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domingo, 5 de abril de 2015

20 =--- AS REGRAS NA ESCOLA INICIÁTICA II
GEESE
Disse-lhe Pilatos: Não ouves quantas coisas dizem contra ti?” Jesus, porém, não respondia a nada, de sorte que o governador se admirou muito. Mateus, 27:13-14
Regra do Silêncio
Uma das regras aplicadas aos membros novos dos grupos é que não devem falar do que ouviram na Escola, às pessoas estranhas a ela. Só percebemos a importância dessa regra (tirar vírgula) quando essa forma de falar se volta contra nós. Ela nos ajuda a não mentir  No sentido de falar coisas de que não conhecemos. Se após receber os primeiros ensinamentos, começarmos a falar sobre o que ouvimos e a exprimir opiniões, passamos a mentir.
Somos impacientes, não nos damos o tempo suficiente, chegamos a conclusões cedo demais.
É um princípio da Escola não transmitir ideias, mas preservá-las e só comunicá-las dentro de condições que as protejam da deturpação, evitando que elas se deteriorem. A regra do silêncio é um teste, um exercício de vontade, memória e compreensão.
A Escola possui certas condições.
Uma delas é que não devemos falar dos ensinamentos da Escola para pessoas que não a freqüentam, e devemos nos lembrar disso. Devemos ter discrição.
Isso ajuda enormemente a lembrar de si, por ir contra o hábito de falar.
Em uma Escola, nada se faz sem razão. A regra do silêncio é necessária pelo fato de que a conversa introduziria um fator novo, com resultado imprevisível.
Se soubéssemos o que fazer sem regras, estas seriam desnecessárias.
É também uma espécie de educação porque, ao obedecer às regras, criamos algo em nós. Não haveria suficiente atrito sem regras.
Cada regra tem múltiplos objetivos, mas nada podemos esperar exclusivamente delas. São apenas uma parte da Escola, uma ajuda.
O conhecimento adquirido, até começarmos a trabalhar pela Escola (terceira linha), ainda não pode ser utilizado para ajudar outras pessoas porque, se tentarmos fazer alguma coisa com a pouca quantidade de conhecimento que temos, o deturparemos. É necessário ter mais, pois só então poderemos julgar se podemos utilizá-lo ou não.
Tudo no sistema das Escolas deve ser explicado plenamente ou deixado absolutamente intocado e, para explicar uma coisa, temos que explicar outra.
Essa é a dificuldade. Para nós, muitas coisas são fatos ou, deveriam sê-lo.
Se as dissermos às pessoas que nunca passaram demoradamente por esse estudo, será algo como fé cega. Elas acreditarão ou não, e como essas coisas normalmente, contrariam as ideias correntes, será mais fácil não acreditar. Por que iríamos então criar mais descrentes?
É impossível transmitir essas ideias de forma clara às pessoas que não as estudaram.
É difícil discutir algo sem que isso esteja impregnado daquilo que ouvimos na Escola. Porém, enquanto não se tornar fácil, nada podemos fazer; tudo se transformará e continuará sendo conversa.
Somente quando pudermos nos manter em silêncio, conservando algo para nós mesmos, acumularemos mais conhecimento. Se furamos uma bola, o seu conteúdo escapa. Se fizermos um furo em nós mesmos, tudo também escapará.
As regras são difíceis de manter porque, ao nos lembrarmos delas ao obedecê-las, acumulamos energia consciente. Essa é a principal razão da existência das regras.
É muito difícil guardar silêncio sobre as coisas que nos interessam. Gostaríamos de falar a todos aqueles a quem temos o hábito de confiar nossos pensamentos. Este é o desejo mais automático e o silêncio é a mais difícil forma de jejum. Se compreendermos ou seguirmos esta regra, será um exercício de lembrança de si e de desenvolvimento da vontade. Só um homem capaz de guardar silêncio, quando necessário, pode ser seu próprio amo.
Para muitos, notadamente os habituados a se considerarem sérios e sensatos ou silenciosos, com o gosto da solidão e da reflexão, é muito difícil reconhecer que a tagarelice é uma de suas características.
Eis a importância do silêncio. Se um homem se lembra dele e toma a si a tarefa de observar-se, descobrirá lados de si que nunca notara antes.
Regra do Trabalho
Presume-se que os membros do grupo devam trabalhar. Ao contentarem-se em frequentar o grupo e não trabalhar, mas apenas imaginar que trabalham, ou se considerarem a Escola a simples presença, ou se vierem às reuniões para passar o tempo, considerando o grupo um local de encontros agradáveis, então sua presença se tornará completamente inútil. Quanto mais depressa forem afastados, ou partirem por sua própria conta, melhor será para eles e para os outros.

 O TREVO JANEIRO 2011
ESCOLA DE APRENDIZES