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domingo, 6 de setembro de 2015

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CVDEE - Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo

Estudo das obras de André Luiz

Coordenadores: Sérgio e Lu

Livro: Ação e Reação
Capítulo: 15
Assunto: Anotações oportunas
Estudo - Texto

15 - Anotações oportunas


Os problemas do lar de Ildeu ofereciam-nos ensanchas a preciosos estudos no terreno puro da alma.

Em razão disso, de volta à Mansão em companhia do Assistente, valiamo-nos do tempo para buscar-lhe a opinião clara e sensata, acerca de momentosas questões que nos esfervilhavam a mente.

Hilário foi o primeiro a quebrar a longa pausa, indagando:

- Meu caro Silas, não temos ali, no caso de Roberto e Marcela, um quadro autêntico do chamado complexo de Édipo, que a psicanálise freudiana pretende encontrar na psicologia infantil?

Nosso amigo sorriu e obtemperou:

- O grande médico austríaco poderia ter atingido respeitáveis culminâncias do espírito, se houvesse descerrado uma porta aos estudos da lei de reencarnação.

Infelizmente, porém, atento à pragmática científica, não teve bastante coragem para ultrapassar a observação do campo fisiológico, rigidamente considerado, imobilizando-se, por isso, nas zonas obscuras da inconsciência, em que o "eu" enclausura as experiências que realiza, automatizando os próprios impulsos. Marcela e Roberto não poderiam trair, na condição de mãe e filho, as simpatias carreadas do pretérito ao presente, tanto quanto Ildeu, Sônia e Márcia não conseguiriam fugir à predileção que os ligava desde o passado. O problema é de afinidade em sua estrutura essencial. Afinidade com dívidas, exigindo resgate.

Lembrei-me, então, dos exageros que podemos atribuir à teoria da libido, a energia através da qual, segundo a escola de Freud, o instinto sexual se revela na mente, e teci alguns comentários alusivos ao assunto, detendo-me, de maneira especial, na amnésia infantil, a que o famoso cientista empresta a maior importância para explicar as operações do inconsciente.

Silas, atencioso, completou sem hesitar:

- Bastaria compreender na encarnação terrestre um Espírito usando um corpo para entender que as amnésias decorrem naturalmente da inadaptação temporária entre a alma e o instrumento de que se utiliza. Na infância, o "ego", em processo de materialização, externará reminiscências e opiniões, simpatias e desafetos, através de manifestações instintivas, a lhe entremostrarem o passado, do qual mal se lembrará no  futuro próximo, de vez que estará movimentando a máquina cerebral em desenvolvimento, máquina essa  que deverá servi-lo, tão-só por algum tempo e para determinados fins, ocorrendo idêntica situação na idade provecta, quando as palavras como que se desprendem dos quadros da memória, traduzindo alterações do órgão do pensamento, modificado por desgaste.

- E a tese da libido como fome sexual característica em todos os  viventes? - insisti, curioso.

- Freud - considerou Silas - deve ser louvado pelo desassombro com  que empreendeu a viagem aos mais recônditos labirintos da  alma humana, para descobrir as chagas do sentimento e diagnosticá-las com o discernimento Possível. Entretanto, não pode ser rigorosamente  aprovado, quando pretendeu, de certo modo,  explicar o campo  emotivo das criaturas pela medida absoluta das sensações eróticas.

