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terça-feira, 25 de outubro de 2016

A Fé

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 37

Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa

Poder da Fé

(Joanna de Ângelis, in Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda)

(Evangelho  cap. XIX, item2)

... E nada vos seria impossível (Mateus, 17:20)

A fé expressa-se mediante a confiança que o Espírito adquire em torno de algo. Apresenta-se natural e adquirida. No primeiro caso, é espontânea, simples, destituída de reflexão ou de exigência racional, característica normal do ser humano. Na segunda acepção, é conquista do pensamento que elabora razões para estabelecer os seus parâmetros e manifestar-se. Robustece-se com a experiência dos fatos, tornando-se base dos comportamentos lógicos e das realizações significativas do pensamento e da experiência humana.

A fé procede também de vivências transatas, quando o Espírito enfrentou situações e circunstâncias que foram experienciadas, deixando os resultados dos métodos utilizados para superá-las. Conhecendo os acontecimentos embora inconscientemente, o ser adquire a confiança espontânea para os enfrentamentos que se apresentem por semelhança evocativos daqueles passados.

Torna-se, desse modo, indispensável para uma conduta saudável, porquanto se faz bastão e alicerce para novos cometimentos mediante os quais o ser progride.

A fé, no entanto, deve apoiar-se na razão que perquire, no discernimento que estabelece as diretrizes comportamentais, a fim de que não se expresse de maneira cega, levando ao delírio do absurdo ou à ingenuidade do período infantil.

A fé amadurece através da conduta que propõe, coroando-se de segurança pelos resultados colhidos nos empreendimentos encetados.

O homem de fé reconhece o limite das próprias forças e não se aventura em empresas que lhe podem comprometer a resistência, levando-o à falência moral. Por isso há um limite, entre a fé e a ação, que deve ser tido em conta quando da tomada de decisão ante o que fazer ou deixar de realizá-lo.

Face à proposta de que nada é impossível quando se crê, é necessário decodificar o que significa essa crença, à luz da psicologia profunda, para não se tombar no fanatismo perturbador e insensato.

Jesus havia descido do monte Tabor, onde ocorrera a transfiguração e a mais uma vez confirmara a procedência do ministério que lhe fora concedido por Deus.

Naquela oportunidade, Moisés, o Legislador do povo hebreu, e Elias, o profeta das venerandas tradições, apresentaram-se desvestidos de matéria em todo o esplendor da sua glória para O saudarem, rompendo a sombra que pairava em torno da imortalidade do Espírito e da sua comunicabilidade com as criaturas humanas.

O primeiro, mediante o diálogo que veio manter com o Mestre, liberou as criaturas, a partir de então, da proibição que exarara no passado, quando o povo, em libertinagem, evocava os Espíritos para com eles se imiscuírem nos comportamentos reprováveis a que se entregavam. Estabelecendo Leis que se deveriam caracterizar pela severidade, em razão do nível moral em que se encontrava o hebreu recém saído da escravidão no Egito, coibiu o abuso decorrente da insensata comunhão com o mundo espiritual, atendendo aos seus apelos infantis e perversos, que lhes bloqueavam a capacidade de pensar, de decidir os conflitos e as condutas, transferindo-os para aqueles que, desenfaixados da matéria, se lhes deveriam submeter aos caprichos. Naquele momento de magnitude, ele próprio viera exaltar o Homem de Nazaré, confirmando a Sua ascendência moral sobre a Humanidade, a Quem ele próprio se submetia.

O segundo, que Lhe profetizara a vinda por diversas vezes, retornava da Espiritualidade para confirmar ser Ele aquele Messias aguardado, a Quem se reportara, o portador das excelentes qualidades para conduzir o pensamento na direção de Deus e facultar a vitória de cada um sobre si mesmo. Apresentava-se como discípulo que vem glorificar o Mestre, que então assume toa da Sua pujança, momentaneamente submersa na forma humana limitada, como se tornava necessária para o processo de iluminação das vidas mergulhadas nas trevas do mundo.

Após aqueles momentos de incomparável beleza, fomentadores da fé profunda, Ele desceu à planície onde os seres humanos se acotovelavam e se enfrentavam no campo lardo as suas paixões, a fim de os suportar, os conduzir e os amar.

De imediato, um pai aflito, nEle reconhecendo o Messias, posternou-se-Lhe aos pés e pediu-Lhe socorro. O sentimento de compaixão do homem, espraiou-se e sensibilizou Jesus. O seu drama era o filho enfermo, tomado por desconhecida força que o vitimava, atirando-o de um lado para o outro, ameaçando-lhe a existência, minando-lhe as energias e entregue totalmente à sua sanha, sem possibilidade de libertação.

