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sábado, 25 de abril de 2015

AULA 6 - DIFERENÇA ENTRE ESPIRITISMO, UMBANDA E RELIGIÕES AFRO-INDÍGENAS

4-6

Religião De Umbanda

Estamos em pleno período de afirmação doutrinária da Umbanda. Uma fase como esta não pode se restringir a negar conceitos. Sabemos que na fase de expansão as grandes discussões da Umbanda se prendiam à sua origem (Vedas, Atlantis, Sumérios?) ou da origem do próprio vocábulo (védico, sânscrito, celta?); essas buscas tinham o sentido de afirmar a Umbanda não como uma religião brasileira, mas, sim, como uma religião antiga, que voltava até nós, e por esse fato mais confiável. Até no próprio Candomblé buscava-se fundamentos para "fazer a Umbanda mais forte". No entanto, o período de afirmação doutrinária iniciou-se, como vimos, com  o abandono de todas essas especulações e firmou-se naquilo cuja evidência era irrefutável e estava bem à mão: a origem brasileira da Umbanda. Hoje, portanto, para que sejamos consistentes com esse início, não devemos ficar em afirmações áridas ou em buscas desnecessárias.

A base filosófico - religiosa da Umbanda é, sem nenhuma dúvida aquela pregada por Cristo. Antes de Jesus Cristo, os Manuscritos do Mar Morto trouxeram isso à tona apesar da oposição dos Judeus e da Igreja Católica Apostólica Romana, comprovam que antes de Jesus Cristo, num período entre 500 e 200 anos a.C., vários líderes religiosos já apresentavam as bases daquilo que posteriormente veio a configurar a religião cristã. Dentre eles, figura o então chamado Mestre da Retidão, líder essênio, cujas orientações religiosas já adiantavam quase tudo o que Jesus viria a dizer. Se isso é verdade, porque razão Cristo foi quem marcou nosso mundo? Exatamente por sua missão Crística. E esta missão foi tão forte, tão inconteste, que a filosofia pregada por Cristo, do amor entre todos e de nossa filiação direta a Deus, além de marcar uma Era, marcou o calendário e se espalhou por todos os cantos do mundo. Do extremo oriente ao ocidente, Cristo é hoje reconhecido como aquele que veio trazer a mensagem do Pai.

Assim, a Umbanda não deve temer o assumir Jesus Cristo como seu maior orientador. Se buscarmos em alguns pensadores cristãos suas bases filosófico-religiosas veremos o quanto elas são compatíveis com a Umbanda, inclusive no que concerne à definição dada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, ou seja,  "A manifestação do Espírito para a prática da caridade". Ao analisarmos com cuidado esses escritores, religiosos ou laicos, veremos ainda o quanto foi deturpada a mensagem que nos foi trazida por Jesus Cristo pelas Igrejas que hoje se apresentam como exclusivas representantes de Cristo. A esse argumento, somam-se outros de caráter filosófico e histórico. O Caboclo das Sete Encruzilhadas sempre afirmou a presença na Umbanda da filosofia cristã; sempre utilizou-se do Evangelho como apoio de suas pregações; enquanto o seu médium esteve vivo manteve a Umbanda dentro de seus princípios incruentos. Já vimos em item anterior, algumas das razões pelas quais a Umbanda foi tão desfigurada. Por isso, o período de afirmação doutrinária, deverá preocupar-se pelo menos com três linhas de pensamento e atuação:

Primeira, é a afirmação dos princípios cristãos da Umbanda;
a segunda, é um processo de afirmação do seu rito, depurado de todos atos que por essa mistura indesejada vieram a descaracterizar a Umbanda, cabendo ressaltar que o que a obra de Omolubá já nos trouxe em relação a essa parte da tarefa significa, sem nenhuma dúvida o maior passo já dado pela nossa Religião neste sentido;
a terceira, é a manutenção do seu ritual de formação sacerdotal, visando ordenar sacerdotes que se comprometam com as duas primeiras vertentes.

No tocante à primeira, cabe executar um trabalho de avaliação dos inúmeros livros com base na filosofia cristã para, após uma acurada avaliação, termos assentadas as bases cristãs da Umbanda. Aproveito para deixar aqui,

alguns princípios que acreditamos devam ser revistos.

