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quinta-feira, 11 de junho de 2015

15 = AULAS E DINÂMICAS PARA A JUVENTUDE

2-2

Fatos que antecederam a Codificação II

Prece inicial

Primeiro momento: iniciar trazendo a discussão do assunto tratado no encontro anterior (Influência dos Espíritos/Mediunidade II), a respeito da tiptologia e sematologia.

Questionar os jovens quanto ao início das manifestações mediúnicas, que desde a antiguidade ocorrem, trazendo exemplos como Joana D’arc, Móises, entre outros. Então, propor a seguinte questão: quando os fenômenos começaram a ser vistos como fatos a serem estudados?

Os evangelizandos devem expor seus conhecimentos prévios a respeito de Allan Kardec e das mesas girantes, e
os fenômenos das irmãs Fox.

Segundo momento: escrever no quadro os nomes de Emmanuel Swedenborg, Andrew Jackson Davis e

Fenômenos de Hydesville, nesta ordem. Dividir os jovens em 3 grupos e entregar, a cada grupo, um texto.

Texto 1

Emmanuel Swedenborg (Estocolmo - Suécia, 1688-1772)

Foi aluno de Isaac Newton. Tornou-se uma autoridade em mineração, Metalurgia, Engenharia Militar, Astronomia, Física, Zoologia, Anatomia, Economia Política e Finanças. Era um profundo estudioso da Bíblia, um teólogo. Fez também projetos de máquinas voadoras, submarinos, canhões de tiro rápido, bombas de ar e máquinas a vapor. E, ainda mais, escreveu vários poemas em latim. Quando se encontrava no pináculo da carreira científica, abandonou toda aquela posição para dedicar o resto de sua vida à divulgação do espiritualismo, acreditando-se encarregado desta missão, por Deus.

Possuía notável capacidade de clarividência. Achando-se, certa vez, em Gothenburg, percebeu e descreveu fielmente um incêndio que ocorria à distância de 300 milhas, em Estocolmo.

Em Abril de 1744, na cidade de Londres, sentiu o desabrochar de suas faculdades em toda a plenitude: “Na mesma noite — diz ele — o mundo dos espíritos, do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim, e aí encontrei muitas pessoas de meu conhecimento e de todas as condições. Desde então, diariamente o Senhor abria os olhos de meu espírito para ver, perfeitamente desperto, o que se passava no outro mundo e para conversar, em plena consciência, com anjos e espíritos” (Opus cit. p. 37).
Swedenborg, após referir-se à sua primeira visão, descreveu o fenômeno de exudação do ectoplasma: “...uma espécie de vapor que se exalava dos poros de meu corpo. Era um vapor aquoso muito visível e caía no chão, sobre o tapete.”

As descrições do mundo espiritual, feitas por Swedenborg, apresentam duas categorias distintas. Uma tem caráter mais místico e metafísico, parecendo, sobretudo, criações de uma mente exaltada de ardor religioso e produto de elaborações subconscientes. A outra mostra notável semelhança com os relatos espíritas mais recentes e parecem resultado de experiências pessoais mediúnicas, durante as quais o sensitivo devia ter estado em contacto direto com o mundo dos espíritos.

Tudo indica que a tarefa atribuída a Emmanuel Swedenborg pelos dirigentes espirituais foi de divulgação dos conhecimentos que adquirisse em contato com o mundo dos espíritos. No entanto, sua mente privilegiada em relação ao nível de inteligência e cultura foi prejudicial em certo sentido, adulterando os resultados do que lhe foi permitido observar nesse mundo além-túmulo, levando-o a querer criar uma teologia própria, não aceitando opiniões contrárias aos seus próprios pontos de vista.

Swedenborg via o mundo espiritual, conversava com os espíritos, recebia deles instruções diretas e, por isso, julgava-se capaz de explicar tudo, sem maiores preocupações. Tornou-se um místico, distanciando-se da experiência científica a que se dedicava anteriormente.

Algumas informações de Emmanuel Swedenborg:

* Somos julgados automaticamente por uma lei espiritual e o resultado é determinado pela soma dos nossos atos durante a vida, de forma que a absolvição ou o arrependimento no leito de morte tem pouco proveito.

* O mundo para onde se vai depois da morte consiste em várias esferas, representando outros tantos graus de luminosidade e felicidade. Cada um de nós irá para aquela que se adapte à nossa condição espiritual.

