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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

*CEU E O INFERNO 076 2a PARTE*

*TEXTO PARA ESTUDO*

*ANGÈLE, nulidade sobre a Terra (Bordéus, 1862)*

Com este nome, um Espírito se apresentou espontaneamente ao médium.

1. - Arrependei-vos das vossas faltas?

R. Não.

- P. Então por que me procurais?

R. Para experimentar.

P. Acaso não sois feliz?

R. Não.

- Por que Sofreis?

R. Não.

P. Que vos falta, pois?

R. A paz.

*Nota* - Certos Espíritos só consideram sofrimento o que lhes lembra as suas dores físicas, convindo, não obstante, ser intolerável o seu estado moral.

2. - Como pode faltar-vos a paz na vida espiritual?

R. Uma mágoa do passado.

P. A mágoa do passado é remorso; estareis, pois, arrependida?

R. Não; temor do futuro é o que experimento.

P. Que temeis?

R. O desconhecido.

3. - Estais disposta a dizer-me o que fizestes na última encarnação? Isso talvez me facilite a orientar-vos.

R. Nada.

4. - Qual a vossa posição social?

R. Mediana.

P. Fostes casada?

R. Sim; fui esposa e mãe.

P. E cumpristes zelosa os deveres decorrentes desse duplo encargo?

R. Não; meu marido entediava-me, bem como meus filhos.

5. - E de que modo preenchestes a existência?

R. Divertindo-me em solteira e enfadando-me como mulher.

P. Quais eram as vossas ocupações?

R. Nenhuma.

P. E quem cuidava da vossa casa?

R. A criada.

6. - Não será cabível atribuir a essa inércia a causa dos vossos pesares e temores?

R. Talvez tenhais razão. Mas não basta concordar.

P. Quereis reparar a inutilidade dessa existência e auxiliar os Espíritos sofredores que nos cercam?

R. Como?

P. Ajudando-os a aperfeiçoarem-se pelos vossos conselhos e pelas vossas preces.

R. Eu não sei orar.

P. Fá-lo-emos juntos e aprendereis. Sim?

R. Não.

P. Mas por quê?

R. Cansa.

*Instruções do guia do médium*

Damos-te instrução, facultando-te o conhecimento prático dos diversos estados de sofrimento, bem como da situação dos Espíritos condenados à expiação das próprias faltas.

Angèle era uma dessas criaturas sem iniciativa, cuja existência é tão inútil a si como ao próximo. Amando apenas o prazer, incapaz de procurar no estudo, no cumprimento dos deveres domésticos e sociais as únicas satisfações do coração, que fazem o encanto da vida, porque são de todas as épocas, ela não pôde empregar a juventude senão em distrações frívolas; e quando deveres mais sérios se lhe impuseram, já o mundo se lhe havia feito um vácuo, porque vazio também estava o seu coração. Sem faltas graves, mas também sem méritos, ela fez a infelicidade do marido, comprometendo pela sua incúria e desleixo o futuro dos próprios filhos.

Deturpou-lhes o coração e os sentimentos, já por seu exemplo, já pelo abandono em que os deixou, entregues a fâmulos, que ela nem sequer se dava ao trabalho de escolher. A sua existência foi improfícua e, por isso mesmo, culposa, visto que o mal é oriundo da negligência do bem. Ficai bem certos de que não basta abstervos de faltas: é preciso praticar as virtudes que lhes são opostas.
Estudai os ensinamentos do Senhor; meditai-os e compenetrai-vos de que eles, se vos fazem estacar na senda do mal, também vos impõem voltar atrás, a fim de tomardes o caminho oposto que conduz ao bem. O mal é a antítese do bem; logo, quem quiser evitar o primeiro deve seguir o segundo, sem o qual a vida se torna nula, mortas as suas obras, e Deus, nosso pai, não é o Deus dos mortos, mas dos vivos.

- P. Ser-me-á permitido saber qual teria sido a penúltima existência de Angèle?
A última deveria ter sido conseqüência dela, isto é, da penúltima.

- R. Ela viveu na indolência beatífica, na inutilidade da vida monástica. Preguiçosa e egoísta por gosto, quis experimentar a vida doméstica, mas seu Espírito pouco progrediu.

Sempre repeliu a voz íntima que lhe apontava o perigo, e, como a propensão era suave, preferiu abandonar-se a ela, a fazer um esforço para sustá-la em começo.
Hoje ainda compreende o perigo dessa neutralidade, mas não se sente com forças para tentar o mínimo esforço. Orai por ela, procurai despertá-la e fazer que seus olhos se abram à luz. É um dever, e dever algum se despreza.
O homem foi criado para a atividade; a atividade do Espírito é da sua própria essência; e a do corpo, uma necessidade.

