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domingo, 9 de outubro de 2016

*A GÊNESE*

CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA  (V)
Por ALLAN KARDEC,  

*CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA  (V)*

*OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO*

           As ciências todas resultam da evolução do pensamento e compreensão das coisas pela investigação e observação dos fenômenos naturais. Assim, as atuais são oriundas das antigas formas de pensar. Por isso, a Astronomia tem por irmã mais velha a Astrologia judiciária, ainda não muito distante de nós; a Química é filha da Alquimia e com esta, nenhum homem sensato hoje se ocuparia. Ninguém, no entanto, nega que na Astrologia e na Alquimia estivessem os germens das ciências atuais. Apesar de suas ridículas formulas a Alquimia encaminhou a descoberta dos corpos simples e da lei das afinidades. A Astrologia se apoiava na posição e no movimento dos astros que estudara; mas na ignorância das verdadeiras leis que regem o mecanismo do Universo o astros eram, para o vulgo, seres misteriosos, aos quais a superstição atribuía uma influência moral e um sentido revelador. Quando Galileu, Newton e Kepler tornaram conhecidas essas leis, quando o telescópio rasgou o véu e mergulhou nas profundezas do espaço um olhar que algumas criaturas acharam indiscreto, os planetas apareceram como simples mundos semelhantes ao nosso e todo o castelo maravilhoso desmoronou.

           Hoje os detratores do Espiritismo, talvez por ignorância, acusam-no de parentesco com a magia e a feitiçaria esquecidos de que estas também se apoiavam na manifestação dos Espíritos, como a Astrologia no movimento dos astros, porém elas, também por ignorância das leis que regem o mundo espiritual, misturavam, com essas relações, práticas e crenças ridículas, com as quais o moderno Espiritismo, fruto da experiência e da observação, acabou. Certamente, *a distância que separa o Espiritismo da magia e da feitiçaria é maior do que a que existe entre a Astronomia e a Astrologia, entre a Química e a Alquimia. Confundi-las é provar que de nenhuma se sabe nada.*
           
O simples fato, porém, de poder o homem comunicar-se com os seres do mundo espiritual traz conseqüências incalculáveis da mais alta gravidade; é todo um mundo novo que se nos revela e que tem tanto mais importância, quanto a ele hão de voltar todos os homens, sem exceção.

           O conhecimento de tal fato não pode deixar de acarretar, profunda e geral modificação nos costumes, caráter, hábitos, assim como nas crenças que tão grande influência exerceram sobre as relações sociais.

           É uma revolução completa a operar-se nas idéias, que se mostra muito maior e poderosa por não se circunscrever a um único povo ou uma única casta pois que atinge, simultaneamente, pelo coração, todas as classes, todas as nacionalidades, todos os cultos.

           Por essas razões, o Espiritismo pode ser considerado como a terceira das grandes revelações.

           Moisés, como profeta, revelou aos homens a existência de um Deus único, Soberano Senhor e Orientador de todas as coisas; promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé. Como homem foi legislador do povo pelo qual, essa primitiva fé , purificando-se, havia de espalhar-se por sobre a Terra.

           O Cristo, tomando da antiga lei o que é eterno e divino, rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que Moisés não falara, assim como das recompensas e penas que aguardam o homem após a sua morte.

           O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é conseqüência direta da sua doutrina. À idéia vaga da vida futura acrescenta a revelação da existência do mundo invisível, que nos rodeia e povoa o espaço e com isso dá precisão e corpo à crença, uma consistência, uma realidade à idéia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo o homem sabe donde vem, para onde vai, porque está na Terra, porque sofre temporariamente e vê, por toda parte, a justiça de Deus.

*Denizart Castaldeli* 
Novembro / 2001.