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terça-feira, 28 de abril de 2015

Arte e Evangelização

        Considerando a Arte como elemento de contribuição para vivenciar sentimentos, vamos conversar e refletir sobre:

1) Como utilizar a em apoio à Evangelização/Educação Espírita?

2) Quais as atividades artísticas seria mais adequada a cada faixa etária? Por que?

3) Como pais, como ajudar nossos filhos a desenvolver o lado artístico?

4) Por que ainda verificamos, embora hoje de forma menor, os preconceitos com relação à arte? Como retirar essas idéias preconcebidas junto às crianças?

5) Quais as atividades que podemos relacionar como arte? Como trabalhar com cada uma das artes?

        Os textos de apoio ao estudo seguem abaixo:

Texto 01

"144 - Qual a destinação da Arte no mundo e de que maneira ela evolui?

        A Arte tem como meta materializar a beleza invisível de todas as coisas, despertando a sensibilidade e aprofundando o senso de contemplação, promovendo o ser humano aos páramos da Espiritualidade. Graças à sua contribuição , o bruto se acalma, o primitivo se comove, o agressivo se apazigua, o enfermo se renova, o infeliz se redescobre, e todos os outros indivíduos se ascendem na direção dos Grandes Cimos. A arte permanecerá no mundo assinalando as fases de progresso ou de tormenta das criaturas, porém oferecendo sempre harmonia e trabalhando os sentimentos elevados. Desse modo, evolui do grotesco ao trasncendental, aprimorando as qualidades e tendências, que estarão sempre à frente dos comportamentos de cada época. Lentamente, e às vezes com rapidez, a Arte se desenvolve alterando os conteúdos e melhor qualificando a mensagem de que se faz portadora. "

(Divaldo P. Franco por Vianna de Carvalho. in: Atualidade do Pensamento Espírita. LEAL editora )

Texto 02

ARTE E EDUCAÇÃO

        A arte, em geral, como atividade criadora por excelência, vem ao encontro das necessidades de movimento e ação da criança e do jovem. Não apenas ação motora, física, mas principalmente os movimentos intensos da própria alma, do ser espiritual, na expansão do sentir e do querer.

        A criança, sendo filha de Deus-Criador, é criadora por excelência e a sua criatividade se manifesta através dos diversos canais de expressão. A arte é um dos mais valiosos canais de expressão, seja ela teatro, música, dança, pintura, modelagem, literatura, poesia... Através dela, a criança expressa a criatividade que existe dentro de si.

        Ao evangelizador cabe a tarefa de conduzir essa criatividade para os canais superiores da vida. A arte será forte e poderoso veículo de educação do sentimento, de educação dos impulsos da alma, canalizando-os para o bem e para o belo.

        A criança inicia seus estágios de desenvolvimento através da observação, que se caracteriza por uma crescente curiosidade por tudo que a cerca. Após observar, ela irá fazer comparações e procurar imitar, experimentar, vivenciar. Através da vivência ela desenvolve as potências do Espírito.

        Vivenciar, espiritualmente falando, não significa apenas participar, mas viver intensamente, com a força de sua energia espiritual capaz de se manifestar no momento. Vivenciar é viver de forma vibrante, é sentir e querer com alegria e entusiasmo.

        A arte é forte elemento de interação vertical, onde a alma interage com as energias espirituais superiores que pululam no Universo. À medida em que interage, desenvolve seu potencial anímico que se manifesta no querer, ampliando sua faixa vibratória em níveis superiores.

        A arte aprimora os sentimentos, direcionando os impulsos da alma para os canais superiores da vida. Na alma enobrecida e elevada, a arte vive e vibra intensamente.

Nesse sentido, não poderá haver educação do Espírito fora da arte superior e nobre.

Texto 03

A ARTE À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA

        Vejamos o que nos diz Rossini (Obras Póstumas, A.Kardec, Cap. A Música Espírita) sobre a música e arte em geral:

    Oh! sim, o Espiritismo terá influência sobre a música! Como poderia não ser assim? Seu advento transformará a arte, depurando-a. Sua origem é divina, sua força o levará a toda parte onde haja homens para amar, para elevar-se e para compreender. Ele se tornará o ideal e o objetivo dos artistas. Pintores, escultores, compositores, poetas, irão buscar nele suas inspirações e ele lhes fornecerá, porque é rico, é inesgotável.

        A primeira obra mediúnica publicada no Brasil por Francisco Cândido Xavier utilizou a arte para transmitir as mensagens de 56 poetas renomados da Literatura Portuguesa e Brasileira.