* Nessas esferas, o cenário e as condições de vida são idênticas às da Terra, assim como a estrutura da sociedade. Existem casas onde vivem famílias, templos onde se praticam cultos religiosos, auditórios onde se realizam reuniões para fins sociais, palácios onde parecem morar os chefes, etc.

* A morte é suave, dada a presença de seres celestiais que ajudam os recém-chegados em sua nova existência.

Estes passam imediatamente por um período de repouso e alguns reconquistam a consciência em poucos dias, segundo a nossa contagem de tempo.

* Há anjos e demônios, mas não são de ordem diversa da nossa. São seres humanos que viveram na Terra e que são almas retardatárias, como demônios, ou altamente desenvolvidas, como anjos.

* O homem nada perde, nem se modifica com a morte. Sob todos os pontos de vista, ainda é um homem, porém, mais perfeito do que quando na matéria. Leva consigo seus hábitos adquiridos, preocupações e preconceitos.

* Todas as crianças são recebidas igualmente, sejam batizadas ou não. Crescem no outro mundo. Jovens lhes servem de mães até chegarem suas mães verdadeiras.

* Não há penas eternas. Os que se acham no inferno podem trabalhar para sua saída, desde que sintam vontade.
Os que se acham no céu trabalham por uma posição mais elevada.

* Aqueles que saem da Terra velhos, decrépitos, doentes e deformados recuperam a juventude e o completo
vigor. Os casais continuam juntos se os seus sentimentos recíprocos os atraem, caso contrário, a união fica desfeita.

Texto 2

Andrew Jackson Davis (Margens do rio Hudson - EUA, 1826-1910)

Jackson Davis descendia de família humilde. Consta que sua mãe era uma pessoa vulgar, inculta e supersticiosa, enquanto seu pai era um alcoólatra, tendo Davis recebido uma educação bastante elementar. Sua faculdade mediúnica desabrochou quando tinha apenas 17 anos. Primeiro desenvolveu a audiência. Ouvia vozes que lhe davam bons conselhos. Depois, surgiu a clarividência, tendo notável visão, quando sua mãe morreu. Viu ele uma belíssima região muito brilhante, que supôs fosse o lugar para onde teria ido sua mãe. Mais tarde manifestou-se outra faculdade muito interessante e muito rara: a de ver e descrever o corpo humano, que se tornava transparente aos seus olhos espirituais. Dizia ele que cada órgão do corpo parecia claro e transparente, mas se tornava escuro quando apresentava enfermidade.

Na tarde de 6 de março de 1844, deu-se, com Davis, um dos mais extraordinários fenômenos, o do transporte. Foi ele tomado por uma força estranha que o fez voar, provavelmente em corpo perispirítico, da cidade de Poughkeepsie a Catskill, cerca de quarenta milhas de distância. Quando voltou à consciência, encontrava-se entre montanhas agrestes e aí, disse ele posteriormente, encontrou-se com dois anciões que identificou como Cláudio Galeno e Swedenborg. Dois espíritos, portanto, com os quais entrou em íntima e elevada comunhão, uma sobre medicina (Galeno havia sido médico e filósofo na Grécia, mais ou menos no século 11 d.C., e seu nome tornou-se sinônimo de médico) e outra sobre moral. Em suas visões espirituais viu quase tudo o que Swedenborg descreveu sobre o plano espiritual (abramos aqui um parêntese para dizer que, por ocasião do seu transporte às montanhas de Catskill, identificou Galeno e Swedenborg como seus mentores espirituais).

Em seu caderno de notas, encontrou-se a seguinte passagem datada de 31 de março de 1848: “Esta madrugada, um sopro quente passou pela minha face e ouvi uma voz, suave e forte, a dizer: irmão, um bom trabalho foi começado – olha! Surgiu uma demonstração viva. Fiquei pensando o que queria dizer aquela mensagem”. Ao que parece, este aviso fazia menção aos fenômenos de Hydesville, pois foi exatamente nessa data, numa sexta-feira, que se estabeleceu o início da telegrafia espiritual, através da menina Kate Fox.

