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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Espiritismo Comparado DOGMATISMO E ESPIRITISMO

Espiritismo Comparado

DOGMATISMO E ESPIRITISMO*


Dogmatismo - atitude do espírito que consiste em pensar e em se exprimir em função de dogmas, ou seja, verdades consideradas definitivas, e que não podem ser sujeitas a discussão. Entre os gregos era a posição filosófica que se opunha ao ceticismo (exame, investigação).

A religião católica estabelece seus dogmas emprestando-lhes um caráter divino e infalível. Discutidos nos Concílios Ecumênicos, tornam-se regras obrigatórias a todos os membros da comunidade. Não importa se a razão não consegue entender já que é um princípio aceito pela fé e seu fundamento é a revelação divina. Citam-se, a título de exemplo: o Dogma da Santíssima Trindade, aprovado no Concílio de Nicéia (325) e complementado no Concílio de Constantinopla (381) e o Dogma da Infalibilidade Papal, no Concílio Vaticano I (1869/1870).

Os dogmas católicos aliados à dificuldade de elaborarmos o nosso pensamento de forma lógica e racional propiciam o surgimento do “comportamento” cognominado “dogmático”. Por “comportamento dogmático”, entende-se a crença nos conhecimentos herdados de nossos antepassados, as nossas atitudes voltadas para o fazer técnico e as nossas ações cristalizadas na tradição. Isso mantém-nos acomodados à nossa aparente segurança interior. Temos de romper essa estrutura do pensamento.

O “comportamento não dogmático”, centrado nas atitudes críticas, é a ruptura do modelo anterior. Como o homem passa do estado pré-crítico ao crítico? O que caracteriza essa mudança? Podemos vê-la sob dois ângulos: 1.º) mudança espontânea, pelo fato das crenças tradicionais se chocarem com as antagônicas e o indivíduo ser obrigado a fazer nova escolha; 2.º) mudança provocada, pelo fato do indivíduo procurar conscientemente um novo paradigma para a realidade em que está inserido.

Nossa vivência, na maioria das vezes, é apoiada nas crenças dogmáticas. Entrar no Espiritismo não significa dizer que nos despojamos de todos os nossos automatismos formados ao longo de inúmeras existências. Na veiculação da idéia espírita, observamos a transferência dessas imagens, dando-se a impressão de que o Espiritismo é dogmático. Lembremo-nos de que é um erro de nossa interpretação e não expressão verdadeira dos princípios codificados por Allan Kardec. Para ilustrar, citamos alguns fatos: “o mentor falou, temos de atender”; “só leio romances espíritas”; “para mim só Kardec e nada mais”.

“O Espiritismo é uma questão de fundo e não de forma”, diz J. Herculano Pires. Reconheçamos que devemos despender esforços para penetrar no âmago de suas questões. Somente assim conseguiremos aprender os fundamentos da doutrina, evitar o preconceito e descobrir a verdade que nos liberta.

Fonte de Consulta


BORNHEIM, G. A. Introdução ao Filosofar - O Pensamento Filosófico em Bases Existenciais. 7. Ed., Rio de Janeiro, Globo, 1986.

GOMES, L. C. Antologia Filosófica. ________, Livros Horizontes, 1983.




ARTIGOS DE SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO






* Publicado no “Jornal Espírita”, com o Título de Comportamento Não Dogmático, junho 94, pág. 7