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segunda-feira, 6 de abril de 2015

12 -=- Garimpo de Amor

16 - Amor E Plenificação

O trabalho do amor em benefício da plenificação humana é lento, mas inevitável.
Quando alguém ama, plenifica-se de amor, não porque o receba de volta, mas pelo simples ato de o doar.
O amor, que alguém exterioriza, igualmente envolve aquele que o gera no íntimo.
Mesmo que não aguarde o seu retorno, ele volve de mil maneiras. Talvez não seja encaminhado por aquele a quem se o oferece, mas por outros meios não convencionais, até mesmo em natural forma de alegria que a vida proporciona a quem se encontra amando.
O amor se torna mais significativo no momento em que a morte se acerca do leito de um moribundo. Não são poucos aqueles que, ainda lúcidos, lamentam não haver amado o suficiente, tudo quanto agora gostariam de haver feito, ou não o terem expressado de forma que tornassem as outras existências mais ricas e, por consequência, a sua menos penosa.
Essa fonte de juventude e de vigor é a mensageira da paz, inspiradora da harmonia, trabalhadora fiel da fraternidade. Graças aos seus nobres jorros de vitalidade, altera comportamentos, propicia esperanças, ilumina outros seres.
Ninguém, na Terra, vive em plenitude, de tal forma que não necessite de companhia, de amizade, de entendimento, de benevolência. Por atavismo infeliz, quase todos esperam receber antes de dar, acumular as demonstrações de afetividade alheia, a fim de se sentirem satisfeitos. Nisso reside um grande equívoco, porque, mesmo sob os camartelos dos sofrimentos e das dificuldades, pode-se amar, estabelecendo-se vínculos de emoção com desconhecidos, solidarizando-se com as dores alheias, compreendendo os dissabores que assoberbam outros indivíduos.
Com essa compreensão das aflições de outrem, o sentimento de compaixão aumenta e a ternura se desenvolve, diminuindo as próprias amarguras e contribuindo em benefício de indivíduos mais necessitados e sem rumo.
Não havendo esse entendimento do que ocorre nos outros, na sua historiografia de vida, nas ocorrências que o tornaram com essa ou aquela característica de rudeza,
de agressividade, de ignorância, faz-se muito difícil viver em sociedade e partilhar dos sentimentos humanos, que constituem um dos objetivos essenciais da vida em grupo, de que ninguém se pode distanciar sob o perigo de alienar-se.
Mediante a óptica do sadio interesse pelo próximo, pelas ocorrências que lhe alteraram o comportamento, que lhe trabalharam a existência, moldando-o com essa maneira de ser, pode-se promover uma avaliação das próprias aflições e perceber que fazem parte do processo da evolução que a todos envolve, diminuindo, pela razão, os efeitos da sua presença.
De imediato, passa a participar da solidariedade em relação aos aflitos que existem no mundo, mesmo que apenas sentindo o desejo de ser-lhes útil e de ajudá-los, embora não dispondo de outros elementos mais significativos para fazê-lo.
O pensamento afetuoso age nas ondas que envolvem o planeta terrestre de maneira saudável, produzindo harmonia vibratória e contrabalançando as tempestades produzidas pelas energias desgovernadas do ódio, da vingança, da insensatez, do crime.
O amor, portanto, é psicoterapêutico também, irradiando sempre saúde e paz.
Não poucas vezes, arregimentam-se membros de movimentos pacifistas, que vão para as ruas brigar, entrar em choque, gritar pelos seus direitos, defender os fracos, utilizando-se dos recursos da força, da beligerância.
Nada mais paradoxal! Havendo conflito interno, que produz agressividade no indivíduo, ele não tem condições de propor equilíbrio aos outros, harmonia, respeito pelos direitos das minorias, dos fracos, dos excluídos... Somente quando se está enriquecido de amor, podendo compreender os opositores, aqueles que ainda se comprazem em combater com violência, em perseguir insanamente, em infelicitar, prejudicando a sociedade, com o que se prejudicam também sem dar-se conta, é que se torna válida a ação em favor da paz. Talvez não seja necessário ganhar as ruas do mundo, produzindo impacto, chamando a atenção, mas sim não revidando com os mesmos instrumentos de covardia e maldade as agressões que lhe são desfechadas, retribuindo sempre com o sorriso de compaixão e de compreensão, de paz e de perdão, que termina por modificar o comportamento do agressor. Noutras ocasiões, possivelmente um movimento externo, gerador de simpatia, comandado pela benevolência, possa caminhar pelas avenidas do mundo, convocando outros que, tímidos, postergam o seu momento de contribuir em favor de uma nova ordem de valores e de realizações humanas.
Existem pessoas, dotadas de excelentes sentimentos, que gostariam de contribuir em favor da paz, trabalhando pelo equilíbrio entre as diversas classes sociais, financeiras, morais, mas não se encorajam a fazê-lo, temendo ser levadas ao ridículo ou serem perseguidas pelos prepotentes e dominadores que a ninguém nem a nada respeitam.
Os exemplos nobres e de desprendimento de alguns podem estimulá-las a vir para o campo de ação, aumentando o número dos que laboram pelo bem e se interessam pela mudança do meio social, a fim de que o mundo se torne mais benévolo, o ar mais puro, as águas, florestas e animais sejam preservados no seu habitat, direito que lhes é outorgado pelo Supremo Criador.
O amor também expressa os objetivos essenciais da Criação, que é resultado de um ato dele derivado.
Quem perturba a ordem e se compraz no enriquecimento enquanto atenta contra a Natureza, não se ama, nem a ninguém ama.
Os onzenários, os déspotas, os devastadores da flora e destruidores da fauna perderam a direção da vida e emaranharam-se no aranzel da desmedida ambição, autodestruindo-se, sempre que investem contra as manifestações sencientes que existem.
O amor é solução. Todavia muitas criaturas dele se utilizam para esgrimir suas paixões, exibir seus conflitos, competir nas suas ambições.
Separam-se parceiros por nonadas; amigos se afastam por mínimas incompreensões; companheiros se antagonizam por mal-entendimentos injustificáveis, todos vítimas de pertinaz orgulho e vil egoísmo que os impedem de compreender, de tolerar, de buscar esclarecimentos, de tentar fraternidade. Sempre que insatisfeitos, com ou sem razão plausível, investem contra, quando poderiam avançar na direção, sempre a favor.
O trabalho do amor em benefício da plenificação humana é lento, mas inevitável.
Jesus amou sem distinção e foi assassinado. No entanto, o Seu exemplo vem edificando vidas aos milhões, que tentam segui-lo, embora as limitações de que se encontram possuídas.
Gandhi, amando, igualmente ofereceu a vida, porque não poderia morrer senão pela agressividade dos violentos que, dessa forma, demonstrariam a sua própria fraqueza.
Assim, os heróis máximos do amor, como os santos, os mártires e muitos outros, são o espelho que aguarda novos investidores para refletirem nele a sua imagem.