Confiou-se o Assistente a ligeira pausa e prosseguiu:

- Criação, vida e sexo são temas que se identificam essencialmente entre si, perdendo-se em suas origens no seio da Sabedoria Divina. Por isso, estamos longe de padronizá-los em definições técnicas, inamovíveis. Não podemos, dessa forma, limitar às loucuras humanas a função do  sexo, pois seríamos tão insensatos quanto alguém que pretendesse estudar o Sol apenas por  uma réstia de luz filtrada pela fenda de um telhado. Examinado como força atuante da vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros, porque, então, expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus. O  ajuste entre o oxigênio e o hidrogênio decorrerá desse  princípio,  no plano químico, formando a água de que se alimenta a Natureza. O movimento harmonioso do Sol, equilibrando a família dos mundos, na imensidade  sideral, além de nutrir-lhes a existência, resultará dessa mesma energia no plano cósmico. E a  própria influência do Cristo, que se deixou crucificar em  devotamento a nós outros, seus tutelados na Terra, para fecundar de luz a nossa mente, com vistas  à divina ressurreição, não será, na essência, esse mesmo  princípio, estampado no mais alto teor de sublimação? O sexo, pois, não poderia ausentar-se do  reino espiritual que nos é conhecido, por ser de substância mental, determinando mentalmente as formas em que se expressa. Representa, desse modo,  não uma energia fixa da Natureza, trabalhando a alma, e sim  uma energia variável da alma, com que ela trabalha a Natureza em que evolve,  aprimorando a  si mesma. Apreciemo-la, assim, como sendo uma força do  Criador na criatura, destinada a expandir-se em obras de amor e luz que enriqueçam a  vida, igualmente condicionada à lei de responsabilidade, que  nos rege os destinos.

Hilário, que ouvia atenciosamente as elucidações expostas, considerou:

- Semelhante argumentação dá-nos a entender que a força sexual não se destina simplesmente a gerar filhos...

Não me calou agradavelmente a ponderação que julguei de todo  inoportuna, ante a elevação e a transcendentalidade a que Silas projetara o tema em estudo, mas  o Assistente sorriu bem-humorado e respondeu:

- Hilário, meu amigo, na Terra, é vulgar a fixação do magno assunto no equipamento genital do homem e da mulher.

Contudo, é preciso não esquecer que mencionamos o sexo como força de amor nas bases da vida, totalizando a glória da Criação. Foi ainda Segismundo Freud quem definiu o objetivo do impulso sexual como procura de prazer...  Sim, a assertiva é respeitável, em nos reportando às experiências primárias do Espírito, no mundo físico;  entretanto, é indispensável dilatar a definição para arredá-la do campo erótico em que foi circunscrita. Pela energia criadora do amor que assegura a estabilidade de todo o  Universo, a alma, em se aperfeiçoando, busca sempre os prazeres mais nobres. Temos, assim,  o prazer de ajudar,  de descobrir, de purificar, de redimir, de iluminar, de estudar, de  aprender, de elevar, de construir e toda uma infinidade de prazeres, condizentes com os mais santificantes estágios do Espírito. Encontramos, desse modo, almas que se amam  profundamente, produzindo inestimáveis valores para o engrandecimento do mundo, sem jamais  se tocarem umas nas outras, do ponto de vista fisiológico, embora permutem  constantemente os raios quintessenciados do amor para a edificação das obras a que se  afeiçoam. Sem dúvida, o lar digno, santuário em que a vida se manifesta, na formação de corpos  abençoados para a experiência da alma, é uma instituição venerável, sobre a qual se  concentram as atenções da Providência Divina;  entretanto, junto dele, dispomos igualmente  das associações de seres que se aglutinam uns aos outros, nos sentimentos mais puros, em  favor das obras da caridade e da educação.

As faculdades do amor geram formas sublimes para a encarnação das almas na Terra, mas também criam os tesouros da arte, as riquezas da indústria, as maravilhas da Ciência, as fulgurações do progresso... E ninguém amealha os patrimônios da evolução a sós. Em todas as empresas do acrisolamento moral, surpreendemos Espíritos afins que  se buscam, reunindo as possibilidades que lhes são próprias, na realização de  empreendimentos que levantam a Humanidade, da Terra para o Céu...