        Na obra Memórias de Um Suicida, o Espírito Camilo, ao relatar o período que passou em uma Cidade Universitária, descreve escolas especializadas em diferentes cursos: Moral, Filosofia, Ciência, Psicologia, Pedagogia, etc., relatando, também, espetáculos que presenciou na Cidade Esperança, onde a arte era cultivada com esmero, incluindo-se a poesia, a música e a dança:

        Então a beleza do espetáculo atingia o indescritível, quando, deslizando graciosamente pelo relvado florido, pairando no ar quais libélulas multicores, os formosos conjuntos evolucionavam(...); agora, eram jovens que viveram outrora na Grécia, interpretando a beleza ideal dos "ballets" de seu antigo berço natal; depois, eram egípcias, persas, hebraicas, hindus, européias, extensa falange de cultivadores do Belo a encantar-nos com a graça e a gentileza de que eram portadoras(...). E todo esse empolgante e intraduzível espetáculo de arte(...) fazia-se acompanhar de orquestrações maviosas onde os sons mais delicados, os acordes flébeis de poderosos conjuntos de harpas e violinos, que eram como pássaros garganteando modulações siderais, arrancavam de nossos olhos deslumbrados, de nossos corações enternecidos, haustos de emoções generosas que vinham para tonificar nossos Espíritos, alimentando nossas tendências para o melhor(...)

        Ante a surpresa de Camilo, uma das vigilantes do internato onde se asilava diz:

    Não vos admireis, meus amigos! O que vistes é apenas o início da Arte no além-túmulo... Trata-se da expressão mais simples do Belo(...) Em esferas mais bem dotadas que a nossa existe mais, muito mais!..." (p. 553-554)

Texto 04

TEATRO

        O que sente o pequeno ator desempenhando determinados papéis num palco, mesmo improvisado?

        Nada melhor do que a dramatização e o teatro para levar a criança a vivenciar certas emoções e situações. À medida em que vivência, ela trabalha com suas próprias energias íntimas, colocando-se no lugar do outro. O teatro levará a criança e o jovem a vivenciar situações, a imitar personagens, cujas personalidades poderão ser por ela assimiladas e que depois quererá vivenciar na prática.

        Os personagens e o enredo devem ser escolhidos com cuidado. As cenas reais e práticas deverão ser articuladas com mensagens de amor e caridade, simplicidade e humildade, despertando os valores morais e dando à inteligência de cada um o poder de análise.

        O teatro arma dentro de nós uma defesa quanto àquilo que procuramos fazer em favor de todo personagem. Quando bem vivido e sentido pode modificar até a conduta de nossas crianças e jovens.

        A criança não deve ser constrangida a interpretar determinados papéis que não lhe agradam e com os quais ela não se identifica. No entanto, o evangelizador poderá selecionar os papéis e sugerir os intérpretes em conjunto com as crianças.

        Poderemos, por exemplo, oferecer papéis fortes e interessantes para os jovens em dificuldade, onde terão oportunidade de sentir e se modificar.

        A criança agitada (sangüínea) poderá interpretar papéis mais calmos bem como a criança fleumática poderá interpretar papéis mais fortes, vivenciando, assim, outras realidades.

        Com as crianças pequenas, pode-se usar dramatizações curtas e o teatro de fantoche.

        Utilize a música e a dança em conjunto com o teatro. Use de entusiasmo e alegria, incentivando a participação de todos, sem forçar.

        Promova apresentações periódicas, convidando os pais, familiares e amigos.

        Procure os temas na própria literatura espiritas. Se na literatura infantil espírita ainda encontramos poucos títulos, a literatura espírita em geral é riquíssima, com muitas obras que podem ser adaptadas para as crianças. Mas cuidado; as adaptações requerem muito tato e bom senso.

        Podemos encontrar diversos contos e apólogos nas obras de Humberto de Campos, Néio Lúcio além de outros.

(FONTE: Walter de Oliveira Alves. in: Prática Pedagógica na Evangelização. Editora IDE)

Texto 05

ARTES PLÁSTICAS

       O que sente o pequeno artista com as mãos lambuzadas de tinta, debruçado sobre o papel? Um mundo branco onde ele pode agir, criar.

        O que sente a pequena escultora, trabalhando com as mãos num pedaço de argila? O poder criador do Espírito modificando as formas da matéria.

        As artes traduzem fator de grande incentivo às crianças e aos jovens.          Muitos despertarão, pois são Espíritos reencarnados e podem trazer grande bagagem artística que deverão extrapolar de si mesmos.

        Pinturas e criações deverão ser estimuladas sem interesse de julgamento, mas dando oportunidade de apreciar os valores naturais.

        Tanto as artes plásticas como os trabalhos manuais podem ser utilizados de acordo com o conteúdo da aula, numa forma de concretizar o ensino, facilitando a compreensão.

        O desenho, a pintura, a modelagem são atividades criadoras, que poderão conduzir as energias do Espírito para canais criativos superiores.

        Iniciar as atividades artísticas com uma prece e uma música suave a envolver o ambiente forma o clima ideal. Mesmo as atividades individuais, devem ser executadas num clima de afeto e respeito mútuo, num ambiente de cooperação. A energia anímica e criadora da criança seguirá os canais superiores da vida, ampliando suas fronteiras vibratórias superiores.

        Não utilize desenhos mimeografados para a criança pintar.

