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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Alguns parcos vinténs

ALGUNS  PARCOS  VINTÉNS

 
       A alma não se alimenta de filé, não se veste pelos figurinos de passarela, não se maquila, nem tem registro de nascimento nos cartórios humanos.
       Fora das realizações de consequências nobilitantes e duradouras, todas as cogitações da criatura mostram-se insatisfatórias.
       Dinheiro, beleza física, popularidade, poder, juventude, força ou dominação social não comunicam nenhum descanso de espírito referente ao amanhã.
       Dinheiro exige carteira para guardá-lo, apetrecho que a alma não carrega.
       Toda beleza exterior se desfaz com sol e chuva.
       Em qualquer setor ou lugar, a popularidade se esfuma de um mês para outro.
       Poder terrestre exprime simples reflexo de contingências instáveis.
       A cada dia a juventude se desmancha.
       Força, por mais se suponha vitoriosa, exprime processo de violência.
       Brilhos mundanos são fulgurações terra-a-terra que vigem até que a moda os apague ao sopro de seus caprichos.
       Ocupada unicamente com tais mecanismos superficiais do cotidiano, a pessoa, por maior seja a sua capacidade de iludir-se e atordoar-se, acaba constrangida à frustração pelo auto desperdício.
       De tanto baratear-se, acorda como que desmoralizada ao mundo de si mesma. Suicídio moral em que atira fora, sem objetivo, os talentos da vida eterna que carreia e, instintivamente, reconhece possuir.
       Atingindo esse ponto, a criatura já conheceu todos os itinerários humanos sem afazer-se a nenhum. Confundida e agitada, a consciência, então, só repousa na paz quando começa a crer racionalmente e a servir na edificação da melhoria comum.
       Eis porque se pergunta: onde a maior força da Doutrina Espírita? A resposta fundamental é sempre única: na certeza do futuro de amor e felicidade para onde caminhamos.
       Carece o espírito da fé incorruptível que lhe afugente, em definitivo, o medo da morte. Nada melhor que as realidades do Consolador para suscitar essa confiança.
       Ponderemos nossas obrigações ante os princípios que manejamos.
       Não queira viver só de você. Ninguém, em estado normal, o consegue.
       Acima de suas moedas, você dispõe de tesouros muito mais vastos: seus sentimentos. Além de sua autoridade social, uma vantagem maior você possui: sua compreensão da Imortalidade.
       Escolha o seu posto de atividade: sustentação do estudo, auxílio à nova geração, exposição de postulados libertadores, distribuição de consolo, socorro aos doentes, recuperação dos obsessos, proteção aos desvalidos, apostolados multiformes que convertem o Espiritismo num parque de construções e de bênçãos.
       Não seja avaro de espírito.
       Aja sem demora. Produza. Mostre o seu rendimento. Que fez você esta semana na distribuição de, pelo menos, alguns parcos vinténs dessas verdades?

(De Técnica de Viver, de Waldo Vieira, pelo Espírito de Kelvin Van Dine)