Após breve pausa, acentuou:

- O próprio Cristo, Nosso Senhor, para cimentar os alicerces do  seu apostolado de redenção, chamou a si os companheiros da Boa Nova que, embora a princípio  não lhe compreendessem a excelsitude, dele se fizeram apóstolos intimoratos, selando com  o Mestre Inesquecível um contrato de coração para coração, por intermédio do qual lançaram os fundamentos do Reino de Deus na Terra, numa obra de abnegação e sacrifício que  constitui, até hoje, o mais arrojado cometimento do amor no mundo.

Nesse ponto das elucidações que lhe fluíam do verbo afetuoso, permitiu-se o Assistente mais longo intervalo.

Percebendo, porém, que estimaríamos ouvi-lo mais amplamente sobre  o sexo, qual é concebido entre os homens, de forma a enfileirar conclusões  adequadas aos nossos estudos de causa e efeito, voltou a dizer:

- Tais considerações que expendemos, acerca de um tema assim tão  vasto, externando-nos do ângulo mais elevado que a nossa mente é suscetível de abarcar, não  nos dispensam do dever de exaltar a necessidade de sublimação da experiência emotiva entre as criaturas. Sabemos que o sexo,  analisado na essência, é a soma das qualidades femininas ou masculinas que caracterizam a mente, razão por que é imprescindível observá-lo,  do ponto de vista espiritual,  enquadrando-o na esfera das concessões divinas que nos cabe movimentar com respeito e rendimento na produção do bem.

Entendo que vocês desejariam  efetuar mais longa digressão educativa nesse domínio, entretanto, cremos desnecessário minudenciar particularidades ao redor do assunto, porque conhecem de sobejo que, quanto mais amplo o discernimento do Espírito,  mais imperiosas se lhe fazem as obrigações,  perante a vida. O sexo no corpo humano é assim como um altar de  amor puro que não podemos relegar à imundície, sob pena de praticar as mais espantosas crueldades mentais, cujos efeitos nos seguem, invariáveis, depois do túmulo...

Meu colega, que ardia no anseio de intensificar indagações,  inquiriu, respeitoso:

- Silas amigo, assistimos no mundo a todo um acervo de conflitos  sentimentais que, por vezes, culminam em pavorosa  delinqüência... Homens que renegam os sagrados compromissos do lar, mulheres que desertam dos deveres nobilitantes para com a família... Pais que abandonam os filhos...  Mães que rejeitam rebentos mal nascidos, quando os não assassinam covardemente... Tudo isso em razão da sede dos prazeres sexuais que, não raro, lhes situam os passos  nas sendas tenebrosas do crime... Todas essas falhas acompanham o Espírito, além da armadura de carne que a morte consome?

- Como não? - respondeu o Assistente, tristonho. - Cada consciência é uma criação de Deus e cada existência é um elo  sagrado  na corrente da vida em que Deus palpita e se manifesta. Responderemos por todos os golpes destrutivos que  vibramos nos corações alheios e não nos permitiremos repouso  enquanto não consertarmos, valorosos, o serviço de reajuste.

Impressionado, meu companheiro persistiu:

- Imaginemos que um homem tenha conduzido uma jovem à comunhão  sexual com ele, à caça de mero prazer dos sentidos,  prometendo-lhe matrimônio digno, para abandoná-la vilmente ao próprio desencanto, depois de saciado em  seus desejos... A pobre criatura, desenganada,  sem recursos  para refugiar-se no trabalho respeitável,  entrega-se ao meretrício. O homem é responsável pelos desatinos  que a infelicitada companheira venha a praticar,  compreendendo-se que ele não terá marchado sozinho para semelhante aventura?

- É preciso reconhecer que todos responderemos pelos atos que efetuamos - explicou o interlocutor contudo, no caso em foco, se o homem não é responsável pelos delitos em que venha a falir a mulher desventurada, é ele, inegavelmente, o autor da desdita em que ela se encontra. E, em desencarnando com o remorso da traição praticada, quanto mais luz se lhe faça no entendimento mais agudo lhe será o pesar de haver cometido a falta.

