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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

NOSSO LAR 007-03 Capítulo da semana: 3 - A intervenção na memória



Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo - CVDEE

Sala de Estudos André Luiz


Livro em estudo: Ação e Reação        
                                                                                                     
Capítulo da semana: 3 - A intervenção na memória

(...)

De inesperado, outro colaborador veio até nós e pediu:

- Instrutor, rogo-lhe providências na solução do caso Jonas. Recolhemos agora um recado de nossos irmãos, cientificando-nos de que a reencarnação dele talvez seja frustrada em definitivo.

Pela primeira vez, notei que o dirigente da Mansão mostrou intensa preocupação no olhar. Patenteando enorme surpresa, indagou do emissário:

- Em que consiste o obstáculo?

- Cecina, a futura mãezinha, sentindo-lhe os fluidos grosseiros, nega-se a recebê-lo.

Estamos presenciando a quarta tentativa de aborto, no terceiro mês de gestação, e vimos fazendo o que é possível por mantê-la na dignidade maternal.

Druso esboçou no semblante um sinal de serena firmeza e acentuou:

- É inútil. A jovem mãe aceitá-lo-á, segundo os compromissos dela própria. Além disso, precisamos da internação de Jonas, no corpo físico, pelo menos durante sete anos terrestres. Tragam Cecina até aqui, ainda hoje, logo se entregue ao sono natural, para que possamos auxiliá-la com a necessária intervenção magnética.

Outros elementos de serviço vinham chegando e, faminto de esclarecimentos, qual me achava, procurei um recanto próximo, em companhia do Assistente Silas, a quem crivei de indagações em tom discreto, de modo a não perturbar o recinto.

(...)

- E aquele caso de reencarnação pendente? - ousei perguntar, respeitoso.

- A casa podia opinar com segurança na solução de semelhante assunto?

O interpelado sorriu, benevolente, e respondeu:

- Para que me faça compreendido, convém esclarecer que, se existem reencarnações ligadas aos planos superiores, temos aquelas que se enraízam diretamente nos planos inferiores. Se a penitenciária vigora entre os homens, em função da criminalidade corrente no mundo, o inferno existe, na Espiritualidade, em função da culpa nas consciências. E assim como já podemos contar na esfera carnal com uma justiça sinceramente interessada em auxiliar os delinqüentes na recuperação, através do livramento condicional e das prisões-escolas, organizadas pelas próprias autoridades que dirigem os tribunais humanos em nome das leis, aqui também os representantes do Amor Divino podem mobilizar recursos de misericórdia, beneficiando

Espíritos devedores, desde que se mostrem dignos do socorro que lhes abrevie o resgate e a regeneração.

- Quer dizer - exclamei - que, em boa lógica terrena, e utilizando-me de uma linguagem de que usaria um homem na experiência física, há reencarnações em perfeita conexão com os planos infernais...

- Sim. Como não? Valem como preciosas oportunidades de libertação dos círculos tenebrosos. E como tais renascimentos na carne não possuem senão característicos de trabalho expiatório, em muitas ocasiões são empreendimentos planejados e executados daqui mesmo, por benfeitores credenciados para agir e ajudar em nome do Senhor.

(...)

- Instrutor, depois de amainada a tormenta, voltou o assalto dos raios desintegrantes...

O orientador esboçou um gesto de preocupação e recomendou:

- Liguem as baterias de exaustão. Observaremos a defensiva, instalados na Agulha de Vigilância.

Em seguida, convidou-nos a acompanhá-lo.

Silas, Hilário e eu seguimo-lo sem hesitar.

Atravessamos vastíssimos corredores e largos salões, em sentido ascendente, até que começamos a subir de maneira direta.

O local conhecido por Agulha de Vigilância era uma torre, provida de escadaria helicoidal, algumas dezenas de metros acima do grande e complicado edifício.

No topo, descansamos em pequeno gabinete, em cujo recinto interessantes aparelhos nos facultaram a contemplação da paisagem exterior.

Assemelhavam-se a telescópios diminutos, que funcionavam como lançadores de raios que eliminavam o nevoeiro, permitindo-nos exata noção do ambiente constrangedor que nos cercava, povoado de criaturas  agressivas e exóticas, que fugiam, espavoridas, ante vasto grupo de entidades que manobravam curiosas máquinas à guisa de canhonetes.

