono com as almas, como revestem cores admiráveis e se transformam em sons muito harmoniosos; f) a notícia de que as vestimentas no mundo espiritual são criações do pensamento, constituídas de elementos tirados do meio espiritual; g) a informação de que a recordação de suas existências anteriores lhe viria gradualmente. (Obra citada, pp. 124 a 132.)

D. Por que a reencarnação não era, entre os povos anglo-saxões, ensinada por todos os Espíritos?

R.: Bozzano diz que a teoria das "vidas sucessivas" era o único ponto importante em que existia um desacordo parcial nas mensagens dos Espíritos. Se entre os povos latinos eles afirmavam constantemente a realidade das vidas sucessivas, entre os povos anglo-saxões estavam eles em desacordo, na proporção de dois terços que negavam a reencarnação e um terço que a afirmava. Não se pode esquecer, afirma Bozzano, que os povos anglo-saxões experimentavam uma espécie de aversão de raça contra a solução reencarnacionista, o que talvez explique a causa dessa divergência . (Obra citada, pp. 132 a 135.)

Texto para leitura

84. Décimo terceiro caso - Este caso vem da revista Light, de 1927. Trata-se da manifestação de Miss Felicia Scatcherd, alguns meses depois de sua morte, ocorrida em 27/3/1927. Miss Scatcherd fora, em vida, uma das personalidades mais em evidência no movimento espiritualista inglês. Foi ela quem fez as primeiras experiências importantes de onde nasceram as teorias da "fotografia do pensamento" e da "ideoplastia". (P. 115)

85. Eis os detalhes contidos na mensagem de Felicia Scatcherd: a) a informação de que o trespasse lhe foi fácil; b) o reencontro com muitas pessoas queridas, inclusive sua mãe; c) o fato de ter sido conduzida a uma maravilhosa morada que os próprios Espíritos haviam criado pela força do pensamento; d) a notícia da existência de outras esferas infinitamente superiores à em que estava; e) o período de sono reparador, ainda que muito curto; f) a visão panorâmica dos fatos de sua vida, se bem que sob a forma de uma multidão de lembranças que lhe invadiam a mente; g) a visão de uma nuvem fluídica que havia de lhe constituir o "corpo espiritual", chegando ela a modelar o próprio semblante, a que deu traços juvenis. (PP. 117 a 121)

86. Bozzano destaca, ainda, entre tantas informações trazidas por Felicia, a que diz respeito à existência de esferas espirituais mais elevadas, de onde os Espíritos que as habitam enviariam os "germes da vida" aos outros mundos do Universo, empregando o poder criador do pensamento. (P. 122)

87. Segundo ela, haveria entidades espirituais muito elevadas que, pelo seu pensamento criador, engendrariam "fluxos vitais". Estes, atingindo os mundos e saturando-lhes o protoplasma primitivo, lhe transmitiriam os germes da vida vegetativa que, graças a um processus evolutivo muito lento, a realizar-se no meio físico, através dos quatro reinos da Natureza, acaba por engendrar a sensibilidade, depois a motricidade, em seguida o instinto animal, os primeiros albores da inteligência e, por fim, a inteligência consciente de si mesma. Assim se chegaria à criação de uma individualidade pensante. (PP. 122 e 123) (N.R.: Emmanuel, no seu livro A Caminho da Luz, págs. 22 a 27, informa: a) quando serenaram os elementos do mundo nascente, Jesus reuniu nas Alturas os seus companheiros e viu-se, então, descer sobre a Terra uma nuvem de forças cósmicas, que a envolveram por completo. Passado algum tempo, pôde-se observar, na crosta e no fundo dos oceanos, um elemento viscoso que cobria o planeta. Com essa massa gelatinosa nascia na Terra o protoplasma – o conteúdo celular vivo, formado principalmente de citoplasma e núcleo; b) sob a orientação de Jesus, laboravam na Terra numerosas assembléias de operários espirituais, e o ideal da beleza foi a sua preocupação dos primeiros momentos, no que se refere às edificações celulares das origens; c) as formas de todos os reinos da Natureza terrestre foram estudadas e previstas, tudo obedecendo a um plano preestabelecido pelo Cristo; d) o protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo; e) os primeiros habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminóides, as amebas e todas as organizações unicelulares. Com o escoar do tempo, esses seres primordiais se movem ao longo das águas, onde encontram o oxigênio necessário à vida, elemento esse que a terra firme não possuía ainda em proporções de manter a vida animal, antes das grandes vegetações; f) o primeiro sentido desenvolvido por esses seres foi o do tato, que deu origem a todos os outros, com o aperfeiçoamento dos organismos superiores.)