Trabalhará, naturalmente, para levantá-la do abismo a que ela se arrojou por segui-lo, confiante, e reconduzi-la-á à reencarnação, em cujos liames se demorará, aceitando-a por esposa ou filha, de modo a entregar-lhe o puro amor prometido, sofrendo para regenerar-lhe a mente em desequilíbrio e resgatando a sua consciência entenebrecida pela culpa.

- Da mesma forma - aduziu Hilário -, notamos na sociedade terrestre homens arruinados por mulheres desleais que os precipitaram na criminalidade e no vício...

- O processo da reparação é absolutamente o mesmo. A mulher que lançou o companheiro nas sombras do mal, em despertando à luz do bem, não descansará, enquanto não o reerguer para a dignidade moral, diante das Leis de Deus. Quantas mães vemos no mundo, engrandecidas pela dificuldade e pela renúncia, morrendo cada dia, entre a aflição e o sacrifício, para cuidar de filhos monstruosos que lhes torturam a alma e a carne? Em muitos desses quadros terríveis e emocionantes, oculta-se, divino, o labor da regeneração que só o tempo e a dor conseguem realizar.

- Tudo isso, meu amigo - tornou Hilário com manifesta amargura -, nos obriga a reconhecer que, nas falhas do campo genésico,  temos a considerar, acima de tudo, a crueldade mental que praticamos em nome do amor...

- Isso mesmo - aprovou o Assistente. - Na perseguição ao prazer  dos sentidos, costumamos armar as piores ciladas aos corações incautos que nos ouvem...

Contudo, fugindo à palavra empenhada ou faltando aos compromissos e votos que assumimos, não nos precatamos quanto à lei de correspondência, que nos devolve, inteiro,  o mal que praticamos e em cuja intimidade as bênçãos do conhecimento superior nos agravam as agonias, de vez que,  no esplendor da luz espiritual, não nos perdoamos pelas nódoas e chagas que trazemos na alma. Isso, para não falar dos crimes passionais, perpetrados na sociedade humana,  todos os dias, pelos abusos das faculdades sexuais,  destinadas a criar a família, a educação, a beneficência, a arte e a beleza entre os homens. Esses abusos são responsáveis não apenas por largos tormentos nas regiões infernais, mas também por muitas moléstias e monstruosidades que ensombram a vida terrestre, porquanto os delinqüentes do sexo, que operaram o homicídio, o infanticídio, a loucura, o suicídio, a falência e o esmagamento dos outros, voltam à carne, sob o impacto das vibrações desequilibrantes que puseram em ação contra si próprios, e são, muitas vezes, as vítimas da mutilação congênita, da alienação mental, da paralisia, da senilidade precoce, da obsessão enquistada, do câncer infantil, das enfermidades nervosas de variada espécie, dos processos patogênicos inabordáveis e de todo um cortejo de males,  decorrentes do trauma perispirítico que, provocando desajustes nos tecidos sutis da alma, exige longos e complicados serviços de reparação a se exteriorizarem com o nome de inquietação, angústia, doença, provação,  desventura, idiotia, sofrimento e miséria. Aliás, muito antes da pompa terminológica das escolas  psicanalíticas modernas, que se permitem arrojadas conjeturas em  torno das flagelações mentais, há quase vinte séculos ensinou-nos Jesus que "todo aquele que comete o mal é escravo do mal"

(9) e podemos acrescentar que, para sanar o mal, a que houvermos escravizado o coração, é imprescindível sofrer a purgação que o extirpa.

(9) Evangelho de João, 8:34. - (Nota do Autor espiritual.)

A conversação como que esmorecia, no entanto, Hilário, interessado  em dirimir as dúvidas que lhe escaldavam a cabeça, tomou  novamente a palavra e indagou, sem preâmbulos:

- E os problemas inquietantes da inversão?