Não se pode aceitar as interpretações que foram feitas de Cristo e que conduzem a:

um Deus vingativo e punitivo;

inexistência da comunicação com as almas;

o carma como punição divina;

a inexistência da reencarnação.

Alguns outros princípios devem ser discutidos e ampliados:
a autodeterminação (existência de "dois momentos" onde o ser humano faz opções fundamentais a respeito de sua nova existência na Terra) ; nossa ação como nossos próprios juizes, após nossa morte física;
qual o caminho de evolução que a Umbanda aceita (centelha divina, aperfeiçoamento até o nível de Devas?);
o que significa para a Umbanda o "Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo"?
dentro daquilo que pregava Cristo, e por conseqüência da Umbanda, qual e onde está a visão holística do Homem.

Estas e outras questões devem ser buscadas tanto nos livros já existentes como, se nos for consentido, através de comunicações do Astral. Sabemos o quanto foi deturpada a pregação do Cristo; sabemos também o quanto o poder temporal superou a pregação da doutrina que nos foi trazida por Cristo, quando da formação da Igreja Católica: sabemos ainda quantas "reformas" foram feitas nos Evangelhos em nome do fortalecimento desta mesma Igreja; sabemos ainda o quanto o Evangelho segundo o Espiritismo traz no seu bojo a influência da comunicação de Almas que tiveram sua formação dentro do catolicismo; sabemos enfim que será muito difícil esse processo de separação daquilo que foi verdadeiramente trazido por Cristo, do joio do trigo.  Mas temos certeza que a Umbanda, sem nenhuma dúvida a religião que menos se amarra a dogmas, terá a ajuda de seus guias e a sua doutrinas aparecerá, limpa, transparente, libertadora e, por fim, se afirmará doutrinariamente

Diferenças Entre A Religião De Umbanda E A Religião De Candomblé

O objetivo deste texto é, de maneira simples e direta, demonstrar as diferenças existentes entre a Religião de Umbanda e a Religião de Candomblé.

Umbanda e Candomblé são religiões extremamente distintas. Claro, possuem alguns elementos em comum, como por exemplo a devoção aos Orixás, o uso de miçangas e atabaques. Entretanto, as diferenças são muito maiores do que as semelhanças.

Ressalta-se, porém, que essas diferenças não impedem o respeito que devemos ter com nossos irmãos Candomblecistas, assim como devemos respeitar as demais religiões. E começamos a respeita-los quando não usamos de seus elementos sem fundamento, sem conhecimento e sem preparo.

Infelizmente vemos por aí pessoas que, por ignorância, acabam colocando as duas religiões em um mesmo panelão, desvirtuando, ao mesmo tempo, as duas crenças.

Umbanda e Cancomblé comparam-se ao Cristianismo e o Islamismo. Possuem fundamentos, ritos, visões, interpretações completamente diferentes.  É impossível imaginar um Imam (sacerdote mulçumano) realizando um batismo em nome de Jesus Cristo. Ou, ao revés, um padre católico reverenciando Maomé. O mesmo se dá entre essas duas religiões afro-brasileiras.

Não se imagina um Pai de Santo da Umbanda fazendo raspagem e bori, dando iniciação no Candomblé a uma pessoa ou dando-lhe o título de Babalorixá. Assim como é inimaginável (apesar de existir casos, infelizmente), a realização de rituais de Candomblé com entidades de Umbanda no comando, para uma suposta iniciação na Umbanda.

Tais práticas são ultrajantes às duas religiões. As duas possuem seus próprios fundamentos e ritos, não havendo qualquer necessidade de serem mescladas.

As diferenças entre essas duas Religiões começam em sua base.

A Umbanda é uma religião brasileira, nascida em 1908, por meio do Médium Zélio Fernandino de Moraes e de seu guia, o Caboclo das 7 Encruzilhadas. É uma religião que, rompeu com o Espiritismo, apesar de trazer  ainda consigo alguns de seus elementos, e absorveu também elementos das crenças indígenas, católicas e africanas.

O Candomblé, (apesar da forma com que conhecemos exista apenas no Brasil), é oriundo da junção das nações trazidas da África pelos escravos. Ou seja, tratam-se de cultos Africanos, dedicados aos Orixás, Nkises e Voduns (Ketu, Angola e Jeje). Dessa maneira, as cantigas, os rituais, as rezas e oferendas, são as mesmas utilizadas pelos ancestrais africanos outrora.