Outra coisa curiosa a respeito de Davis era que, quando estava em transe e alguém lhe fazia uma pergunta séria e objetiva, ele dizia: "Responderei a isso em meu livro". Ao completar 19 anos de idade, concluiu ter chegado o momento de escrever o livro que inconscientemente anunciava. Foi então escolhido para ele um novo magnetizador, Dr. Lyon, e a partir desse dia, quando entrava em transe magnético sonambúlico, falava corretamente a língua hebraica e demonstrava profundo conhecimento de geologia, de arqueologia histórica e bíblica, de mitologia, da origem e das afinidades das línguas e da marcha da civilização entre as várias nações da
Terra. Os conhecimentos demonstrados eram de tal nível que fariam honra a qualquer estudioso, já que era como se tivesse consultado todas as bibliotecas da cristandade para alcançá-los.

É preciso considerar que Davis deixara o banco de sapateiro, sua profissão, dois anos antes e que ele, quando em estado normal, continuava totalmente ignorante e muito lento de entendimento e inteligência.

Seu desenvolvimento psíquico continuou e, aos 21 anos de idade, não necessitava mais ser magnetizado para entrar em transe. A partir dessa época, registraram-se com ele fatos importantes, como descrever com todos os detalhes, ao assistir a morte de uma senhora, de que forma se processou o fenômeno da desencarnação e o desligamento do perispírito do corpo que perdia a vida, além do encontro da desencarnante com as entidades espirituais que a esperavam do "outro lado", falando exatamente o que dizem hoje espíritos como André Luiz e outros autores.

Ele também fez profecias e sua força profética ficou indiscutivelmente comprovada pelo acerto de suas previsões, já que, antes de 1856, ele previu o aparecimento do automóvel e da máquina de escrever, conforme consta em seu livro Penetrália.

Quanto ao Espiritismo, Andrew Jackson Davis registrou no livro Princípios da Natureza, publicado em 1847: "É verdade que os espíritos se comunicam entre si quando um está no corpo e outro em esferas mais altas e, também, quando uma pessoa em seu corpo é inconsciente do influxo que recebe e, assim, não se pode convencer do fato. Não levará muito tempo para que essa verdade se apresente como viva demonstração. E o mundo receberá com alegria o surgimento dessa era ao mesmo tempo em que o íntimo dos homens será aberto e será estabelecida a comunicação espírita, tal qual a desfrutam os habitantes de Marte, Júpiter e Saturno".

Texto 3

Fenômenos de Hydesville

Historicamente o Espiritismo surgiu a partir dos fenômenos de movimentação de objetos, verificado em diferentes países, na Europa e na América.

O marco de tais acontecimentos, todavia, foram as manifestações ocorridas na aldeia de Hydesville, no condado de Wayne, perto de New York, Estados Unidos da América. Ali morava a família Fox, composta de seis crianças, das quais duas viviam com os pais; os Fox se estabeleceram na casa desde 1846.

Na noite de 28 de março de 1848, nas paredes de madeira do barracão de John Fox, começaram a soar pancadas incômodas, perturbando o sono da família, toda ela metodista. As meninas Katherine (9 anos), e

Margareth (12anos), correram para o quarto dos pais, assustadas com os golpes fortes na parede e no teto do seu quarto.

As pancadas ou "raps" começaram nesta noite; depois ouvia-se o arrastar de cadeiras e, com o tempo os fenômenos tornara-se mais complexos: tudo estremecia, os objetos se deslocavam, havia uma explosão de sons fortes.

Três noites seguidas, até 31 de março de 1848, os fenômenos se repetiram intensamente, impedindo que os Fox conciliassem o sono. O Sr. Fox deu buscas completas pelo interior e pelo exterior da casa, mas nada encontrou que explicasse as ocorrências.

A menina Kate um dia, já um tanto acostumada com o fenômeno, pôs-se a imitar as pancadas, batendo com os dedos sobre um móvel, enquanto exclamava em direção a origem dos ruídos: " Vamos Old Splitfoot, faça o que eu faço". Prontamente as pancadas do "desconhecido" se fizeram ouvir, em igual número, e paravam quando a menina também parava.

Margareth, brincando disse: "Agora faça o mesmo que eu: conte um, dois, três, quatro", e ao mesmo tempo dava pequenas pancadas com os dedos, foi-lhe plenamente satisfeito esse pedido, deixando a todos estupefatos e medrosos.

