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quinta-feira, 11 de junho de 2015

09  esboço de o livro dos médiuns

17-33

Allan Kardec - O Livros dos Médiuns - Parte Segunda - Manifestações Espíritas - cap. 5 - Manifestações Físicas Espontâneas

O FENÔMENO DE TRANSPORTE É UM DOS QUE MAIS SE PRESTAM À FRAUDE

99 O fenômeno de transporte oferece uma particularidade bem caracterizada: alguns médiuns só o conseguem no estado sonambúlico, o que se explica facilmente. Há, no sonâmbulo, um desprendimento natural, uma espécie de isolamento do Espírito e do perispírito, que deve facilitar a combinação dos fluidos necessários. É o caso dos transportes de que fomos testemunha. As perguntas seguintes foram dirigidas ao Espírito que os havia produzido, mas suas respostas, por vezes, denotam falta de conhecimento; nós as submetemos ao Espírito

Erasto, muito mais esclarecido do ponto de vista teórico, que as completou com observações muito sensatas.

Um é o artesão, e o outro, o sábio, e a própria comparação das duas inteligências é um estudo instrutivo, que prova que não basta ser Espírito para saber tudo.

1. Peço para nos dizer por que os transportes que fazeis se produzem somente no sono magnético do médium?
Isso se prende à natureza do médium; os fatos que produzo quando ele está adormecido, poderia igualmente produzir com um outro médium em estado de vigília.

2. Por que fazeis esperar tanto tempo para o transporte dos objetos e por que excitais a cobiça do médium, instigando seu desejo de obter o objeto prometido?

Esse tempo me é necessário, a fim de preparar os fluidos que servem para o transporte; quanto à excitação, muitas vezes é somente para divertir as pessoas presentes e o sonâmbulo.

Nota de Erasto. O Espírito que respondeu não sabe muito; não percebe o motivo dessa cobiça, que provoca instintivamente sem lhe compreender o efeito. Ele pensa divertir quando na realidade provoca, sem se dar conta disso, uma maior emissão de fluido; é a consequência da dificuldade que o fenômeno apresenta; dificuldade sempre maior quando não é espontâneo, especialmente com certos médiuns.

3. A produção do fenômeno prende-se à natureza especial do médium e poderia se produzir por outros médiuns
com maior facilidade e rapidez?

A produção prende-se à natureza do médium e pode se produzir apenas com naturezas correspondentes; quanto à agilidade, o hábito que adquirimos ao trabalhar muitas vezes com o mesmo médium é uma grande vantagem.

4. A presença de pessoas tem influência?

Quando há incredulidade, oposição, podem nos atrapalhar muito; gostamos bem mais de fazer nossas provas com os que acreditam e com pessoas conhecedoras do Espiritismo; mas não posso dizer que a má vontade nos paralisa completamente.

5. Onde conseguistes as flores e as balas que trouxestes?

As flores, apanhei nos jardins, onde me agradam.

6. E as balas? Será que o confeiteiro notou sua falta?

Eu as pego onde quero; o confeiteiro não notou nada, porque coloquei outras no lugar.

7. Mas os anéis têm valor. Onde os conseguistes? Isso não fez falta àquele de quem os tomastes?

Eu os tomei em lugares desconhecidos por todos, de modo que ninguém sentirá sua falta.

Nota de Erasto. Acredito que o fato foi explicado de modo insuficiente em razão da capacidade do Espírito que respondeu. Sim; pode no caso ter causado um mal real, mas o Espírito não quis passar por haver subtraído alguma coisa. Um objeto só pode ser substituído por um idêntico, da mesma forma, do mesmo valor; por conseguinte, se um Espírito tivesse a faculdade de substituir por um objeto semelhante aquele que toma, não teria razão para tomá-lo, e deveria apresentar aquele que serve para substituir.

8. É possível trazer flores de um outro planeta?

Não, isso é impossível para mim.

8 a. (A Erasto) Outros Espíritos teriam esse poder?

Não, isso é impossível, em razão da diferença do meio ambiente.

9. Podeis trazer flores de um outro hemisfério? Dos trópicos, por exemplo?

A partir do momento que estejam na Terra, posso.

10. Os objetos que trouxestes, poderíeis fazê-los desaparecer e levá-los de volta?

Do mesmo modo que os trouxe, posso levá-los à vontade.

11. A produção do fenômeno de transporte causa alguma dificuldade, um embaraço qualquer?

Não causa nenhuma dificuldade quando temos permissão; poderia causar-nos, e muito grande, se quiséssemos produzir efeitos sem termos autorização para isso.