- Estaremos assediados por um exército atacante?

- perguntei, intrigado.

- Isso mesmo - confirmou Druso, calmamente -, esses ataques, porém, são comuns. Com semelhante invasão, pretendem nossos irmãos infelizes deslocar nossa casa e levar-nos à inércia, a fim de senhorearem a região.

- E aquelas equipagens? que vêm a ser? - enunciou meu companheiro, assombrado.

- Podemos defini-las como canhões de bombardeio eletrônico - informou o orientador. - As descargas sobre nós são cuidadosamente estudadas, a fim de que nos atinjam sem erro na velocidade de arremesso.

- E se nos alcançassem? - perguntou meu colega.

- Decerto provocariam aqui fenômenos de desintegração, suscetíveis de conduzir-nos à ruína total, sem nos referirmos às perturbações que estabeleceriam em nossos irmãos doentes, ainda incapazes de qualquer esforço para a emigração, porque os raios desfechados contra nós contêm princípios de flagelação, que provocam as piores crises de pavor e loucura.

Não longe de nós, ruído soturno vibrava na atmosfera.

Tínhamos a impressão de que milhares de projéteis invisíveis cortavam o ar, violentamente, sibilando a reduzida distância e acabando em estalidos secos, a nos infundirem pavorosa impressão.

Talvez porque Hilário e eu demonstrássemos insofreável espanto, Druso ponderou, paternal:

- Estejamos tranqüilos. Nossas barreiras de exaustão funcionam com eficiência.

E designou-nos ao olhar assustadiço longa muralha, constituída por milhares de hastes metálicas, cercando a cidadela em toda a extensão, qual se fosse larga série de pára-raios habilmente dispostos.

(...)

- Os conflitos aqui são incessantes - disse-nos o orientador com dignidade serena -; no entanto, temos aprendido nesta Mansão que a paz não é conquista da inércia, mas sim fruto do equilíbrio entre a fé no Poder Divino e a confiança em nós mesmos, no serviço pela vitória do bem.

Nesse instante, porém, um servidor da casa penetrou no recinto e disse:

- Instrutor Druso, conforme as recomendações havidas, o doente recolhido na noite passada foi instalado no gabinete de socorro magnético, aguardando-lhe a intervenção.

(...)

O mentor infatigável convidou-nos a segui-lo, explicando que a operação em perspectiva poderia oferecer importantes elementos de estudo ao trabalho que nos propúnhamos realizar.

(...)

Para referir-nos com franqueza à criatura sob nossos olhos, cabe-nos afirmar que o aspecto do infeliz chegava a ser repelente, apesar dos cuidados de que já fora objeto.

Parecia sofrer inqualificável hipertrofia, mostrando braços e pernas enormes. Entretanto, onde o aumento volumétrico do instrumento perispirítico se fazia mais desagradável era justamente na máscara fisionômica, em que todos os traços se confundiam, qual se estivéssemos à frente de uma esfera estranha, à guisa de cabeça.

(...)

Fitei o irmão desventurado que se mantinha em funda prostração, qual enfermo em estado de coma, e, considerando os imperativos de nosso aprendizado, indaguei:

- Poderemos conhecer a razão da surpreendente deformidade sob nosso exame?

O orientador percebeu a essência construtiva de minha perquirição e respondeu:

- O fenômeno, todo ele, é de natureza espiritual.

Recorda-se você de que a dor no veículo físico é um acontecimento real no encéfalo, mas puramente imaginário no órgão que supõe experimentá-la. A mente, através das células cerebrais, registra a desarmonia corpórea, constrangendo a urdidura orgânica ao serviço, por vezes torturado e difícil, do reajuste. Aqui, também, o aspecto anormal, até monstruoso, resulta dos desequilíbrios dominantes na mente que, viciada por certas impressões ou vulcanizada pelo sofrimento, perde temporariamente o governo da forma, permitindo que os delicados tecidos do corpo perispirítico se perturbem, tumultuados, em condições anormais. Em tal situação, a alma pode cair sob o cativeiro de Inteligências perversas e daí procedem as ocorrências deploráveis pelas quais se despenha em transitória animalização por efeito hipnótico.

(...)

