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sábado, 7 de janeiro de 2017

*Espiritismo Comparado* *ESPINOSA E ESPIRITISMO*

*Espiritismo Comparado*

*ESPINOSA E ESPIRITISMO*


Benedito Espinosa (1632-1677), filósofo holandês, filho de pais judeus originários de Portugal, é considerado por muitos como o filósofo dos filósofos. A essência de sua filosofia baseia num sistema totalizante, que tudo abarca. Tal sistema, concebido matematicamente, entende Deus como Natureza (Deus sevi Natura). A partir de suposições básicas (definições e axiomas) e uma série de demonstrações geométricas constrói o universo que vem ser igualmente Deus,

Descartes ensinava que o universo é feito de duas espécies de substância: o espírito e o corpo. Esse dualismo não satisfaz Espinosa. Este ensinava que há apenas uma substância que constitui todo o universo. A isso chamou Deus. Vista de certo modo é corpo, vista de outro é espírito. A uma, Espinosa chamou extensão; a outra, espírito. A substância é absolutamente independente de tudo, pois representa tudo. É infinita, causada por si mesma e autônoma. Essa concepção unificadora é conhecida como panteísmo. Muito apegado a essa teoria, muitos a ele se têm referido como inebriado de Deus.

O corpo não afeta o espírito nem este àquele. Ambos, porém, são manifestações de uma única e mesma realidade universal, Deus. A árvore é um atributo de Deus; o pensamento que nos ocorre neste momento é um atributo de Deus. Tudo o que acontece no corpo, acontece também no espírito. É o que se chama paralelismo psicológico, isto é, o corpo e o espírito são sempre paralelos, pois constituem dois aspectos de uma só e mesma realidade. No homem o espírito percebe os seus próprios atos, é consciente. Quer dizer, a substância do espírito é mais complexa do que a substância do corpo, embora todas façam parte de uma única substância.

Para o professor São Marcos, em Noções de Historia da Filosofia, diz: “Espinosa quebra a rigidez panteísta desmembrando em dois momentos o conceito: Natura Naturans ou Natura Naturata, isto é, Natureza Criadora e Natureza Criada: ”Deus sive substância sive natura”. Espinosa realiza a idéia embrionária existente no espírito de Descartes: Um Deus imanente na Criação, isto é, não uma individualidade dirigindo de fora o universo, mas aquela entidade suprema que, imanente em todas as coisas, nelas palpita e as mantém”.

O panteísmo de Espinosa leva-nos à questão n.º 1 de O Livro dos Espíritos, na qual Allan Kardec define Deus como “Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. Disto resulta que uma Inteligência ou Entidade que abarca tudo o que existe, não pode estar de fora, pois, não há espaço em que não esteja. Embora confuso para muitos de seus críticos, o panteísmo de Espinosa clareia a intuição de Deus naquilo que é possível de ser absorvida pela nossa limitação humana.   

O pensamento de Espinosa mostra que se pudéssemos saber a verdade das coisas seria possível e capaz de agir melhor e ser mais feliz.




*ARTIGOS DE SÉRGIO BIAGI GREGÓRIO*


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