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quarta-feira, 10 de junho de 2015

9 > UNIÃO ESPÍRITA MINEIRA
ÁREA DE ORIENTAÇÃO MEDIÚNICA
Dirigente Reunião Mediúnica

ANEXOS
A Capacitação do Trabalhador da Mediunidade
Edna Maria Fabro*
Os Benfeitores Espirituais nos esclarecem que a mediunidade é recurso de trabalho e aprimoramento para o homem da Terra. É [...] talento divino para edificar o consolo e a instrução entre os homens.12  Emmanuel ainda nos ensina que a mediunidade [...] é uma das mais belas oportunidades de progresso e de redenção concedidas por Deus aos seus filhos misérrimos.8 Através do maravilhoso intercâmbio entre os dois planos da vida, o ser humano ajuda-se, mutuamente, em favor do seu aprimoramento, sob a supervisão amorosa de Deus.
A mediunidade é, pois, sublime instrumento da Bondade Divina para redimir o ser das suas amarras milenares, transformando-o em agente impulsionador do progresso na Terra.
Daí a grande responsabilidade daquele que assume a tarefa de trabalhar em favor de si mesmo e do bem comum, utilizando os recursos da mediunidade. É imprescindível que se instrua, a fim de conhecer os caminhos seguros da sua execução.
Emmanuel esclarece que a [...] primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias [...].9 Elucida também que a [...] especialização na tarefa mediúnica é mais que necessária e somente de sua compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de vulgarização da verdade a realizar.10
Entendemos também que a prática mediúnica exige disciplina, renúncia e mesmo sacrifícios pessoais. Precisa haver por parte do trabalhador, comprometimento e busca constante da sublimação das energias psíquicas, a fim de que os frutos do seu labor mediúnico sejam proveitosos para si mesmo e os demais.
Portanto, pela complexidade de que se reveste a prática mediúnica, o trabalhador necessita buscar o conhecimento, a fim de exercer a tarefa enobrecedora do intercâmbio produtivo.
Allan Kardec já destacava a importância de um curso regular de Espiritismo, [...] com o fim de desenvolver os princípios da Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns.6
O Codificador também alerta em O Livro dos Médiuns: Todos os dias a experiência nos traz a confirmação de que as dificuldades e os desenganos, com que muitos topam na prática do Espiritismo, se originam da ignorância dos princípios desta ciência [...].2
A Doutrina Espírita, através dos seus ensinos, nos oferece a orientação segura para o correto exercício da mediunidade, fazendo com que a sua prática se torne fonte de luz e esclarecimentos. É necessário, portanto, estudá-la de forma metódica e sistemática, à luz do Evangelho de Jesus, antes e após o ingresso na tarefa mediúnica.
A capacitação do trabalhador deve, pois, estar assentada em dois fundamentos básicos, que constituem os seus referenciais: a) o conhecimento doutrinário, extraído das obras codificadas por Allan Kardec, e, das suplementares a estas, de autoria de Espíritos fiéis às orientações da Doutrina Espírita; b) conduta espírita, ética e moral, segundo as orientações de Jesus, contidas no seu Evangelho. 10
Essa capacitação deve buscar, principalmente, favorecer o aprofundamento de temas doutrinários, sobretudo os relacionados à prática mediúnica, desenvolvendo o gosto pelo estudo espírita. Deve ainda, preparar o trabalhador para exercer a mediunidade de forma natural, como é preconizada pela Codificação Espírita.