Silas deu-se pressa em aclarar:

- Não será preciso alongar elucidações. Considerando-se que o  sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher, e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem. Contudo, em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os  direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal  ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos  agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto  íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira,  filha e mãe, diante de Deus, ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o  homem à devassidão e à delinqüência, cria para si mesma  terrível alienação mental para além do sepulcro,  requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor. Nessa definição, porém, não incluímos os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias, reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais recônditos  sentimentos, posição solicitada por eles próprios, no intuito de  operarem com mais segurança e valor, não só o acrisolamento moral de si mesmos, como também a execução  de tarefas especializadas,  através de estágios perigosos de  solidão, em favor do campo social terrestre que se lhes vale da renúncia construtiva para acelerar o  passo no entendimento da vida e no progresso espiritual.

Compreendemos que Silas se desincumbira brilhantemente da tarefa de esclarecer-nos, condensando, em palavras singelas, luminosa síntese de vasto assunto que, decerto,  em nossa conceituação exigiria vários compêndios para ser devidamente analisado.

Meu colega, contudo, como quem desejava estudar todas as questões  tangentes, voltou a interrogar:

- Já que nos detemos, em matéria de sexologia, na lei de causa e  efeito, como interpretar a atitude dos casais que evitam os  filhos, dos casais dignos e respeitáveis, sob todos os pontos de vista, que sistematizam o uso dos anticoncepcionais?

Silas sorriu de modo estranho e falou:

- Se não descambam para a delinqüência do aborto, na maioria das  vezes são trabalhadores desprevenidos que preferem poupar o  suor, na fome de reconforto imediatista.

Infelizmente para eles, porém, apenas adiam realizações sublimes,  às quais deverão fatalmente voltar, porque há tarefas e  lutas em família que representam o preço inevitável de nossa regeneração. Desfrutam a existência,  procurando inutilmente enganar a si mesmos, no entanto, o tempo  espera-os, inexorável, dando-lhes a conhecer que a redenção nos pede esforço máximo. Recusando acolhimento a novos  filhinhos, quase sempre programados para eles antes da  reencarnação, emaranham-se nas futilidades e preconceitos das experiências de subnível, para acordarem,  depois do túmulo, sentindo frio no coração...

- E o aborto provocado, Assistente? - inquiriu Hilário,  sumamente  interessado. - Diante da circunspecção com que a sua  palavra reveste o assunto, é de se presumir seja ele falta grave...

- Falta grave?! Será melhor dizer doloroso crime. Arrancar uma  criança ao materno seio é infanticídio confesso. A mulher que  o promove ou que venha a coonestar semelhante delito é constrangida, por leis irrevogáveis, a sofrer alterações deprimentes no centro genésico de sua alma,  predispondo-se geralmente a dolorosas enfermidades, quais sejam a metrite, o vaginismo,  a metralgia, o enfarte uterino, a tumoração cancerosa,  flagelos esses com os quais, muita vez, desencarna, demandando o Além para responder, perante a Justiça Divina,  pelo  crime praticado. É, então, que se reconhece rediviva, mas  doente e infeliz, porque, pela incessante recapitulação mental do ato abominável, através do remorso,  reterá por tempo longo a degenerescência das forças genitais.

- E como se recuperará dos lamentáveis acidentes dessa ordem?

O Assistente pensou por momentos rápidos e acrescentou:

- Imaginem vocês a matriz mutilada ou deformada, na mesa da cerâmica. Decerto que o oleiro não se utilizará dela para a modelagem de vaso nobre, mas aproveitar-lhe-á o concurso em experimentos de segunda e terceira classe... A mulher  que corrompeu voluntariamente o seu centro genésico receberá de futuro almas que viciaram a forma que lhes é peculiar, e será mãe de criminosos e suicidas, no campo da reencarnação, regenerando as energias sutis do perispírito,  através do sacrifício nobilitante com que se devotará aos filhos torturados e infelizes de sua carne, aprendendo a orar, a servir com nobreza e a mentalizar a  maternidade pura e sadia, que acabará reconquistando ao preço de sofrimento e trabalho justos...