Nota de Erasto. O Espírito não quer admitir que há dificuldade, embora exista, uma vez que é forçado a fazer uma operação, por assim dizer, material.

12. Quais são as dificuldades que encontrais?

Nenhuma, além das más disposições fluídicas que nos podem ser contrárias.

13. Como trazeis o objeto; pegais o objeto com a mão?

Não, nós o envolvemos em nós.

Nota de Erasto. Ele não explica claramente o processo. Ele não envolve o objeto com sua própria personalidade; mas, como seu fluido pessoal é dilatável, penetrável e expansível, combina uma parte desse fluido com uma parte do fluido animalizado do médium, e é nessa combinação que esconde e transporta o objeto. Ele não se exprime com exatidão ao dizer que o envolve nele.

14. Poderias trazer com a mesma facilidade um objeto de peso considerável, de cinquenta quilos, por exemplo?

O peso não é nada para nós; trazemos flores por ser mais agradável que um peso volumoso.

Nota de Erasto. É correto. Ele pode trazer cem ou duzentos quilos de objetos, porque o peso que existe para vós é nulo para ele; mas, ainda aqui, não percebe bem o que se passa. A massa dos fluidos combinados é proporcional à massa dos objetos; numa palavra, a força deve estar em proporção com a resistência; por conseguinte, se o Espírito traz apenas uma flor ou um objeto leve, muitas vezes é porque não encontra no médium, ou nele mesmo, os elementos necessários que exigiriam um esforço maior.

15. Algumas vezes, quando há desaparecimento de objetos cuja causa é ignorada, é obra dos Espíritos?
Isso acontece frequentemente, mais vezes do que imaginais, e poderia ser remediado pedindo ao Espírito para trazer de volta o objeto desaparecido.

Nota de Erasto. É verdade, mas geralmente aquilo que desaparece, desaparecido fica, porque os objetos não se encontram mais; muitas vezes, são levados para muito longe. Entretanto, como fazer objetos desaparecer exige mais ou menos as mesmas condições fluídicas que os transportes, pode acontecer apenas com a ajuda de médiuns dotados de faculdades especiais; é por isso que, quando alguma coisa desaparece, há maior probabilidade de que o fato se deva ao vosso descuido do que à ação dos Espíritos.

16. Há efeitos que são considerados fenômenos naturais e que são provocados pela ação de alguns Espíritos?

Vossos dias estão repletos desses fatos que não percebeis nem compreendeis, pois nem em sonho os imaginais; um pouco de reflexão vos faria ver claramente.

Nota de Erasto. Não deveis atribuir aos Espíritos o que é obra da humanidade, mas ficai certos da sua constante influência oculta, que faz nascer ao redor de vós mil circunstâncias, mil incidentes necessários para a realização de vossos atos, da vossa existência.

17. Entre os objetos transportados, há os que podem ser fabricados pelos Espíritos, ou seja, que são produzidos espontaneamente pelas modificações que os Espíritos podem fazer no fluido ou elemento universal?

Não por mim, porque não tenho permissão; um Espírito elevado pode fazê-lo.

18. Como conseguistes introduzir objetos outro dia no quarto fechado?
Eu os fiz entrar comigo, envoltos, por assim dizer, na minha substância; quanto a vos dizer mais, não é explicável.

19. Como fizestes para tornar visível esses objetos que estavam invisíveis um instante atrás?

Tirei a matéria que os envolvia.

Nota de Erasto. Não era matéria propriamente dita que os envolvia, mas um fluido tirado metade no perispírito do médium, metade no do Espírito que atua.

20. (A Erasto) Um objeto pode ser introduzido num lugar perfeitamente fechado? Numa palavra, o Espírito pode espiritualizar um objeto material, de modo que ele possa penetrar a matéria?

Esta questão é complexa. Quanto aos objetos transportados, o Espírito pode torná-los invisíveis, mas não penetrantes. Não pode romper a agregação da matéria, o que seria a destruição do objeto. Tornado invisível o objeto, ele pode transportá-lo quando quiser e mostrá-lo apenas no momento conveniente de fazê-lo aparecer.

Acontece de outra forma quando nós os compomos; como introduzimos apenas elementos da matéria e como esses elementos são essencialmente penetrantes, como nós mesmos penetramos e atravessamos os corpos mais condensados, com tanta facilidade quanto os raios solares atravessam as vidraças, podemos perfeitamente dizer que introduzimos o objeto num lugar, por mais fechado que esteja; mas é somente nesse caso.

  Veja adiante, para a teoria da formação espontânea dos objetos, o capítulo 8, Laboratório do mundo invisível.

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