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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O CÉU E O INFERNO - Tema 004 - 1a. parte/Capítulo II: Temor da morte (itens 6 a 10) - Resumo

O CÉU E O INFERNO

Tema 004 - 1a. parte/Capítulo II: Temor da morte (itens 6 a 10) - Resumo

6 - Outra causa de apego às coisas terrenas é a impressão do ensino que relativamente a ela se lhes há dado desde a infância. Convenhamos que o quadro pela religião esboçado, sobre o assunto, é nada sedutor e ainda menos consolatório.

De um lado, contorções de condenados a expiarem em torturas e chamas eternas os erros de uma vida efêmera e passageira. De outro, as almas combalidas e aflitas do purgatório aguardam a intercessão dos vivos que orarão ou farão orar por elas. Estas duas categorias compõem a maioria imensa da população de além-túmulo. Acima delas, paira a limitada classe dos eleitos, gozando, por toda a eternidade, da beatitude contemplativa.

Este estado não satisfaz nem as aspirações nem a instintiva idéia de progresso, única que se afigura compatível com a felicidade absoluta. Custa crer que, só por haver recebido o batismo, o selvagem ignorante - de senso moral obtuso -, esteja ao mesmo nível do homem que atingiu, após longos anos de trabalho, o mais alto grau de ciência e moralidade práticas. Menos concebível ainda é que a criança falecida em tenra idade, antes de ter consciência de seus atos, goze dos mesmos privilégios somente por força de uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma. Estes raciocínios não deixam de preocupar os mais fervorosos crentes, por pouco que meditem.

7 - Não dependendo a felicidade futura do trabalho progressivo na Terra, a facilidade com que se acredita adquirir essa felicidade, por meio de algumas práticas exteriores dão aos gozos do mundo o melhor valor. Mais de um crente considera, em seu foro íntimo, que assegurado o seu futuro pelo preenchimento de certas fórmulas ou por dádivas póstumas, que de nada o privam, seria supérfluo impor-se sacrifícios ou quaisquer incômodos por outrem. Seguramente, nem todos pensam assim, havendo mesmo muitas e honrosas exceções; mas não se poderia contestar que assim pensa o maior número, sobretudo das massas pouco esclarecidas, e que a idéia que fazem das condições de felicidade no outro mundo não entretenha o apego aos bens deste, acoroçoando o egoísmo.

8 - Acrescentemos ainda a circunstância de tudo nas usanças concorrer para lamentar a perda da vida terrestre e temer a passagem da Terra ao céu. A morte é rodeada de cerimônias lúgubres, mais próprias a infundirem terror do que a provocarem a esperança. Todos os seus emblemas lembram a destruição do corpo, mostrando-o hediondo e descarnado; nenhum simboliza a alma desembaraçando-se radiosa dos grilhões terrestres. A partida para esse mundo mais feliz só se faz acompanhar do lamento dos sobreviventes. Tudo concorre, assim, para inspirar o terror da morte, em vez de infundir esperança.

9 - Demais, a crença vulgar coloca as almas em regiões apenas acessíveis ao pensamento, onde se tornam de alguma sorte estranhas aos vivos; a própria Igreja põe entre umas e outras uma barreira insuperável, declarando rotas todas as relações e impossível qualquer comunicação. Tudo isso  interpõe entre mortos e vivos uma distância tal que faz supor eterna a separação, e é por isso que muitos preferem ter junto de si, embora sofrendo, os entes caros, antes que vê-los partir, ainda mesmo que para o céu.

Por que os espíritas não temem a morte

10 - A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa; são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação. Eis aí por que os espíritas encaram a morte calmamente e se revestem de serenidade nos seus últimos momentos sobre a Terra. Já não é só a esperança, mas a certeza que os conforta; sabem que a vida futura é a continuação da vida terrena em melhores condições e aguardam-na com a mesma confiança com que aguardariam o despontar do Sol após uma noite de tempestade. 

Os motivos dessa confiança decorrem, outrossim, dos fatos testemunhados e da concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e bondade de Deus, correspondendo às íntimas aspirações da Humanidade. Não mais permissível sendo a dúvida sobre o futuro, desaparece o temor da morte.

Questões para estudo:

1) Por que os quadros propostos pelas religiões para explicar a vida futura, após a morte, têm sido cada vez mais insuficientes para atender os anseios dos homens?

2) De forma geral como nossa cultura tem encarado a morte?

3) Quais os principais elementos que a Doutrina Espírita nos oferece para entender a vida futura?

Conclusão:

Questões para estudo:

1) Por que os quadros propostos pelas religiões para explicar a vida futura, após a morte, têm sido cada vez mais insuficientes para atender os anseios dos homens?

Porque não trazem nenhum consolo nem esperança, nem atendem à razão. O que busca o homem senão a felicidade? E se essa não foi possível nessa existência? Ele será condenado sem ter tido ao menos uma outra oportunidade? Todos os anseios humanos gritam contra a incoerência dessas "verdades" impostas aos homens desde tempo imemoriais. A própria idéia de Deus, mesmo na nossa pequenez de entendimento, nos mostra que se até um pai humano e falível dá novas oportunidades a seus filhos, por que Deus, na sua infinita misericórdia, não faria o mesmo?

Além disso como aceitar estas situações que ferem nosso senso de justiça: Almas em torturas e chamas eternas sem ter o direito de se arrepender nem de ver aqueles que amaram; beatitude contemplativa sem trabalho; pessoas de senso moral obtuso são niveladas a um homem com alto grau de moralidade prática; crianças falecidas em tenra idade, usufruindo de privilégios só por força de uma cerimônia na qual a sua vontade não teve parte alguma.

2) De forma geral como nossa cultura tem encarado a morte?

A nossa sociedade, de forma geral, infelizmente ainda tem encarado a morte como separação eterna, uma verdadeira desgraça que se abate sobre quem parte e sobre os que ficam. As cerimônias associadas à morte são lúgubres, sombrias, dolorosas. Pouca coisa nos faz lembrar a continuação da vida, a vida real e verdadeira, a vida espiritual. Os comentários neste sentido são quase sempre apenas com o intuito de um consolo imediato do que frutos de uma convicção profunda.

A dificuldade em aceitar os relatos do mundo espiritual através dos diversos espíritos que deixaram sua mensagem, se torna um obstáculo para compreender o processo da morte. Há quem afirme que esses relatos da vida maior são enganosos, que ninguém pode provar e, por isso, preferem não aceitar a verdade dos fatos, ou ficam na eterna dúvida: será que é verdade?

A divulgação das idéias de cunho realmente espiritual e dos fatos espíritas tornarão a sociedade cada dia mais consciente de que a morte é um fenômeno biológico, uma transição, um retorno a nossa verdadeira natureza.

3) Quais os principais elementos que a Doutrina Espírita nos oferece para entender a vida futura?

O principal elemento é a compreensão da justiça divina. O Espiritismo nos mostra a coerência da morte, das penas, dos gozos, a importância da caridade e do amor. Nos esclarece sobre o que existe após a morte do corpo e, acima de tudo, nos dá razões para ter esperanças no futuro.

Os próprios espíritos desencarnados nos descrevem as situações em que se encontram. Aprendemos que a vida futura é a continuação da vida presente em melhores condições.

O Espiritismo ergue o véu que encobria a realidade. A alma deixa de ser uma abstração, nossos entes queridos já não são mais chamas fugitivas, ou simples lembranças - estão ao nosso redor. O mundo corporal e o espiritual identificam-se, assistem-se mutuamente.