Logo após, o Assistente, Hilário e eu, de maneira instintiva, estabelecemos uma corrente de oração, sem prévia consulta, e nossas forças reunidas como que fortaleciam o Instrutor, que, demonstrando fisionomia  calma e otimista, passou a operar, magneticamente, aplicando passes dispersivos no companheiro em prostração.

O enfermo reagiu, com movimentação gradativa, qual se acordasse de longo sono.

(...)

Depois de nova intervenção do mentor sobre a glote, o infeliz descerrou as pálpebras e, mostrando os olhos esgazeados, começou a bramir:

- Socorro! socorro!... sou culpado, culpado!...

Não posso mais... Perdão! perdão!

Dirigindo-se a Druso, e tomando-o decerto por magistrado, exclamou:

- Senhor juiz, senhor juiz!... até que enfim, posso falar! Deixem-me falar!...

O dirigente da Mansão afagou-lhe a cabeça atormentada e replicou em tom amigo:

- Diga, diga o que deseja.

O rosto do asilado cobriu-se de lágrimas, entremostrando a superexcitação dos sonâmbulos que transformam a própria fraqueza em energia inesperada, e começou a falar, compungidamente:

- Sou Antônio Olímpio... o criminoso!... Contarei tudo. Em verdade, pequei, pequei... por isso é justo... que eu sofra no inferno... O fogo tortura minhalma sem consumi-la... E o remorso, bem sei...  Se eu soubesse, não teria... cometido a falta...  entretanto, não pude resistir à ambição...

Depois da morte de meu pai... vi-me obrigado... a partilhar nossa grande fazenda com meus dois irmãos mais novos...  Clarindo e Leonel... Trazia, porém, a cabeça... dominada de planos...

Pretendia converter a propriedade...  que eu administrava... em larga fonte de renda, contudo... a partilha me estorvava... Notei que os manos... tinham idéias diferentes das minhas... e comecei a maquinar o projeto que acabei... executando...

Uma crise de soluços embargou-lhe a voz, mas Druso, amparando-o magneticamente, insistiu:

- Continue, continue...

- Admiti - continuou o enfermo com acento mais firme - que somente poderia ser feliz, aniquilando meus irmãos e... quando o inventário estava prestes a decidir-se, convidei-os a passear comigo... de barco...  inspecionando grande lago de nosso sítio... Antes, porém, dei-lhes a beber um licor entorpecente... Calculei o tempo que a droga reclamaria para um efeito seguro e... quando a nossa conversação ia acesa... percebendo-lhes os sinais de fadiga... num gesto deliberado desequilibrei a embarcação, em conhecido trecho... onde as águas eram mais fundas... Ah! que calamidade inesquecível!... Ainda agora, escuto-lhes os brados arrepiantes de horror, implorando socorro... mas... de nervos dormentes... a breves minutos... encontraram a morte...

Nadei de consciência pesada, mas firme em meus aloucados propósitos... abordando a praia e clamando por auxílio... Com atitudes estudadas, pintei um imaginário acidente...

Foi assim que me apossei da fazenda inteira, legando-a, mais tarde, a Luis... o meu filho único... Fui um homem rico e tido por honesto...  O dinheiro granjeou-me considerações sociais e privilégios públicos que a política distribui com todos aqueles que se fazem vencedores no mundo... pela sagacidade e pela inteligência... De quando em quando... recordava meu crime... nuvem constante a sombrear-me a consciência... mas... em companhia de Alzira... a esposa inolvidável... procurava distrações e passeios que me tomassem a atenção... Nunca pude ser feliz...  Quando meu filho se fez jovem... minha mulher adoeceu  gravemente... e da febre que a devorou por muitas semanas... passou à loucura... com a qual se afogou no lago... numa noite de horror. Viúvo... perguntava a mim mesmo se não estava sendo joguete... do fantasma de minhas vítimas... entretanto... temia todas as referências em torno da morte... e busquei simplesmente gozar a fortuna que era bem minha...

O infeliz entregou-se a larga pausa de repouso, diante de nossa expectativa, continuando, logo após:

- Ai de mim, porém!... Tão logo cerrei os olhos físicos... diante do sepulcro... não me valeram as preces pagas... porque meus irmãos que eu supunha mortos... se fizeram visíveis à minha frente... Transformados em vingadores, ladearam-me o túmulo...