        A criança é criativa por excelência. Use a sua criatividade e ofereça experiências variadas. Citamos abaixo apenas alguns exemplos, para demonstrar que o campo das artes é muito vasto. Pesquise em livros especializados. Além das atividades livres, utilize a arte para desenvolver conteúdos doutrinários, auxiliando o desenvolvimento das potencialidades interiores da criança.

(FONTE: Walter de Oliveira Alves. in: Prática Pedagógica na Evangelização. Editora IDE)

Texto 06

MÚSICA

        O ritmo está presente na criança a partir de seu próprio organismo: o compasso das batidas do coração, o ritmo compassado do andar, o balançar dos braços, a seqüência interminável do dia e da noite, os horários das refeições, do descanso, tudo à sua volta fala que o universo está envolvido em ritmo harmonioso.

        A criança pequena não aprende por conceitos abstratos que falam ao cérebro, mas está mais aberta ao ritmo e ao sentimento que a música transmite. O ritmo e a harmonia da música auxiliam a sua harmonização interior. Assim, letras simples e objetivas, em ritmo harmonioso, alcançarão o coração infantil de forma adequada.

        O elemento melódico da música, em harmonia com o ritmo, embala a própria alma, ativando os movimentos interiores do Espírito. A arte melódica-harmônica-rítmica da música atinge as profundezas da alma, transportando o ser espiritual para as esferas superiores da vida, através da inspiração superior, atingindo as vibrações do mundo espiritual elevado e nobre.

        A música representa elevada interação vertical com as esferas espirituais. Mediante essa vivência, em nível espiritual, o sentir e o querer se harmonizam, aprimorando o sentimento e o lado moral da vida.

        A música pode ser utilizada em conjunto com as artes plásticas, como vimos no exemplo anterior, bem como no teatro, na dramatização e em outras atividades desenvolvidas na evangelização.

        Com os pequenos, uma bandinha rítmica pode trazer bons resultados.         A criança pequena, até 6 anos aproximadamente, liga-se mais ao ritmo do que à melodia.

        Com os maiores de sete anos, a melodia é a parte mais importante, sendo possível a formação de um coral infantil ou de um grupo de música.

(FONTE: Walter de Oliveira Alves. in: Prática Pedagógica na Evangelização. Editora IDE)

Texto 07

DANÇA

        Assim, como a música trabalha com os movimentos interiores da alma, a dança exterioriza os movimentos do seu mundo interior.                

        Dançando, o homem transcende o ser físico, adentrando na harmonia com o ser espiritual que há em si mesmo e exterioriza esse ser espiritual em vibrações harmônicas nos movimentos de seu corpo.

        A emoção vibra em seu coração e se exterioriza nos movimentos harmônicos do corpo, que representam os movimentos interiores da alma.

        O artista abre espaço no próprio espaço para a sua vibração que se expande além do visual e atinge o espectador que pode captar, não só pelos olhos e pelos ouvidos, mas entrando em sintonia com essa vibração.

        O Espírito Camilo, em Memórias de um Suicida ao relatar a beleza do espetáculo por ele assistido em uma cidade espiritual, incluindo a poesia, a música e a dança, nos diz: (...) arrancavam de nossos olhos deslumbrados, de nossos corações enternecidos, haustos de emoções generosas que vinham para tonificar nosso Espírito, alimentando nossas tendências para o melhor (...)

        Percebemos a música e a dança como poderoso estímulo a fortalecer e conduzir a energia para o bem e para o belo, onde a sua própria alma se expande às vibrações superiores e é impulsionada para caminhos mais elevados.

(FONTE: Walter de Oliveira Alves. in: Prática Pedagógica na Evangelização. Editora IDE)

Texto 08

LITERATURA

        O que sente a criança sentada, ouvindo atentamente a história fantástica e cheia de aventuras que alguém está lhe contando? Por que mundos fantásticos viaja a sua alma sensível? Com que prazer ela se deixa levar pela força de atração da história!

        A história mobiliza suas energias interiores e a criança, embora imóvel, está em ação, viajando por lugares inimagináveis. A capacidade sonhadora é impulso irresistível a atraí-la para mais alto.

        As histórias devem ser escolhidas com cuidado e seu aspecto moral deve estar na ação dos personagens e não na teorização de conceitos morais que não atingirão a criança.

        A formação de uma biblioteca infantil, mesmo que seja um cantinho simples, mas de forma que os livros estejam expostos e dentro do alcance das crianças, será forte estímulo à leitura.

        Incentive o hábito da leitura iniciando pelas crianças pequenas.            

        Conte histórias em atividades conjuntas com artes plásticas, dramatização e música.

        Compreendendo que nosso objetivo é auxiliar a evolução do Espírito, ninguém duvida da imensa contribuição que a boa leitura pode oferecer.         O homem que tem o hábito de ler está desbravando um mundo não só de conhecimentos, mas também de sentimentos e emoções.

        Na Doutrina Espírita, o livro tem sido, até então, o melhor veículo do conhecimento doutrinário e também um evangelizador em potencial, pelo grande poder de transformação que exerce no leitor.

(FONTE: Walter de Oliveira Alves. in: Prática Pedagógica na Evangelização. Editora IDE)