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sábado, 22 de outubro de 2016

A Fé Ativa

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 35
Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa

Fragilidade Emocional
(Joanna de Ângelis, in Atitudes Renovadas  cap. 13)

A fé religiosa não se pode apoiar nas respostas da comodidade existencial, permanecendo irretocável enquanto tudo segue o curso das alegrias sem interrupção.

À semelhança de um adorno, permanece rutilante, produzindo alegria e bem-estar, em formosas composições de intercâmbio fraternal e social, desde que as questões graves da jornada se encontrem sob o amparo da segurança econômica e dos relacionamentos de destaque.

Exuberante nas horas de júbilo, também deve encontrar-se fortalecida nos momentos de desafios e de dificuldades. Afinal, a reencarnação tem significados psicológicos evolutivos muito graves e não somente enseja a conquista das despreocupações e dos problemas que sejam facilmente solucionados.

A verdadeira fé, como asseverou Allan Kardec, é aquela que enfrenta a razão face a face em todas as épocas da humanidade. Mas não somente do ponto de vista filosófico, racional, intelectivo, mas sobretudo moral, quando ocorrem as insatisfações e as dificuldades ameaçam o elenco de satisfações do indivíduo.

Mede-se, portanto, a capacidade da fé religiosa pela maneira como são enfrentadas as vicissitudes e recebidas as provações por aquele que a possui.

Ninguém se encontra no mundo físico sem a experiência dos processos iluminativos que são propiciados tanto pelo sofrimento quanto pelas realizações enobrecedoras.

Acreditar em Deus, na imortalidade do Espírito, na excelência dos postulados da reencarnação e permitir-se abater quando convidado à demonstração da capacidade de resistência, é lamentável queda na leviandade ou clara demonstração de que a fé não é real...

Certamente, nos momentos difíceis, os céus apresentam-se plúmbeos, os caminhos ficam mais difíceis de conquistados, o humos se modifica, porém, a irrestrita confiança em Deus permanece como um refrigério interior, uma chama acesa apontando rumo, uma diretriz de segurança para o avanço.

Permitir-se depressão porque aconteceram fenômenos desagradáveis e até mesmo desestruturadores do comportamento significa não somente debilidade emocional que apenas tem fortaleza quando não há luta, mas também total falta de confiança em Deus.

Quando a fé é raciocinada, estribada nas reflexões profundas em torno dos significados existenciais, tem capacidade para enfrentar os problemas e solucioná-los sem amargura nem conflito, para atender as situações penosas com tranquilidade, porque identifica em todas essas situações as oportunidades de crescimento interior para o encontro com a Verdade.

O número, portanto, daqueles que esmorecem ante os acontecimentos desagradáveis e imprevistos  quando sempre deveriam estar na mente esperando-lhes o surgimento!  é sempre muito grande e decepcionante, porque constituído de membros da crença acomodada e gratificadora, sem qualquer responsabilidade em relação aos valores profundos do ser.

Ninguém reencarna apenas para desfrutar. Quando se acerca da fé, logo percebe que essa luz interior deve ser dirigida para a noite, quando essa acontecer. Utilizar-se, portanto, do recurso renovador e poderoso de que se constitui, é o dever de todos quantos ingressam em qualquer escola religiosa, especialmente na abençoada e lúcida academia do Espiritismo.

A fé é tesouro que se cultiva, sustentada pela oração, que se lhe torna a seiva mantenedora, ensejando-lhe o brilho continuamente.
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Não coloques a tua confiança nos valores terrenos, nas pessoas, nas conjunturas sociais e econômicas, como se fossem as únicas portadoras de segurança para o teu futuro.

Ele será conforme o vens trabalhando ao largo do tempo e cujo patrimônio se te apresenta, na atualidade, de acordo com as tuas necessidades de evolução, e não como se encontra nas demais pessoas.

Não a utilizes como instrumento de mensuração ao que sucede contigo em relação aos outros, porque cada qual é portador de uma história pessoal única, que lhe assinala a existência com tudo quanto necessita e não de referências ao merecimento.

O mesmo, desse modo, sucede contigo, não servindo de parâmetro para outros que te observam, estimam ou acompanham.

Se a tua é a verdadeira fé, aquele que remove obstáculos, as ocorrências desagradáveis não são perniciosas, mas servem para fazer-te crescer, para que conquistes mais espaço espiritual e enriquecimento interior.

As tuas aquisições atuais, os teus resgates morais servem de base para futuros empreendimentos evolutivos, cabendo-te a santa alegria do ressarcimento dos erros através das silenciosas conquistas da coragem e do valor, avançando no rumo da libertação plena.

Todo aquele que põe a sua confiança e tranquilidade nos valores terrenos, sofre incertezas, inquietações, os efeitos das mudanças inevitáveis na economia, nos relacionamentos sociais, nas amizades, quase sempre de curta duração...

Quando se põe a confiança no Senhor da Vida, a Ele entregando-se em regime de totalidade, sem qualquer dúvida, jamais faltam os recursos indispensáveis à felicidade, ao prosseguimento da jornada, à continuidade das aspirações.

Vigia, pois, as nascentes do coração, quando te ocorram surpresas dolorosas, incertezas não pensadas, prosseguindo com alegria irrestrito culto dos deveres, porque estás sob o comando de Jesus que nunca nos abandona.

Sai, portanto, da janela da tristeza, deixa de ficar contemplando as paisagens da depressão e abre espaço interior para a entrada do sol da alegria, a fim de que sejas aquecido e iluminado, não mais titubeando ou sofrendo desnecessárias aflições.

O conhecimento do Espiritismo liberta a consciência da culpa, o indivíduo de qualquer temor, facultando-lhe uma existência risonha com esperança e realizações edificantes pelos atos. Não apenas enseja perspectivas ditosas do porvir, mas sobretudo ajuda a trabalhar o momento que se vive, preparando aquele que virá.

É compreensível que diante das preocupações que assaltam a existência humana, coloque-se o indivíduo em uma atitude de reserva, mesmo de tristeza passageira, enquanto resolve o impasse, recuperando logo que se lhe faça possível a alegria de viver e de liberar-se na contabilidade espiritual.

Deixar-se, porém, abater, fazendo um quadro de desconsolo e prolongado sofrimento, constitui demonstração clara e objetiva da sua falta de fé.

A fé, por isso mesmo, deve ser trabalhada, testada, reflexionada, de modo a robustecer-se cada vez mais, não permanecendo estagnada num conjunto de crenças que não resistem ao fogo do testemunho. Dinâmica, é atuante, conseguindo superar as circunstâncias que tem o dever de enfrentar corajosamente.
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A fé espírita, desse modo, fortalece-se quando posta à prova, ensejando àquele que a possui satisfações inigualáveis, porque centrada na coragem e no bem fazer.

Jesus deu-nos a demonstração dessa fé que remove montanhas, enfrentando as situações mais graves de que se tem notícia, mantendo-se sempre irretocável, por cujo exemplo demonstrou a Sua procedência.

Costuma-se dizer que Ele é o exemplo máximo e, que, por isso mesmo, nEle são naturais as reservas de coragem e de harmonia em todas as situações.

Sem dúvida, assim é, no entanto, todos podemos fazer o que Ele fez, se tivermos fé, se nos empenharmos em sintonizar com Ele e o Pai, a fim de seguirmos fiéis até a conclusão da jornada.