Cumpri, portanto, as prescrições da existência, como Espírito votado à paz eterna. A serviço do Espírito, o corpo mais não é que máquina submetida à inteligência: trabalhai, cultivai, portanto, a inteligência, para que dê salutar impulso ao instrumento que deve auxiliá-la no cumprimento de sua missão. Não lhe concedais tréguas nem repouso, tendo em mente que essa paz a que aspirais não vos será concedida senão pelo trabalho. Assim, quanto mais protelardes este, tanto mais durará para vós a ansiedade de espera.

Trabalhai, trabalhai incessantemente; cumpri todos os deveres sem exceção, isto com zelo, com coragem, com perseverança.

A fé vos alentará. Todo aquele que desempenha conscientemente o papel mais ingrato e vil da vossa sociedade, é cem vezes mais elevado aos olhos do Onipotente do que aquele que, impondo esse papel aos outros, despreza o seu.
Tudo é degrau que dá acesso ao céu: não quebreis a lápide sob os pés e contai com o concurso de amigos que vos estendem a mão, sustentáculos que são dos que vão haurir suas forças na crença do Senhor.
Monod.

*QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO*

1.Por que o trabalho é tão importante ao espírito?

2.Em que consiste a Lei do Trabalho?

Consulta recomendada: Livro dos Espíritos, parte 3 - Das Leis Morais

*Conclusão:*

1.Em se tratando do espírito encarnado ou desencarnado, a Lei funciona de igual modo, o que muda é o relativo ao corpo físico quando somos novamente apenas espíritos, ou seja, a ociosidade, tanto aqui na Terra, como na espirtualidade, é contrária à Lei de Deus:

"O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos." (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 674.)

"Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações. Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que se concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso." (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XVI, item 7.)

2.DA LEI DO TRABALHO

A necessidade do trabalho é lei da natureza, isto é, é intrínseco no homem ter que trabalhar, para desenvolver o seu potencial intelectual e moral. Tanto é trabalho o do corpo quanto o da inteligência e, como resultado, temos uma aplicação moral desse trabalho, revertendo para o próprio indivíduo e para aqueles que o cercam, aumentando o seu património material e espiritual, do qual deve usufruir para a sua felicidade.

Enquanto o trabalho animal é puramente instintivo e condicionado, o do homem é racional e criativo, permitindo-lhe desenvolver os seus potenciais divinos, pois não visa apenas a conservação do corpo e os bens materiais. O homem evoluído faz do trabalho um meio para atingir os seus fins espirituais de socialização.
O trabalho existe em função das necessidades que, quanto menos materiais forem mais, inclinam o homem para um trabalho menos penoso sob o ponto de vista físico. As necessidades materiais exigem um trabalho material, as espirituais um espiritual.

Quanto mais meios o homem possui para a sua manutenção e sustento mais obrigação moral tem de ser útil aos semelhantes, pois usar o que possui só para o seu gozo, caracteriza-o como egoísta e involuído. A posse de bens que extrapolem as suas necessidades obriga-o a ser útil aos semelhantes, sob pena de converter-se num entrave para o progresso moral e social do meio e da sociedade em que vive, podendo, de futuro, encontrar-se impossibilitado de desenvolver uma função voluntariamente desprezada, tendo que viver às expensas do trabalho alheio, sofrendo o peso dos limites que ele mesmo procurou.

Na sociedade actual, o trabalho dos pais a favor dos filhos (de uma maneira geral de uma geração anterior para uma sucessora) deve receber, como recíproca, uma acção de ajuda mútua, estabelecendo uma cadeia natural de trocas, que estabilize a sociedade. O mais velho ajudando a criança a ser adulta; esta, alcançando a maturidade e o seu mais alto potencial produtivo, deverá ajudar e amparar os que por ela tanto fizeram, e voltar-se também para as novas gerações, que precisam de ajuda e exemplos, e assim sucessivamente.

*LIMITE DO TRABALHO - REPOUSO*

O repouso, além de ter um papel na reparação das energias físicas, também serve como elemento importante na indução do espírito a procurar a liberdade da inteligência, alcançando a vertente da criatividade, fugindo, assim, do estreito anel das condições reflexas e limitantes de um trabalho rotineiro.
O limite do trabalho é o das forças e todo o abuso que se cometa será considerado suicídio indirecto, se for autonomamente imposto pelo próprio interessado, ou escravidão vil, se da responsabilidade de um terceiro. Tanto uma como a outra atitude configuram uma transgressão da lei de Deus.

Num meio social que leva em conta a lei de produção e consumo uma faixa etária nova é responsável pelo trabalho que assegura o bem-estar dos mais velhos, que já não podem produzir, mas que têm o direito de viver e gozar dignamente a sua velhice, e também é responsável pela educação dos mais novos, que se prepararam para contribuir a favor da sociedade e do mundo. Por isso é que a lei da reprodução é importante na manutenção deste fluxo interminável, do qual são geradas as sociedades e a própria humanidade. (fonte: Portal do espírito)