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terça-feira, 23 de junho de 2015

09  esboço de o livro dos médiuns
26=33
É RACIONAL TEMER OS LUGARES ASSOMBRADOS PELOS ESPÍRITOS?
QUAL O MELHOR MEIO DE EXPULSAR OS MAUS ESPÍRITOS?
Natureza das Comunicações

Natureza das Comunicações
133 Dissemos que todo efeito que revela em sua causa um ato de livre vontade, por mais insignificante que seja, demonstra, por esse fato, uma causa inteligente. Assim, um simples movimento de uma mesa que responde ao nosso pensamento ou que apresenta um sinal ou uma ação independente, própria, deve ser considerado uma manifestação inteligente. Se o resultado ficasse limitado a isso, não haveria para nós senão um interesse bastante secundário. Entretanto, já seria alguma coisa, ao nos dar a prova de que existem nesses fenômenos mais do que uma ação puramente material; mas a utilidade prática que daí decorresse seria para nós nula ou pelo menos muito restrita. O mesmo não acontece quando essa inteligência revela um desenvolvimento que permite uma troca regular de ideias seguida de pensamentos. Não são mais simples manifestações inteligentes, mas verdadeiras comunicações. Os meios de que dispomos hoje permitem que as obtenhamos tão extensas, tão claras e tão rápidas quanto as que efetuamos com as pessoas.
Se compreendermos bem a Escala Espírita (Veja em O Livro dos Espíritos, questão no 100), sobre a variedade infinita que existe de Espíritos no que se refere à inteligência e à moralidade, entenderemos facilmente a diferença que existe em suas comunicações; elas refletem a elevação ou a inferioridade de suas ideias, seu saber ou sua ignorância, seus vícios ou suas virtudes; numa palavra, elas não devem ser tão diferentes quanto as dos homens, desde o selvagem até o sábio mais esclarecido. Todas as nuanças que elas apresentam podem se agrupar em quatro categorias principais; de acordo com suas características mais acentuadas, podem ser: grosseiras, frívolas, sérias ou instrutivas.
134 As comunicações grosseiras são todas aquelas cujas expressões chocam as pessoas. Elas provêm de Espíritos maus, atrasados e infelizes, ainda ligados a todas as impurezas da matéria, e não diferem em nada das que poderiam ser dadas por homens viciados e grosseiros. Elas repugnam toda pessoa que tem a menor delicadeza de sentimento, porque são, conforme o caráter dos Espíritos, triviais, desprezíveis, obscenas, insolentes, arrogantes, malévolas e até mesmo induzem ou pregam a descrença.
135 As comunicações frívolas emanam de Espíritos levianos, zombeteiros e brincalhões, mais maliciosos do que maus, que não dão nenhuma importância ao que dizem. Como não têm conteúdo, só pela curiosidade agradam a certas pessoas, que com elas se divertem e que encontram prazer nessas entrevistas fúteis, em que muito se fala para nada dizer. Esses Espíritos têm às vezes tiradas espirituosas e mordazes e, no meio de gracejos banais, dizem, muitas vezes, duras verdades que sempre ferem com justeza. Espíritos levianos vivem ao nosso redor e aproveitam todas as situações para se intrometerem nas comunicações; a verdade é o que menos os preocupa; eis por que sentem um maligno prazer em enganar os que têm a fraqueza e algumas vezes a presunção de crer no que eles dizem. As pessoas que se satisfazem com essa espécie de comunicação fornecem naturalmente acesso aos Espíritos levianos e embusteiros; os Espíritos sérios se afastam disso, assim como entre nós os homens sérios se afastam das companhias más.
136 As comunicações sérias são importantes quanto ao assunto e quanto à maneira com que são feitas. Toda comunicação que exclui a frivolidade e a grosseria e que tem um objetivo útil, ainda que particular, é, por esse motivo, séria; embora nem sempre esteja isenta de erros, porque os Espíritos sérios não são todos igualmente esclarecidos; há muitas coisas que ignoram e sobre as quais podem enganar-se de boa-fé; eis por que os Espíritos verdadeiramente superiores sempre nos recomendam submeter todas as comunicações ao exame, ao crivo, da razão e da mais severa lógica.
É preciso, portanto, distinguir as comunicações sérias das falsas, isto é, das aparentemente sérias, o que nem sempre é fácil, porque é exatamente usando de uma linguagem pretensiosamente superior e rebuscada que certos Espíritos presunçosos ou pseudo-sábios procuram fazer prevalecer as ideias mais falsas e os sistemas mais absurdos, e para darem a si mais crédito e mais importância esses Espíritos não têm o menor escrúpulo de utilizar os mais respeitáveis e até os mais veneráveis nomes. Eis aí um dos maiores obstáculos do Espiritismo prático. Voltaremos à questão mais tarde, quando abordaremos todas as faces de um assunto tão importante ao mesmo tempo em que faremos conhecer o perigo e os meios de se prevenir contra as falsas comunicações.
137 As comunicações instrutivas são as comunicações sérias que têm por objetivo principal o ensinamento dado pelos Espíritos sobre as ciências, a moral, a filosofia etc. Elas são mais ou menos profundas, de acordo com o grau de elevação e de desmaterialização do Espírito. Para que essas comunicações tenham proveito útil e real, é preciso que elas sejam regulares e seguidas com perseverança. Os Espíritos sérios se ligam àqueles que querem se instruir e os auxiliam nos seus esforços, enquanto deixam aos Espíritos levianos a tarefa de divertir os que não vêem nada nessas manifestações além de uma distração passageira. É apenas pela regularidade e pela frequência dessas comunicações que podemos apreciar os valores moral e intelectual dos Espíritos com os quais conversamos e o grau de confiança que eles merecem. Se é preciso experiência para julgar os homens, muito mais ela é necessária para julgar os Espíritos.
Ao dar às comunicações a qualificação de instrutivas, supomos que elas sejam verdadeiras, porque uma coisa que não é verdadeira não pode ser instrutiva, mesmo que dita na linguagem mais imponente. Não podemos, pois, incluir nessa categoria certos ensinamentos que têm de sério apenas a forma, muitas vezes empolada, rebuscada e enfática, com a qual os Espíritos que os ditam, mais presunçosos do que sábios, tentam iludir os que os recebem. Esses Espíritos, não podendo suprir a substância que lhes falta, não podem sustentar por muito tempo seu papel; logo se traem e revelam seu lado fraco, desde que suas comunicações tenham sequência ou que se exija deles clareza e autenticidade.


138 Os meios de comunicação são muito variados. Atuando sobre nossos órgãos e sobre todos os nossos sentidos, os Espíritos podem se manifestar à nossa visão nas aparições, pelo toque, por meio de impressões tangíveis, ocultas ou visíveis, pela audição, por meio dos barulhos, pelo olfato, por meio de odores sem causa conhecida. Este último modo de manifestação, ainda que bastante real, é, incontestavelmente, o mais incerto, pelas múltiplas causas que podem induzir ao erro; por isso não nos deteremos nela. O que devemos examinar com cuidado são os diversos meios de obter comunicações, ou seja, uma troca regular e seguida de pensamentos. Esses meios são: as pancadas, a palavra e a escrita. Nós os estudaremos em capítulos especiais.