Inexplicavelmente, Hilário emudeceu e, à face da lógica em que se  baseavam as anotações de Silas, não tive coragem de prosseguir perguntando, absorvido então pelo temor de aprofundar em excesso num terreno em que terminaria por esbarrar nos detritos de meus próprios erros, preferindo,  assim, o silêncio para reaprender e pensar.

 Questões iniciais

O capítulo 15 nos traz muitas reflexões em torno de relacionamentos afetivos, do sexo, da gravidez, do aborto... E estes são temas que corriqueiros, que estão inseridos no nosso dia-a-dia, vamos verifica então alguns pontos?  

1) Comente e justifique seu entendimento sobre  as seguintes assertivas do Instrutor:

1a) "O problema é de afinidade em sua estrutura essencial. Afinidade com dívidas, exigindo resgate."

1b) "Bastaria compreender na encarnação terrestre um Espírito usando um corpo para entender que as amnésias decorrem naturalmente da inadaptação temporária entre a alma e o instrumento de que se utiliza."

1c) "Criação, vida e sexo são temas que se identificam essencialmente entre si, perdendo-se em suas origens no seio da Sabedoria Divina."

1d) "Examinado como força atuante da vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros, porque, então, expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus."

2) Como devemos entender o sexo perante a vida ?

3) Como devemos entender o sexto perante os homens?

4) Qual a responsabilidade do uso do sexo perante o relacionamento afetivo ?

5) Como entender e verificar as consequências para o Espírito peranto as delinqüencias do sexo?

6) O que é e como entender os problemas  da inversão?

7) Como interpretar  a atitude dos casais que evitam os  filhos, dos casais dignos e respeitáveis, sob todos os pontos de vista, que sistematizam o uso dos anticoncepcionais? Incluindo aqui não só os anticoncepcionais, mas tb as laqueaduras e as vasectomias? as pilulas do dia seguinte?

8) Comente sobre o aborto e suas consequências.

Conclusão:

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

O capítulo 15 nos traz muitas reflexões em torno de relacionamentos afetivos, do sexo, da gravidez, do aborto...
E estes são temas corriqueiros, que estão inseridos no nosso dia-a-dia. Vamos verificar então alguns pontos?

1) Comente e justifique seu entendimento sobre as seguintes assertivas do Instrutor:

1a) "O problema é de afinidade em sua estrutura essencial. Afinidade com dívidas, exigindo resgate."
   
R - O assistente Silas respondia a uma indagação de Hilário sobre a origem dos sentimentos afetivos que uniam Roberto e Marcela, filho e mãe naquela encarnação e companheiros num relacionamento amoroso no passado. Roberto, era rejeitado por Ildeu, seu pai, que outrora o assassinara. Ildeu se tinha afinidade com as filhas, Sônia e Márcia, jovens por ele seduzidas e levadas à decadência moral na existência pretérita. Como explicou Silas, a causa da divisão daquele grupo familiar conforme eram as afinidades criadas no passado e que geraram dívidas que estavam a exigir resgates.

1b) "Bastaria compreender na encarnação terrestre um Espírito usando um corpo para entender que as amnésias decorrem naturalmente da inadaptação temporária entre a alma e o instrumento de que se utiliza."
   
R - As amnésias infantis, utilizadas pela psicanálise para explicar as manifestações do inconsciente, podem ser facilmente compreendidas, se conhecidos os mecanismos da reencarnação. Na infância, os órgãos físicos, ainda não completamente desenvolvidos, impede o espírito de se manifestar livremente. Ele se manifesta conforme os instrumentos de que dispõe. Como explicou Silas, trata-se de uma conseqüência da inadaptação temporária entre o espírito e o corpo. Nesta fase, o espírito, que a ciência fisiológica conhece como inconsciente, exterioriza manifestações instintivas, que refletem o seu passado, através dos sentimentos, opiniões, simpatias e antipatias cultivadas em existências pretéritas.
   
