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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A história do espiritualismo

LIVRO É NOTÍCIA

A HISTÓRIA DO ESPIRITUALISMO

Arthur Ignatius Conan Doyle (1859-1930), médico e escritor, tornou-se mundialmente conhecido como o criador de Sherlock Holmes, protótipo do detetive inteligente, capaz de decifrar os crimes mais complexos empregando a observação e o raciocínio. A par disso, a análise psicológica que fazia de seus personagens, bem como a descrição das circunstâncias em que suas narrativas se desenvolviam, elevaram o gênero policial a um novo patamar de qualidade literária, o que fez com que diversas de suas histórias fossem levadas ao cinema e sejam, até hoje, facilmente encontradas nas livrarias, pois foram traduzidas para vários idiomas, sendo continuamente reeditadas.

Desde jovem, ele interessou-se pelas manifestações mediúnicas, passando a observá-las criteriosamente e logo convencendo-se de sua autenticidade. Desde então, por mais de quatro décadas, integrou-se ao movimento espiritualista, participando de sessões e acompanhando os trabalhos de alguns dos grandes médiuns e pesquisadores desse período. A partir de 1916, empreendeu viagens de divulgação doutrinária que o levaram à Austrália, Nova Zelândia, América e África do Sul.

As mesmas qualidades de inteligência, acuidade de observação e vigor literário que o tornaram um dos grandes nomes da literatura inglesa estão presentes  ao lado de uma generosa compreensão na apreciação de pessoas e fatos  em A História do Espiritualismo, que, sem dúvida, constitui a mais completa resenha dos fatos ligados ao Espiritualismo no período que vai do final do século XVIII ao primeiro quartel do século XX.

Após uma apresentação do tradutor e o prefácio, do próprio Conan Doyle, o livro apresenta em seu primeiro capítulo a vida e as ideias do extraordinário vidente sueco Emanuel Swedenborg e, nos capítulos seguintes, a atuação de alguns dos notáveis medianeiros que atuaram na época, dentre os quais Daniel Dunglas Home, os irmãos Davenport, Henry Slade e Eusápia Palladino. Capítulos específicos foram dedicados às pesquisas de Sir William Crookes e à criação da Sociedade de Pesquisas Psíquicas (Londres  1882), entre cujos ex-presidentes figuram nomes conhecidos da pesquisa paranormal e no meio científico, entre eles dois laureados com o Prêmio Nobel. Os trabalhos da Sociedade prosseguem na atualidade como se pode observar em seu portal www.spr.ac.uk.

O capítulo que trata do aspecto religioso do Espiritualismo traz observações de grande interesse e oportunidade e nele o autor mostra conhecer bem o movimento cristão em sua fase inicial, quando é possível identificar inúmeras evidências do emprego corrente da mediunidade, então chamada de profecia, através da qual a espiritualidade oferecia incentivo e instrução aos membros das primitivas igrejas. Discordando de Swedenborg, no capítulo 1, página 24, que considerava perigoso o intercâmbio com os desencarnados dada a possibilidade de sermos enganados por entidades maldosas, Conan Doyle cita o seu próprio exemplo, idêntico ao de numerosos outros espiritualistas, que jamais observaram nas reuniões bem orientadas qualquer coisa que destoasse do respeito e da fraternidade. E acrescenta: Dessa forma, conquanto seja indubitavelmente correto o fato de serem os Espíritos maus atraídos por um círculo mau, na realidade é muito difícil que alguém seja incomodado por esta razão. Se, no entanto, esses Espíritos se aproximarem, o procedimento adequado não é expulsá-los, mas conversar gentilmente com eles, no intuito de fazê-los perceber a própria condição e o que devem realizar para buscarem o auto aperfeiçoamento. Isso ocorreu muitas vezes na experiência pessoal do autor e com os mais felizes resultados (prática largamente difundida em nossas Casas Espíritas, com os mesmos bons resultados).

Fatos igualmente interessantes, porém menos conhecidos, são apresentados no capítulo 23, O Espiritualismo e a Guerra, no qual Conan Doyle lembra que com a guerra de 1914 o Anjo da Morte entrou subitamente nos lares. Pessoas inescrupulosas afirmaram então que tanto ele quanto Sir Oliver Lodge, seu distinto amigo, defendiam o assunto porque ambos perderam o filho na guerra, sendo a tristeza daí advinda a responsável pela redução de sua capacidade crítica, pois acreditavam em coisas que, em situação normal, não acreditariam. Ambos refutaram, com facilidade, essa mentira grosseira, mostrando que bem antes do conflito já se dedicavam ao Espiritualismo.

Possuímos já, em nosso idioma, uma tradução dessa obra, igualmente de alto nível, feita por Júlio Abreu Filho, com prefácio de Herculano Pires, lançada em 1960 pela Editora Pensamento. A Federação Espírita Brasileira (FEB) optou por dispor de tradução própria, trabalho esse realizado com pleno êxito por José Carlos da Silva Silveira. Parece-nos oportuno encerrar este breve comentário com as palavras do tradutor, constantes da apresentação, quando ele, destacando o valor desta obra, afirma que tal importância não se deve apenas ao seu notável repertório de pesquisa psíquica, mas, principalmente, ao relato dos sacrifícios de médiuns e pesquisadores que enfrentaram o preconceito da ignorância e os ardis da má fé para provar a sobrevivência da alma e trazer ao ser humano a certeza de que o amor continua indestrutível, devassando as sombras da morte.

A História do Espiritualismo  de Swedenborg ao início do século XX  este o título completo  tem 560 páginas, 15,5x23cm e pode ser adquirido em livrarias virtuais como www.boanova.net e www.candeia.com.

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