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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

*Espiritismo Comparado*


LEI DE DESTRUIÇÃO E ESPIRITISMO


A destruição é uma lei natural, porque precisamos renovar a espécie. Se mantivéssemos eternamente o nosso corpo físico, não haveria o melhoramento dos seres vivos. Para que haja equilíbrio ecológico, uma espécie destrói a outra para sobreviver. A destruição recíproca dos seres vivos é, dentre as leis da Natureza, uma das que, à primeira vista, menos parecem conciliar-se com a bondade de Deus. Contudo, um exame mais acurado mostra a grandeza do Criador.

Pergunta-se: Por que Deus criou a necessidade de os seres se destruírem mutuamente, para se alimentarem uns à custa dos outros. É que o homem, como inteligência finita, não consegue abarcar a Inteligência Infinita de Deus. Contudo, o homem evoluído sabe que a verdadeira vida, tanto do animal quanto dele próprio, não está no invólucro corporal e sim no Princípio Inteligente, que preexiste e sobrevive ao corpo. Assim, para se nutrirem, os seres vivos destroem-se entre si, mas única e exclusivamente para obedecer ao equilíbrio natural, decorrente das Leis de Conservação e de Destruição conjugadas.

O equilíbrio ecológico se dá através da eliminação das espécies inferiores. No final do ciclo de destruição está o homem, com sua inteligência, a eliminar os animais menores. A destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança mostra a predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda a destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem mais do que necessitam, mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade.

Os flagelos destruidores fazem a civilização caminhar em poucos anos o que levaria séculos para conseguir sem a prática da Lei do Amor. No entanto, os homens de bem que sucumbem aos flagelos (terremotos, maremotos, inundações etc.) não sofrem como os maus, pois, dada sua condição evolutiva superior, a perda de uma veste, como o corpo, não tem a mesma importância que para um materialista ou para aquele mais apegado à natureza animal.

As guerras, o assassínio, a crueldade, o duelo e a pena de morte ainda perduram nos dias de hoje porque há a predominância da natureza animal sobre a espiritual. Quando a humanidade estiver mais evoluída moralmente, ela acabará por entender que todos somos irmãos uns dos outros. Aprenderá que a morte de um inimigo elimina apenas a veste física; a sua alma continua intacta no mundo espiritual. Ainda: caso tenha guardado muito ódio em seu coração, passará a nos obsedar mais freqüentemente.

Saibamos usar os bens naturais de forma conservativa, isto é, sem alterar substancialmente o equilíbrio cósmico. Para isso, conjuguemos serenamente a Lei de Conservação e a Lei de Destruição, a fim de atingirmos o equilibro entre o Espírito e a matéria.

Fonte de Consulta

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.


*ARTIGOS DE SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*