1c) "Criação, vida e sexo são temas que se identificam essencialmente entre si, perdendo-se em suas origens no seio da Sabedoria Divina."
   
R - Criação, vida e sexo são questões que estão intimamente interligadas, não nos sendo possível, por enquanto, diferenciá-las sem corrermos o risco de adotar definições imprecisas ou equivocadas. São variações da obra da Criação.

1d) "Examinado como força atuante da vida, à face da criação incessante, o sexo, a rigor, palpitará em tudo, desde a comunhão dos princípios subatômicos à atração dos astros, porque, então, expressará força de amor, gerada pelo amor infinito de Deus."
   
R - O sexo é força atuante da vida, expressando a força do amor infinito de Deus. Como tal, podemos encontrá-lo em tudo o que se refere à Criação, embora em planos distintos. Silas exemplifica como a combinação entre o oxigênio e o hidrogênio, no plano químico, da qual resultará a água. Necessária para alimentar a Natureza, é um exemplo da força gerada pelo amor do Criador às suas criaturas.

2) Como devemos entender o sexo perante a vida?
   
R - Segundo o assistente, o sexo é uma energia que expressa "uma força do Criador na criatura, destinada a expandir-se em obras de amor e luz que enriqueçam a vida, ...". Como força atuante da vida, a rigor, está em tudo. Num planeta ainda no patamar de provas e de expiações, como a Terra, destinado à encarnação de espíritos impuros, o sexo é visto apenas sob o ponto de vista fisiológico, isto é, um impulso sexual objetivando a procura de prazer, como entendeu Freud. Contudo, esclarece Silas, é preciso compreender o sexo "como força de amor nas bases da vida, totalizando a glória da Criação." Sendo a energia criadora do amor, assegura a estabilidade de todo o Universo. À medida que o espírito evolui, a utilização desta energia vai se afastando das práticas puramente fisiológicas para se aproximar de outras, de natureza espiritual, como de ajudar o semelhante, de estudar, de aprender, de elevar, de redimir-se, em favor das obras da caridade e da educação. Enfim, de se dedicar a um tipo de prazer que melhor condiz com o estágio cada vez menos impuro do espírito.

3) Como devemos entender o sexo perante os homens?
   
R - Como dissemos, do ponto de vista terreno, ainda não evoluímos para um patamar que nos permita ver a questão do sexo sob a mesma ótica de Silas. Nossa visão sobre o tema ainda é vulgar, limitando-se ao campo puramente físico. É um impulso propiciador de prazer, como definiu Freud, sem considerar a natureza espiritual do homem.

4) Qual a responsabilidade do uso do sexo perante o relacionamento afetivo?
   
R - O sexo, no corpo humano, é assim como um altar de amor que não podemos relegar à imundície, explicou Silas. Sendo assim, os compromissos gerados com a formação de um lar, os compromissos assumidos perante os filhos, filhos que são rejeitados ainda no ventre materno, são situações que, criadas em razão da sede dos prazeres sexuais, levam o espírito para o campo onde se situam os que assumem débitos por tenebrosos crimes, que os acompanham ainda após o abandono do corpo físico.

5) Como entender e verificar as conseqüências para o espírito perante as delinqüências do sexo?
   
R - A responsabilidade pelo uso das energias sexuais ultrapassam a barreira do túmulo, produzindo efeitos que seguem o espírito na vida espiritual, podendo se refletir, ainda, em reencarnações futuras. Como em todos os aspectos da vida, através do mecanismo da lei de causa e efeito, sempre haveremos de responder pelas nossas ações que venham atingir os corações alheios, causando sofrimentos ao nosso semelhante, qualquer que seja a posição em que se situe diante de nós.

6) O que é e como entender os problemas da inversão?
   