88. Décimo quarto caso - O episódio que se segue foi retirado do livro: Messages from the Unseen. Trata-se de uma santa mãe que se comunicou por intermédio de sua filha. (P. 124)

89. Eis os detalhes contidos nas mensagens: a) o esquecimento de como se deu sua travessia para o meio espiritual; b) o sono reparador, após o que ela se viu renovada, exuberante de vida, mais lúcida de espírito e mais ditosa; c) o encontro com os seres que ela amara na Terra; d) a informação de que uma vida de lutas e sofrimentos na Terra favorece o bem-estar da pessoa na vida espiritual; e) a confirmação de que, no meio espiritual, os pensamentos substituem a palavra e não apenas vibram em uníssono com as almas, como revestem cores admiráveis e se transformam em sons muito harmoniosos; f) a notícia de que as vestimentas no mundo espiritual são criações do pensamento, constituídas de elementos tirados do meio espiritual; g) a informação de que a recordação de suas existências anteriores lhe viria gradualmente. (PP. 125 a 128)

90. Bozzano lembra que as circunstâncias do trespasse da comunicante, um pouco diferentes das vividas pela maioria dos Espíritos, se deviam à evolução de seu Espírito. Assim é que ela não disse ter ignorado a sua morte, nem que tenha passado pela experiência da "visão panorâmica" dos acontecimentos da vida, detalhes comuns à maioria das revelações transcendentais. (PP. 128 e 129)

91. O autor destaca, ainda, como detalhe secundário, que concorda perfeitamente com o que relatam outros Espíritos, a informação de que a paisagem "astral", por ela descrita, se compõe de duas séries de objetivações do pensamento, distintas uma da outra. A primeira, permanente, representa a objetivação do pensamento e da vontade de entidades espirituais muito elevadas; a outra, transitória e mutável, seria a objetivação do pensamento e da vontade de cada entidade desencarnada, criadora do seu próprio meio imediato. (P. 130)

92. A comunicante referiu também haver percebido, ao despertar, uma onda de "música transcendental", fenômeno esse que, às vezes, se produz no leito de morte de enfermos espiritualmente elevados, mas que não é percebido por todas as pessoas presentes. Deduz-se então, relativamente aos que não o percebem, que a tonalidade vibratória de seus "corpos etéreos" não estava suficientemente apurada para sintonizar-se com a tonalidade vibratória dos acordes musicais muito elevados. (P. 131)

93. A esse respeito, Bozzano diz que os Espíritos mostram-se unânimes em afirmar que, no meio espiritual, os acordes musicais apresentam um valor psíquico-construtivo de primeira ordem, que corresponde, de modo impressionante, a uma das nossas mais importantes generalizações científicas, segundo a qual tudo o que o Universo contém parece poder ser reduzido a um múltiplo ou submúltiplo de uma grande lei misteriosa: a lei do "ritmo", que reduziria todo o Universo – matéria e espírito – a um fenômeno de "vibrações". (PP. 131 e 132)

94. A autora da mensagem diz ter experimentado a sensação do "já visto", sensação que subentende a teoria das "vidas sucessivas", isto é, a hipótese reencarnacionista, único ponto importante em que existe um desacordo parcial nas mensagens dos Espíritos: entre os povos latinos, eles afirmam constantemente a realidade da vidas sucessivas; entre os povos anglo-saxões, estão eles em desacordo, na proporção de dois terços que negam a reencarnação e um terço que a afirma. Não se pode esquecer, contudo, diz Bozzano, que os povos anglo-saxões experimentam uma espécie de aversão de raça contra a solução reencarnacionista. (P. 132)

95. Essa discordância, entretanto, não tem maior importância, porque os próprios Espíritos reconhecem que ignoram muitas coisas e julgam então segundo suas aspirações pessoais. Há até quem informe existir uma espécie de "segunda morte" nas esferas espirituais, precisamente como se morre no mundo dos vivos, ou seja, quando um Espírito chegou à maturidade espiritual, adormece e desaparece de seu meio, sem que os outros saibam o que foi feito dele. (PP. 133 e 134)

96. As opiniões preconcebidas dos Espíritos – pró ou contra a teoria das "vidas sucessivas"– contribuem, provavelmente, para acentuar entre eles o desacordo sobre esse ponto. Com efeito, os que experimentam aversão à teoria impedem, por esse fato, que as lembranças de suas vidas anteriores lhes surjam da memória latente, enquanto os que pensam favoravelmente à doutrina favorecem, com esse modo de pensar, a emergência de suas recordações. (P. 134)

97. É de notar-se, assim, que tudo contribui para demonstrar que a verdade acerca das "vidas sucessivas" deve estar reservada a entidades que existem em condições espirituais muito evolvidas, condições que favoreceriam a emergência espontânea das recordações desta natureza. (P. 135) (Continua no próximo número)