Atiraram-me o crime em rosto... cobriram-me de impropérios e flagelaram-me sem compaixão... até que... talvez...  cansados de me espancarem... conduziram-me a tenebrosa furna... onde fui reduzido ao pesadelo em que me encontro... Em meu pensamento... vejo apenas o barco no crepúsculo sinistro... ouvindo os brados de minhas vítimas... que soluçam e gargalham estranhamente .  . . Ai de mim! . . . estou  preso à terrível embarcação...  sem que me possa desvencilhar... Quem me fará dormir ou morrer?...  Como se o término da confissão lhe trouxesse algum descanso, arrojou-se o doente a enorme apatia.

Druso enxugou-lhe o pranto, dirigiu-lhe palavras de consolo e carinho e recomendou ao Assistente recolhê-lo à enfermaria especializada e, em seguida, falou-nos, pensativo:

- Já sabemos o necessário para estabelecer um ponto de partida na tarefa assistencial.

Questões para estudo:

1 _ Porque estes espíritos tratados neste mesmo local não participam do processo de reencarnação nas esferas menos densas?

2 _ Estes espíritos em tratamento estão ligados a instituição lá existente ou estão ligados na esfera infernal?

3 _ Estas reencarnações ligadas a esta esfera são provisórias no sentido dos espíritos terem condições de subir a esferas superiores? Até que ponto isso ocorre?

4 _ Como estes trevosos conseguem tantas armas sofisticadas para atacar a instituição?

5 _ Porque os benfeitores ali os deixam soltos para assim atacarem constantemente a instituição?

6 _ No caso do assassino dos irmãos, o sentimento de culpa é bom ou ruim para a sua recuperação?

7 _ O não conhecimento da vida após a morte contribui para que as pessoas cometam erros?

8 _ O que vocês acharam do capítulo? Contem o que mais gostaram e o que mais chamou a atenção de vocês.

Conclusão:

 Livro em estudo: Ação e reação
                                                                                                                   
Tema: Capítulo 3 - A intervenção na memória (Conclusão)
                                                                    
         
                                                          QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO                                                                

1 - Por que estes espíritos tratados neste mesmo local não participam do processo de reencarnação nas esferas menos densas?
                                                                   
R - O processo reencarnatório não é conduzido de uma mesma maneira para todos. Cada caso é um caso e tem a sua particularidade. Nas esferas menos densas, os espíritos, mais adiantados em evolução do que aqueles que se encontravam internados na Mansão Paz, já estão em condições, por exemplo, de escolherem suas provas. Suas situações espirituais lhes permitem o uso do livre-arbítrio mais amplamente. Participam mais ativamente do processo reencarnatório. No caso dos internos na Mansão Paz, são espíritos que se encontram em situação espiritual ainda bastante desfavorável, portando graves perturbações psíquicas e sem condições de utilizarem inteiramente o seu livre-arbítrio. A reencarnação destes espíritos ainda demanda uma maior assistência dos Espíritos Superiores e se operam dentro de um automatismo que a difere das reencarnações nas esferas menos densas.
                                                                                                                                                                     2 - Estes espíritos em tratamento estão ligados à instituição lá existente ou estão ligados na esfera infernal?

R - Entendemos que as duas hipóteses se aplicam ao caso. O Espiritismo nos ensina que "céu" e "inferno" são estados de consciência a que os espíritos são levados por seu psiquismo. A Mansão Paz abriga espíritos ainda em grandes dificuldades, condenados por suas consciências pelos equívocos praticados, como o que se apresentava com aparência disforme e em decúbito dorsal. Portanto, podemos considerar que a Mansão Paz se situa em esfera infernal, pois esta é a situação dos espíritos que lá se encontram, embora estejam em condições melhores do que, por exemplo, os que promoveram o ataque à Instituição, descrito por André Luiz.

3 - Estas reencarnações ligadas a esta esfera são provisórias, no sentido dos espíritos terem condições de subir a esferas superiores? Até que ponto isso ocorre?