Conhecendo o insondável do ser humano, Jesus compadeceu-se e cindiu a treva que envolvia o jovem, percebendo-lhe a história pretérita, quando delinquira, vinculando-se ao odiento perseguidor, que não cedia no propósito infeliz que se impusera.

Aturdido na sua insânia, não raciocinava, nem se apiedava daquele que lhe sofria a vindita, incidindo no mesmo erro de que fora vítima anteriormente.

Ao contato porém, com Jesus, restabeleceu-se-lhe o discernimento, deu-se conta do mal em que laborava, num átimo de segundo arrependeu-se e desalojou-se do campo mental em que se homiziara no seu sofrido hospedeiro.

Desvinculou-se de imediato ao ouvir a voz clara e forte do Mestre e receber o influxo do Seu pensamento compassivo, deixando de malsinar o outro, para cuidar da própria sombra responsável pelo seu ódio, pelo desejo de desforço, pela inferioridade moral em que jazia.

Era natural que, ante o fato insólito, a fé brilhasse em todos que ali se encontravam, particularmente nos discípulos que estavam decepcionados pela inépcia de que eram portadores, já que eles também houveram tentado ajudar o obsesso sem colherem o êxito anelado.

Não se davam conta que, para cada Espírito em sofrimento, a terapia é específica, porque não são todos da mesma classe moral, do mesmo estágio evolutivo, necessitando de variada gama de recursos para chegar-se até cada qual.

Aquele, em especial, exigia algo mais do que a precipitada imposição verbal, e sim, um discurso específico, rico de energias vitalizadoras que o compensasse da vampirização interrompida, quando deslindado da sua fonte de nutrição psíquica.

Faltava-lhes fé, profundidade de confiança, para conseguirem os bons resultados da empresa, em detrimento do esbravejamento estúrdio, da gritaria exterior a que se haviam entregado.

Aquele Espírito, acostumado com os seus tormentos e apoiado no raciocínio conflitivo de justiça com as próprias mãos, não receava pessoas nem agressões, ameaças nem objurgatórias. Somente seria removido do seu propósito insano se experimentasse a força da compaixão e da misericórdia para a sua aflição. Foi o que Jesus lhe ofereceu: apoio e renovação interior, facultando-lhe dar-se conta que, na vingança, mais se afligia; na cobrança, mais se desnaturava.

Somente lhe restava a alternativa do perdão à ofensa recebida, para desfrutar da paz que necessitava mais do que qualquer outro valor, embora não se desse conta.

O amor de Jesus infundiu-lhe esse ânimo. A Sua claridade diluiu-lhe um pouco de compacta treva em que se confundia.

A fé, em Jesus, era certeza do próprio poder, da perfeita sintonia com Deus, a Quem recorria sempre que necessário, sabendo por antecipação dos resultados que seriam colhidos.

A fé é força que se irradia como energia operante e, por isso, consegue remover as montanhas das dificuldades, aplainar as arestas dos conflitos, minar as resistências que se opõem à marcha do progresso.

O ser humano enfrenta os montes das dificuldades que ergue à frente, quando deveria buscar os objetivos mais nobres e engrandecedores. No entanto, no seu estágio infantil, a sua sombra o envolve com preconceitos e desaires, enceguecendo-se com a ambição desmedida da posse material, na qual investe os seus melhores recursos, e depois não sabe como deslindar-se de tantos conflitos e vencer tão variados obstáculos que tem pela frente.

Sé mediante a fé, estruturada na consciência livre de prejuízos de toda natureza, oferece as resistências para enfrentar as montanhas de desafios que lhe impedem o avanço no rumo da harmonia.

Mediante a fé lúcida e enriquecedora, a existência se apresenta digna de ser vivida, facultando a aquisição de recursos para todas as situações, ensejando que aquele que a possui enfrente todas as situações com calma e certeza dos resultados felizes que o aguardam.

Não tem pressa, nem se angustia, porque sabe que os empeços exigem remoção e as sombras precisam de luz para que desapareçam.

A fé racional nunca excede os limites da sua capacidade, nem se doira de ambição descabida, conhecendo as possibilidades que possui e os meios de que se deve utilizar para os cometimentos que enfrentará.

É pujante, mas não presunçosa; é nobre, mas não jactanciosa.

À luz da psicologia profunda, uma fé diminuta, um grão de mostarda que lhe represente a dimensão, tudo consegue e nada será impossível, porque se apoia, sobretudo, na razão.

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