A Umbanda trabalha com espíritos, os quais são chamados de guias. São entidades que trabalham na energia do Orixá. São falanges de Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, Baianos, Boiadeiros, Ciganos, Marinheiros, Exus e Pombogiras. São essas as entidades que comandam a gira, que realizam os amacis, batismo, cruzamentos, etc.

Além disso, tais entidades, dão passes, realizam curas, descarregos, falam e se utilizam de elementos como o fumo e o álcool.

No Candomblé não existe a manifestação de espíritos. Nessa Religião, os espíritos são chamados de Eguns, e são excluídos das chamadas rodas. (existem algumas casas que possuem o fundamento de Baba Egungun, ritual onde se manifesta os ancestrais). Todavia, o que se manifestas nas sessões de Candomblé são as energias dos Orixás.

Tais energias fazem com que o iniciado, chamado de Iyaô entre em transe. Todavia, esse transe é bem diferente da chamada incorporação existente na Umbanda. Além disso, o iniciado quando manifestado pelo Orixá apenas dança seu ritmo. Não fala, não fuma, não bebe, não dá consultas, etc. Apenas chega, reverencia seus Babas e dança suas cantigas, nada mais.

Na Umbanda, os toques de atabaque são realizados com as mãos e são acompanhados por cantos em português.

Ora, se nossas entidades falam o português, porque iremos chamá-las em outras línguas? Seria no mínimo, uma falta de respeito! O ponto cantado, nada mais é que uma oração cantada, devendo ser cantado com todo o respeito, sabendo o por que de cada palavra. São cantos de chamada, de reverência, de trabalho e de subida.

No Candomblé, os toques variam de acordo com a nação. Se for Ketu, os toques serão entoados com toques de varetas (Aguidavi), acompanhados por cantigas no dialeto Yorubá, língua daquelas divindades. Na nação Angola, o toque é realizado com as mãos, acompanhada por cantigas no dialeto Bantu. Na nação Jeje, os toques também são realizados com as mãos, e as cantigas são feitas em um de seus dialetos (Axantis, Gans, Agonis, Popós, Crus, etc.). São cantigas que fazem referencias aos itans, ou seja, lendas sobre os Orixás, Nkises e Voduns.

A Umbanda trabalha com 9 Orixás, os quais estão distribuídos na chamada 7 Linhas de Umbanda. São eles: Oxalá,
Ogum, Oxossi, Xangô, Iemanjá, Oxum, Iansã, Nana Burukê e Obaluaê/Omulú. Vale lembrar que na Umbanda não existe incorporação de Orixás, mas sim, de espíritos e falangeiros que trabalham na sua energia.

O Candomblé Ketu, reverencia no mínimo 16 Orixás, chegando alguns há 21 e até 72 Orixás. Na nação Jeje e na Angola, os Voduns e Nkises também passam de 20.

O Candomblé Ketu trabalha com as chamadas qualidades de Orixás, como por exemplo, Oxalá que possui as qualidades de Oxalufã (velho) e Oxaguiã (moço).

A Umbanda não possui qualidades de Orixás.

O Candomblé possui suas cores e interpretações para os Orixás. A Umbanda possui outras cores e interpretações.

O sacerdote de Umbanda é chamado de Pai de Santo, Pai de Terreiro, Cacique, ou simplesmente Dirigente.

O sacerdote de Candomblé é chamado de Babalorixá, alguns possuem o título de Babalaô. As mulheres são chamadas de Yalorixá. Só posem utilizar esses títulos que de fato teve iniciação no Candomblé e passou pelas raspagens, boris, etc.

Esses são apenas algumas das diferenças. Como se pode perceber, as duas possuem uma estrutura, organização e rituais completamente distintos. Por isso nós, Umbandistas, devemos zelar pela pureza de nossa fé, evitando a introdução de elementos que não condizem com nossa religião. Assim também, os Candomblecistas, devem pregar a pureza de seu culto, evitando a mesclagem indevida e o desvirtuamento do culto milenar.

Para reforçar ainda mais as diferenças existentes entre essas duas religiões, o Blog realizou uma entrevista com
Babalorixá Rafael dOxalufã.

segue no próximo estudo