R - Como disse o assistente Silas, "o inferno para a alma que o erigiu em si mesma é aquilo que a forja constitui para o metal: ali ele se apura e se modela convenientemente...". Assim, as reencarnações ligadas a essas esferas infernais são conseqüências do momento evolutivo dos espíritos que as freqüentam e funcionam como um vaso purificador. O objetivo é sempre a evolução e o espírito somente se livra delas quando consegue se libertar das ações e pensamentos contrários às Leis Naturais, que tem no amor a sua expressão máxima. Como ensinou Jesus: "tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-lho também a eles; porque esta é a lei e os profetas".

4 - Como estes trevosos conseguem tantas armas sofisticadas para atacar a instituição?

R - Podemos resumir com o texto trazido durante o estudo, de autoria de Luiz Gonzaga Peixoto, que explica: "a criação do ambiente espiritual com tudo quanto nele existe, é produto da criação mental dos Espíritos, que o fazem proporcionalmente a seu estado mental-moral-intelectual. O Espírito pode mentalizar uma flor e materializá-la no ambiente. Mas, pode ser que esta seja apenas uma forma, sem a estrutura molecular e celular típica de uma flor. Apresente perfume, colorido e outros detalhes, mas, examinada por um técnico, este poderá constatar a ausência de elementos celulares funcionais, a inexistência dos gametas reprodutores e, mesmo existindo tais estruturas, a disposição genética, a informação que deveria constar em cada gene, não se apresenta."  Como todas as coisas que existem no mundo espiritual, as armas utilizadas por aqueles espíritos agressores são produto de ideoplastia. Recomendamos, a respeito do tema, o estudo do capítulo VIII do Livro dos Médiuns, intitulado "Do laboratório do mundo invisível".

5 - Por que os benfeitores ali os deixam soltos para assim atacarem constantemente a instituição?

R - No mundo espiritual, os espíritos se reúnem por força da lei de afinidade, que, através de um magnetismo, os atrai entre si e os agrupa em determinadas regiões do espaço. Os espíritos que habitam as regiões conhecidas como "trevas" não se encontram ainda em condições de serem atendidos e tratados pelos benfeitores espirituais, face às graves perturbações psíquicas de que ainda são portadores. Por esse motivo, permanecem pelo espaço praticando a única atividade com a qual seus psiquismos permitem uma identificação: o mal. Quando seus psiquismos o permitirem, certamente, serão acolhidos pelas equipes de socorro e levados a alguma instituição de tratamento das muitas que existe no mundo espiritual.

6 - No caso do assassino dos irmãos, o sentimento de culpa é bom ou ruim para a sua recuperação?

R - O arrependimento é o primeiro passo para a reabilitação diante de um erro cometido. O sentimento de culpa já é uma conseqüência do arrependimento e, dessa maneira, um fator positivo para a recuperação daquele que cometeu o equívoco.

É preciso cuidado, porém, para que este sentimento não se cristalize e o imobilize, tornando-se causador de processos depressivos ou de psicoses graves que impediriam os passos seguintes, necessários à reabilitação do faltoso. O sentimento  de culpa e o arrependimento são importantes para o despertamento do espírito, pois lhe abrem o caminho da reabilitação.

Mas não devemos permitir que eles nos acompanhem durante os passos seguintes.

7 - O não conhecimento da vida após a morte contribui para que as pessoas cometam erros?

R - Sem dúvida, o desconhecimento da vida futura ou o conhecimento distorcido ensinado pelas religiões levam o homem à somente valorizar o que é ligado à vida física. O desconhecimento leva ao materialismo e, conseqüentemente, a fazê-lo pensar que tudo pode para satisfazer às necessidades da matéria; a visão equivocada da vida futura leva-o a imaginar que um arrependimento manifestado no momento da morte ou as preces pagas que lhe são dedicadas podem tudo apagar e conduzi-lo a uma vida contemplativa, em ambientes celestiais. Somente o conhecimento da nossa realidade existencial, como espíritos imortais e da continuação da vida após a morte, como conseqüência da vida que levamos no mundo material, pode servir como fator inibidor de práticas contrárias à Lei Maior. Sabedor de que é regido por uma lei de causa e efeito que definirá sua situação após a morte física, o homem, certamente, procurará evitar cometer equívocos que comprometerão sua felicidade futura.


Um grande abraço a todos.

Equipe CVDEE
Sala André Luiz
Coordenação: eqpal@cvdee.org.br