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* Federação Espírita Brasileira  membro da diretoria e coordenadora do Curso de Estudo e Educação da Mediunidade  campo experimental da FEB, Brasília-DF.
Neste sentido, é importante resgatar o seguinte conceito de médium, existente em O Livro dos Médiuns:
Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso mesmo, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns.4
Assim sendo, todos nós somos capazes de registrar, consciente ou inconscientemente, idéias e sugestões dos Espíritos. Portanto, todos podem, em princípio, participar e contribuir positivamente numa reunião mediúnica, sendo, porém, necessária a preparação devida a tão importante tarefa.
A capacitação do trabalhador da mediunidade, além de enfocar o conhecimento teórico, necessita oferecer a oportunidade da experimentação. Para se desenvolver qualquer habilidade é necessário que o candidato tenha conhecimento da teoria e realize exercícios continuados. Assim também ocorre com as faculdades psíquicas. Para saber se alguém possui algum tipo de mediunidade é necessário exercitá-la.
Allan Kardec esclarece:
 Por [...] nenhum diagnóstico se pode inferir, ainda que aproximadamente, que alguém possua essa faculdade. Os sinais físicos, em os quais algumas pessoas julgam ver indícios, nada têm de infalíveis. Ela se manifesta nas crianças e nos velhos, em homens e mulheres, quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o grau de desenvolvimento intelectual e moral. Só existe um meio de lhe comprovar a existência. É experimentar.3
A capacitação deve, ainda, auxiliar o trabalhador a se integrar nas atividades da Casa Espírita. É importante que o medianeiro, além da sua atuação nas reuniões de estudo da mediunidade, seja também um participante ativo das demais tarefas da Casa. Isto vai favorecer o desenvolvimento das habilidades necessárias para a execução da difícil tarefa do intercâmbio mediúnico.
Outro fator a se considerar na preparação do trabalhador da mediunidade é a conscientização da importância do trabalho em equipe. Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades são a soma de todas as dos seus membros. O sucesso da tarefa mediúnica é resultado da união dos seus participantes.
No Livro dos Médiuns, segunda parte, item 341, o codificador estabelece as condições para a boa produtividade da reunião mediúnica, das quais destacamos: Perfeita comunhão de vistas e de sentimentos. Cordialidade recíproca entre todos os seus membros. Ausência de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã. 5
Como nos alerta o Espírito Emmanuel, não pode haver [...] construção útil sem estudo e atividade, atenção e suor. Quem queira sinceramente contribuir no intercâmbio mediúnico, precisa estudar sempre e buscar o próprio burilamento interior, a fim de produzir o melhor na Seara do Senhor. [...] Mas, exercer a mediunidade como força ativa no ministério do bem é fruto da experiência de quantos lhe esposaram a obrigação, por senda de disciplina e trabalho, consagrando-se, dia a dia, a estudar e servir com ela.11
Espíritas! amai-vos,  este o primeiro ensinamento; instrui-vos,  este o segundo. [...].1 Esta é a inolvidável advertência do Espírito da Verdade, gravada na Codificação Espírita.
BIBLIOGRAFIA
1. KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 127. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Cap. 6, item 5, p. 142.
2. ____. O livro dos médiuns. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Introdução, p. 13.
3. ____. Segunda parte, cap. 17, item 200, p. 255
4. ____. Cap. 15, item 159, p. 211.
5. ____. Cap. 29, item 341, p. 456.
6. ____. Obras póstumas. 40. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Segunda parte, Projeto 1868, item: Ensino espírita, p. 376.
7. FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA. Estudo e prática da mediunidade (apostila). Programa II. 3. ed. Brasília: FEB, 2007. Roteiro 4, p. 90.
8. O consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Questão 382, p.299.
9. ____. Questão 387, p. 302.
10. ____. Questão 388, p. 303.
11. XAVIER, Francisco Candido. Seara dos médiuns. Pelo Espírito Emmanuel. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Item: Aptidão e experiência, p. 158.
12. ____. Item: Médiuns transviados, p. 208.
13. ____. Item: Mediunidade e trabalho, p. 230.
Qualidade da Prática Mediúnica
João Neves da Rocha*
Conquanto a faculdade mediúnica seja inerente à pessoa humana, sua prática eficaz requer disposição para trabalhar em equipe.
Que os indivíduos se agrupem por interesses comuns, em todos os segmentos da atividade humana, é condição natural da Lei de Sociedade; com o exercício da mediunidade não é diferente.
É no Grupo Mediúnico voltado para a caridade anônima que se aperfeiçoam os registros psíquicos e paranormais, sob supervisão competente de Espíritos bons, tecnicamente preparados, e de encarnados experientes; é no Grupo Mediúnico que o trabalhador da mediunidade aprende a conhecer-se, separando o que lhe chega pela via mediúnica do que lhe é próprio; nele aprende-se a priorizar a realização coletiva, calando o ego vaidoso e personalista; ele é o berço potencializador de ações que propiciam sinergias para a obtenção de resultados gradativamente mais eficazes, consoante impositivos da Lei de Progresso; é no Grupo Mediúnico, por fim, que os Espíritos bons acolhem o servidor de boa vontade para o serviço da mediunidade com amor, a serviço de Jesus, ajudando-lhe o progresso intelecto-moral.
O exercício mediúnico não se improvisa; resulta de programação reencarnatória. Portanto, demanda compromisso. Não foi por outra razão que o Codificador advertiu quanto à necessidade de se adotar comportamento cuidadoso na admissão de elementos novos, com acurada atenção para atrair à prática mediúnica aqueles que efetivamente querem vivê-la como ideal, evitando vinculações apressadas de pessoas despreparadas, descompromissadas, ou simplesmente interessadas em receber benefícios.
Melhor prevenir que remediar.