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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 18

(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)
Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.
SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO 1

AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA
  
item 57

- Formação do Perispírito: Os Fluidos

Em estudo anterior relembramos que Allan Kardec ao analisar a ação dos Espíritos sobre a matéria, concluiu que essa ação só é possível porque o Espírito não é uma abstração, mas um ser definido, limitado e circunscrito.Acrescenta que o Espírito encarnado é a alma do corpo; quando o deixa pela morte, não sai desprovido de qualquer envoltório, e apresenta a forma humana.

Na questão 88 de O Livro dos Espíritos, os instrutores espirituais responderam a Kardec que os Espíritos “(...) são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea.”. Isto se aplica ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, ao qual não saberíamos dar uma forma determinada. Mas, em qualquer de seus graus, ele está sempre revestido de um invólucro ou perispírito, cuja natureza se eteriza à medida que ele se purifica e se eleva na hierarquia. Dessa maneira, a idéia de forma é para nós inseparável da idéia de Espírito, a ponto de não concebermos esta sem aquela. O perispírito, portanto, faz parte integrante do Espírito como o corpo faz parte integrante do homem.

Portanto, conforme definição contida em O Livro dos Médiuns,  cap. 32 - Vocabulário Espírita; do grego "peri: em torno, o Perispírito é o envoltório semimaterial do Espírito. Nos encarnados, serve de intermediário entre o Espírito e a matéria; nos Espíritos errantes (desencarnados sujeitos à reencarnação), constitui o corpo fluídico do Espírito".

 Ainda em O Livro dos Médiuns, 1ª parte, cap I,

 Item 54 - O homem é, portanto, formado de três partes essenciais:

            1ª - o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;

            2ª - a alma, Espírito encarnado, do qual o corpo é a habitação;
            3ª - O perispírito, princípio intermediário, substância semimaterial, que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo. Tais são, num fruto, a  semente, a polpa e a casca.


Formação do Perispírito

 Explica Kardec no item 57 que, embora fluídico, o perispírito se constitui de uma espécie de matéria como se observa nos casos de aparições tangíveis. Sob a ação de certos médiuns verificou–se a aparição de mãos, com todas as propriedades das mãos vivas, dotadas de calor, podendo ser apalpadas, oferecendo a resistência de corpos sólidos, pegando as pessoas, e que de repente se esvaneciam como sombras. A ação inteligente dessas mãos prova que elas são a parte visível de um ser inteligente invisível. Sua tangibilidade, sua temperatura, a impressão sensorial que produzem, chegando mesmo a deixar marcas na pele, a dar pancadas dolorosas, a acariciar delicadamente, provam que são materialmente constituídas. Sua desaparição instantânea prova, entretanto, que essa matéria é extremamente sutil e se comporta como algumas substâncias que podem, alternativamente, passa do estado sólido ao fluídico e vice-versa.

Para entender a formação do perispírito é preciso estudar os elementos fluídicos que constituem o mundo que percebemos e aquele que escapa aos nossos sentidos, formando o mundo espiritual.

 Os Fluidos

 O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza. Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o de eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado normal, e o de materialização ou ponderabilidade, que é, de certa maneira, consecutivo àquele. O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível.  Mas, ainda aí, não há transição brusca, porquanto podem considerar-se os nossos fluidos imponderáveis como termo médio entre os dois estados. (Ver A Gênese, cap. IV, nº10 e seguintes.)

Cada um desses dois estados dá origem, naturalmente, a fenômenos especiais:

         Fenômenos materiais: pertencem ao mundo visível e resultam do estado de materialização ou ponderabilidade; são da alçada da Ciência propriamente dita.

         Fenômenos espirituais ou psíquicos: pertencem ao mundo invisível e  resultam do estado de eterização ou imponderabilidade; ligam-se de modo especial à existência dos Espíritos e são estudados pelo Espiritismo.

Explica Kardec que, como a vida espiritual e a corporal se acham em constante relação, os fenômenos das duas categorias muitas vezes se produzem simultaneamente. Encarnado, o homem só pode perceber os fenômenos psíquicos que se prendem à vida corpórea; os do domínio espiritual escapam aos sentidos materiais e só podem ser percebidos no estado de Espírito.
No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme e sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo espiritual. Para os Espíritos, esses fluidos tem uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados, e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo material.

Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e aos nossos sentidos, feitos para sentirem a matéria tangível e não a matéria etérea.

Continuando, o Codificador explica que, a pureza absoluta, da qual não temos idéia, é o ponto de partida do fluido universal; o ponto oposto é o em que ele se transforma em matéria tangível. Entre esses dois extremos, dão-se inúmeras transformações, mais ou menos aproximadas de um e de outro. Os fluidos mais próximos da materialidade, os menos puros, conseguintemente, compõem o que se pode chamar de atmosfera espiritual da Terra. É desse meio, onde igualmente vários são os graus de pureza, que os Espíritos encarnados e desencarnados, deste planeta, haurem os elementos necessários à manutenção de suas existências.

Desse meio fluídico, do meio onde se encontra, é que o Espírito retira os elementos fluídicos que constituirão o seu perispírito; esse envoltório é, então, formado dos fluidos ambientes, resultando daí que os elementos constitutivos do perispírito naturalmente variam, conforme os mundos.

Em nosso próximo estudo continuaremos estudando a formação do perispírito, mas relembramos com Allan Kardec,

 “É essencial o estudo sobre os fluidos, porque nele está a chave de uma imensidade de fenômenos que não se conseguem explicar unicamente com as leis da matéria”.

BIBLIOGRAFIA

 KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns:  2.ed. São Paulo:FEESP, 1989 - Cap. I

KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos:  ed. especial São Paulo:EME, 1997 - Cap. I e II

KARDEC, Allan - A Gênese: 26.ed.Brasília: FEB,1984 - cap X e XIV


Elisabeth Maciel / Tereza Cristina D’Alessandro

Janeiro / 2003