As meninas Fox eram protestantes e supunham tratar-se do demônio e chamavam o batedor de Mr. Splitfoot, ou seja, senhor pé de bode. A família estava alarmada, logo a notícia se espalhou, vizinhos e curiosos vinham visitá-las. Mr. Duesler, um vizinho, idealizou, então, o alfabeto para poderem traduzir as pancadas e compreenderem o que dizia o invisível.

O batedor invisível, apoiado neste alfabeto improvisado, contou a sua história: Chamava-se Charles Rosma; fora um vendedor ambulante e, hospedado naquela casa pelo casal Bell, ali o assassinaram para roubar-lhe a mercadoria e o dinheiro que trazia, o seu corpo fora sepultado no porão. Deram buscas no local indicado e acharam tábuas, alcatrão, cal, cabelos, ossos, utensílios.

Uma criada dos Bells, Lucrétia Pulver, declara que viu o vendedor e o descreve: diz como ele chegara à casa e refere o seu misterioso desaparecimento. Uma vez, descendo à adega, seu pé enterrou-se num buraco, e como falasse isto ao patrão, ele explicou que deveria ser ratos; e foi apressadamente fazer os reparos necessários. Ela vira nas mãos dos patrões objetos da caixa do ambulante.

Arthur Conan Doyle, no livro "História do Espiritismo", relata que cinqüenta e seis anos depois foi descoberto que alguém teria sido enterrado na adega da casa dos Fox. Ao ruir uma parede, crianças que por ali brincavam descobriram um esqueleto. Os Bells, para maior segurança, haviam emparedado o corpo, na adega, onde inicialmente o haviam enterrado.

Em 25 de novembro de 1904, o Jornal de Boston noticiava que o esqueleto do homem que possivelmente produziu as batidas, ouvidas inicialmente pelas irmãs Fox, fora encontrado e, portanto, as mesmas estavam livres de qualquer dúvida com respeito à sinceridade delas na descoberta da comunicação com os espíritos.

Diversas comissões se formaram na época dos acontecimentos com a finalidade de estudar os estranhos fenômenos e desmascarar a fraude atribuída às Fox. Verificou-se que eles ocorriam na presença das meninas; atribuiu-se-lhes o poder da mediunidade. Nenhuma comissão, todavia, conseguiu demonstrar que se tratava de fraude. Os fatos eram absolutamente verdadeiros embora tivessem submetido as meninas aos mais rigorosos e severos exames, atingindo as vezes as raias da brutalidade. A igreja as excomungou como pactuantes do demônio. Foram acusadas de embusteiras, ameaçadas fisicamente muitas vezes.

Em 1888, ao comemorar os 40 anos dos fenômenos de Hydesville, Margareth Fox, iludida por promessas de favores pecuniários feitas pelo cardeal Maning faz publicar uma reportagem no New York Herald que afirmava que os fenômenos que realizaram eram fraudulentos. Todavia, no ano seguinte, arrependida de sua falta de honestidade para com o Espiritismo, reúne grande público no salão de música de New York e retrata-se de suas declarações anteriores, não só afirmando que os fenômenos de Hydesville eram verdadeiros, como provocando uma série de fenômenos de efeito físico no salão repleto de espectadores.

A retratação foi publicada na época. Consta no jornal americano The New York Press, de 20 de fevereiro de 1889.
Como, porém, a lealdade e a sinceridade não são requisitos dos espíritos apaixonados, ainda hoje, quando se quer denegrir a fonte do moderno Espiritismo, vem à tona a confissão das moças. Na retratação não se toca, ou quando se toca é para mostrar que não há no que confiar. Os pormenores ficam de lado.

OBS: Cada grupo, após a leitura, deve apresentar as características específicas que se destacadaram em cada texto, trazendo pontos importantes e relacionando os três textos.

As relações principais que enfatizamos foi à ligação de Emmanuel Swedenborg com Andrew Jackson Davis, destacando as datas de nascimento e desencarne e a previsão de Andrew Jackson Davis a respeito dos fenômenos das irmãs Fox, na mesma noite em que os fenômenos ocorreram.

Terceiro momento: encerramos a discussão, enfatizando a influência do que foi estudado nos posteriores estudos de Allan Kardec e na codificação, que pode ser o tema do próximo encontro.

Prece de encerramento


Responsabilidade: Grupo Espírita Seara do Mestre
Organização/correção: Claudia Schmidt
Preserve os direitos autorais