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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

*RITUAIS ESPÍRITAS*

*RITUAIS ESPÍRITAS*

por Mauro da Silva Costa e Elio Mollo

A naturalidade que existe no processo inter-relacionamento entre encarnados e desencarnados deve ser respeitada e posta em prática, para que possamos entender e simplificar cada vez mais este processo.

Mantemos o intercâmbio através dos planos espiritual e físico pela força do pensamento transformada em vontade direcionada em um foco inteligente, objeto de nossa comunicação.

Essa vontade será traduzida em afinidades, completando assim o processo de comunicação e convivência com os desencarnados.

Não vemos neste processo nada que fuja à naturalidade, dispensando todo e qualquer aparato mágico, ainda que supostamente necessário.

Infelizmente, não é essa realidade encontrada na maioria dos Centros Espíritas, onde por incrível que pareça os rituais se proliferam, encontrando a passividade dos dirigentes, dando aos frequentadores uma impressão de que são fatos e atos naturais.

Como uma boa parte dos frequentadores dos Centros Espíritas serão os futuros tarefeiros e colaboradores, há o perigo de trazerem consigo para o exercício da mediunidade aquelas ideias ritualísticas, que estarão então condicionadas (viciações) como indispensáveis no processo de inter-relacionamento entre encarnados e desencarnados.

*O PASSE*
O passe espírita, objeto de tantas discussões e estudos, é ainda hoje, o principal ritual numa grande maioria dos Centros Espíritas.

O passe espírita é de uma simplicidade franciscana, mas o sistema implantado pelas entidades ditas responsáveis pela divulgação e ensino da Doutrina Espírita, veio complicá-lo, tirando toda a sua beleza e funcionalidade, ensinado e praticado por Jesus há quase dois mil anos.

As mãos levantadas acima da cabeça para a suposta captação de fluidos, fechar as mãos para que os fluidos não se percam, fazer certas posições com os dedos das mãos, onde nem todos tem a elasticidade necessária para isso, só vem contribuir para ridicularizar a beleza natural e simples do passe.

O passe não precisa de técnica, precisa de compreensão. A única exigência para se dar o passe é o conhecimento da Doutrina Espírita e das múltiplas relações entre encarnados e desencarnados. O equilíbrio psíquico / físico necessário para a prática do passe será decorrente do conhecimento espiritual colocado em prática, caracterizando assim a evolução.

A imposição de mãos (sem gesticulações), a capacidade de doação do médium e o conhecimento doutrinário são suficientes/necessários para a aplicação do passe. Precisamos acabar com as encenações místicas e desnecessárias e colocar em prática a racionalidade tão solicitada a nós por Kardec.

*VIBRAÇÕES*
Levados pela nossa ingenuidade e ignorância, criamos a imagem de que o plano espiritual e os espíritos desencarnados existem apenas para nos servir. A partir dessa ideia nasce mais um ritual: a "caixinha de vibrações".

Muito fácil e muito cômodo. O método mais anti-racional que existe, pois inibe o exercício da mentalização, concentração e da própria doação, já que no caso não estamos doando nada.

Supomos que as pessoas pensem que os desencarnados irão ler os nomes e endereços e para lá se dirigirão levando os fluidos e energias para o necessitado. Isso lembra muito a missa de sétimo dia da religião Católica, onde o padre é pago para rezar pela alma da pessoa que morreu.

Temos que esclarecer as pessoas que não é necessário gastar tempo, tinta e papel numa operação ridícula objetivando o bem estar de alguém. Basta pensar e vibrar com a mente e o coração, e a outra pessoa, se estiver apta, receberá os fluidos e energias emitidas por nós (é claro que os Bons Espíritos auxiliarão nesta empreitada se realmente houver sinceridade de intenções).

A equipe de espíritos desencarnados participantes dos trabalhos do Centro Espírita, indevidamente chamada de "corrente espiritual", foi o ponto de partida para que alguns espíritas menos avisados tivessem a ideia de se dar as mãos no início e fim dos trabalhos para se formar uma corrente também. E se alguém soltar a mão da pessoa do lado, quebra a corrente. Coisa de pretensos "espíritas" com pouca visão espiritual, carentes de conhecimento da Doutrina Espírita. A nossa ligação com os desencarnados e os encarnados participantes dos trabalhos de passes e doutrinação (quando falamos em doutrinação entenda-se esclarecimento da situação do desencarnado e evangelização ao mesmo tempo, ou melhor, de diálogo, onde se oferece ao desencarnado, o melhor, do conhecimento que possuímos, e aquilo que ele pode compreender, para melhorar a sua situação) é feita a nível mental, dispensando entrelaçamento de mãos ou algo que valha.

Devemos a Kardec e aos espíritos desencarnados que o auxiliaram na codificação o respeito e a consideração que por justiça eles merecem. E para os respeitarmos precisamos deixar de lado aquilo que vem denegrindo tudo o que Kardec edificou, aquilo que ele mais temia: o misticismo e as encenações mágico/circenses.

Está claro que todos esses acontecimentos são heranças de um tempo onde o estudo raramente precedia as manifestações práticas.

Essa desculpa já não serve para justificar toda essa barbaridade cometida em nome de algo tão importante como a Doutrina Espírita.

Não vamos exigir que todos possam despertar do marasmo e acomodação em que se encontram de uma hora para outra, pois as viciações já enraizadas tornam-se parte do dia a dia das pessoas.

 A evolução e lenta e gradual, mas nem tanto, e ela não vem a nós se não a procurarmos.


E onde está a solução? No estudo das obras da Codificação Espírita, na constante atualização do avanço e descobertas da ciência e no uso da lógica e da razão ao nos defrontarmos com situações novas e desconhecidas. Tentem! <>



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