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sexta-feira, 5 de junho de 2015

7 - O BOM SAMARITANO

PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

NA INTIMIDADE DOMÉSTICA

Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos a mim o fizestes. JESUS - MATEUS, 25: 40.

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e
ao orgulho - Cap. 15, 3

A história do bom samaritano, repetidamente estudada, oferece conclusões sempre novas.

O viajante compassivo encontra o ferido anônimo na estrada.

Não hesita em auxiliá-lo.

Estende-lhe as mãos.

Pensa-lhe as feridas.

Recolhe-o nos braços sem qualquer idéia de preconceito.

Condu-lo ao albergue mais próximo.

Garante-lhe a pousada.

Olvida conveniências e permanece junto dele, enquanto necessário.

Abstém se de indagações.

Parte ao encontro do dever, assegurando-lhe a assistência com os recursos da própria bolsa, sem prescrever-lhe obrigações.

Jesus transmitiu-nos à parábola, ensinando-nos o exercício de caridade real, mas, até agora, transcorridos quase dois milênios, aplicamo-la, via, de regra, às pessoas quê não nos comungam o quadro particular.

Quase sempre, todavia, temos os caídos do reduto doméstico.

Não descem de Jerusalém para Jericó, más tombam da fé para a desilusão e da alegria para dor, espoliados nas melhores esperanças, em rudes experiências.

Quantas vezes surpreendemos as vítimas da obsessão e do erro, da tristeza e da provação, dentro de casa!

Julgamos, assim, que a parábola do bom Samaritano produzirá também efeitos admiráveis, toda vez que nos decidirmos a usá-la, na vida íntima, compreendendo e auxiliando aos vizinhos e companheiros, parentes e amigos sem nada exigir e sem nada perguntar.

A GENESE CAPITULO XV - ITEM 53

53. - Jesus não foi arrebatado. Ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a Humanidade se acha sujeita a falir e que deve estar sempre em guarda contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder.

A tentação de Jesus é, pois, uma figura e fora preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como pretenderíeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, embora muito curto fosse este, às sugestões do demônio e que, como o diz o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que daria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade? Não; compreendei melhor os ensinos que vos foram dados.

O Espírito do mal nada poderia sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do Templo.

Certamente, tal fato teria sido de natureza a se espalhar por todos os povos.

A tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico.

Quanto ao ato moral, admitiríeis que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que conhecia sua própria origem e o seu poder: «Adora-me, que te darei todos os remos da Terra?»

Desconheceria então o demônio aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Ora, se o conhecia, suas propostas eram uma insensatez, pois ele não ignorava que seria repelido por aquele que viera destruir-lhe o império sobre os homens.

«Compreendei, portanto, o sentido dessa parábola, que outra coisa aí não tendes, do mesmo modo que nos casos do Filho Pródigo e do Bom Samaritano.

Aquela mostra os perigos que correm os homens, se não resistem à voz íntima que lhes clama sem cessar:

«Podes ser mais do que és; podes possuir mais do que possuis; podes engrandecer-te, adquirir muito; cede à voz da ambição e todos os teus desejos serão satisfeitos.»

Ela vos mostra o perigo e o meio de o evitardes, dizendo às más inspirações: Retira-te, Satanás ou, por outras palavras: Vai-te, tentação!

«As duas outras parábolas que lembrei mostram o que ainda pode esperar aquele que, por muito fraco para expulsar o demônio, lhe sucumbiu às tentações. Mostram a misericórdia do pai de família, pousando a mão sobre a fronte do filho arrependido e concedendo-lhe, com amor, o perdão implorado.

Mostram o culpado, o cismático, o homem repelido por seus irmãos, valendo mais, aos olhos do Juiz Supremo, do que os que o desprezam, por praticar ele as virtudes que a lei de amor ensina.

«Pesai bem os ensinamentos que os Evangelhos contêm; sabei distinguir o que ali está em sentido próprio, ou em sentido figurado, e os erros que vos hão cegado durante tanto tempo se apagarão pouco a pouco, cedendo lugar à brilhante luz da Verdade.» - João Evangelista, Bordéus, 1862.

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(1) A explicação que se segue é reprodução textual do ensino que a esse respeito de um Espírito.

SAMARITANOS E NÓS

Quem de nós não terá caído, alguma vez, em abandono ou penúria, aflição, amargura, engano ou perturbação?

À face disso, para nós o samaritano da bondade - a criatura que nos reergue ou reanima - será sempre aquela pessoa:

Que nos acolhe nos dias de tristeza com a mesma generosidade com que nos abrace nos instantes de alegria;

Que nos estima, assim tais quais somos, sem reclamar-nos espetáculos de grandeza, de um dia para outro;

Que nos levanta do chão das próprias quedas para o regaço da esperança, sem cogitar de nossas fraquezas;

Que nos alça do precipício da desilusão ao clima do otimismo, sem reprovar-nos a imprevidência;

Que nos ouve as queixas reiteradas, rearticulando sem aspereza o verbo da paciência e da compreensão;

Que nos estende essa ou aquela porção dos recursos de que disponha, em favor da solução de nossos problemas, sem pedir o relatório de nossas necessidades e compromissos;

Que nos oferece esclarecimento, sem ferir-nos o brio;

Que nos ilumina na fé, sem destruir-nos a confiança;

Que se transforma em harmonia e concurso fraterno, seja em nossa casa, ou no grupo em que trabalhamos;

Que se nos converte no cotidiano em apoio e cooperação, sem exigir-nos tributos de reconhecimento;

Que, por fim, se transubstancia, em nosso benefício, em luz e consolação, amparo e benção.

Detenhamo-nos a pensar nisso e lembrando, reconhecidamente, quantos se nos fazem samaritanos do auxílio e da bondade, nas estradas da existência, recordemos a lição de Jesus e, diante dos outros, sejam eles quem sejam, façamos nós o mesmo.

Emmanuel - Médium: Francisco Cândido Xavier