R - O espírito não tem sexo, como o entendemos, pois que o sexo depende de uma organização física. Tem, isto sim, aptidão para ambos os sexos, sendo os mesmos os espíritos que reencarnam ora num corpo masculino, ora num corpo feminino, sempre de acordo com as suas necessidades evolutivas. A inversão da polaridade sexual é necessária, pois cabe ao espírito progredir em tudo. Cada sexo lhe proporciona novas experiências, novas provações e deveres, possibilitando, com isso, o aprendizado indispensável à sua evolução. Como explica Kardec, no Livro dos Espíritos, se somente reencarnasse num determinado sexo, como homem ou como mulher, não aprenderia o que somente o outro sexo ensina.

Pode resultar desta inversão da polaridade sexual dar-se por necessidade do espírito expiar alguma falta do passado, reencarnando no sexo oposto ao do seu psiquismo. Como, por exemplo, conforme explicou o assistente, um espírito que, em existência pretérita, tenha abusado de seu corpo físico para se prevalecer de pessoa de outro sexo, através da força ou feito mau uso da sensualidade. Esse espírito pode vir numa encarnação futura em outro sexo, como forma de aprender a valorizá-lo.

Uma outra hipótese mencionada por Silas, em que também pode ocorrer a inversão da polaridade sexual, se dá quando o espírito recebe uma missão especial e que, objetivando agir com maior segurança, através de uma existência solitária e dedicada inteiramente ao cumprimento desta missão, solicita a inversão da polaridade sexual, sujeitando-se a uma abstinência total neste campo .

7) Como interpretar a atitude dos casais que evitam os  filhos, dos casais dignos e respeitáveis, sob todos os pontos de vista, que sistematizam o uso dos anticoncepcionais, incluindo aqui não só os anticoncepcionais, mas também as laqueaduras e as vasectomias? E as pílulas do dia seguinte?
   
R - Esta é uma questão que ainda desperta muitas controvérsias. Como tudo na vida, também nesta questão havemos que buscar o equilíbrio. A abordagem do assistente relativa a esta questão deve ser interpretada à luz da razão e do bom senso. A condenação de Silas a casais que praticam a evitação de filhos deve ser entendida em sua relatividade e não de modo absoluto, levando-se em conta, principalmente, a intenção.

Sabemos que, ao reencarnar, o espírito pode trazer compromissos neste campo. No entanto, é preciso entender que este não é o objetivo único da reencarnação. A procriação, dando oportunidade reencarnatória a um espírito que necessita voltar à vida física para continuar sua evolução, é uma das tarefas que podemos trazer para a nova passagem pela carne. Porém, não a única. O esquecimento do passado não nos permite recordar com clareza estes compromissos. Eles nos chegam em forma de intuição. Devemos, assim, orar ao nosso espírito protetor e aos benfeitores amigos que nos intuam, para que possamos tomar a decisão
correta, ao nos decidirmos por ter ou não filhos.

Quanto aos métodos contraceptivos, entendemos admissíveis, desde que se mostrem realmente preventivos, ou seja, que produza efeitos antes que se dê a união do espírito ao novo corpo em formação, pois, do contrário, estaria caracterizada uma ação abortiva.

8) Comente sobre o aborto e suas conseqüência.
   
R - O aborto foi enquadrado por Silas como "doloroso crime". Segundo o assistente, ao consentir com a sua prática, a mãe assume grave débito para com as Leis Naturais, o que, por força da lei de causa e efeito, será constrangida a se reequilibrar por meio de alterações dolorosas que sofrerá no centro genésico de seu perispírito, predispondo-a a enfermidades de natureza genéticas, nos órgãos responsáveis pela atuação do organismo físico neste campo. Assumem, também, grave compromisso de reajuste todos os que contribuírem para o ato, como o pai e o médico que o praticar.

Um grande abraço a todos

Equipe CVDEE
Sala André Luiz

Coordenação: eqpal@cvdee.org.br